TÓPICOS ESPECIAIS EM EDUCAÇÃO.
Profissão: professor.
Por Leila Maria Feitosa Pinheiro
Introdução
Comecemos pela reflexão acerca da história e da pedagogia, como teorias que tem por objeto a ação humana. A história é a interpretação da ação transformadora do homem no tempo.
Não estamos diante de uma encruzilhada, a educação só pode ser compreendida em determinado contexto histórico, torna-se evidente a atenção aos novos rumos a serem perseguidos daqui em diante, considerada a especificidade.Nóvoa nos diz que uma das primeiras preocupações dos reformadores do século XVIII consiste na definição de regras uniformes de seleção e de nomeação dos professores. A diversidade de situações educativas do Antigo Regime não serve os novos desígnios sociais e políticos: é necessário retirar os professores da alçada das comunidades locais, organizando-os como um corpo do Estado. Neste sentido, a estratégia de recrutamento não privilegiará os candidatos que tencionam fixar-se nas suas terras de origem, visando, pelo contrário, a constituição de um corpo de profissionais isolados, submetidos à disciplina do Estado. Os professores aderem a este projeto, que lhes assegura um estatuto de autonomia e de independência em relação aos párocos, aos notáveis locais e às populações: a funcionarização deve ser encarada como uma vontade partilhada do Estado e do corpo docente. E, no entanto, o modelo ideal dos professores situa-se a meio caminho entre o funcionalismo e a profissão liberal: ao longo da sua história sempre procuraram conjugar os privilégios de ambos os estatutos.
Os professores são funcionários, mas de um tipo particular, pois a sua ação está impregnada de uma forte intencionalidade política, devido aos projetos e às finalidades sociais de que são portadores. No momento em que a escola se impõe como instrumento privilegiado da estratificação social, os professores
passam a ocupar um lugar-chameira nos percursos de ascensão social, personificando as esperanças de mobilidade de diversas camadas da população: agentes culturais, os professores são também, inevitavelmente, agentes políticos.
Nóvoa também nos diz que a profissão docente exerce-se a partir da adesão coletiva (implícita ou explícita) a um conjunto de normas e de valores. No princípio do século XX, este "fundo comum" é alimentado pela crença generalizada nas potencialidades da escola e na sua expansão ao conjunto da sociedade. Os protagonistas deste desígnio são os professores, que vão ser investidos de um importante poder simbólico. A escola e a instrução incarnam o progresso:os professores são os seus agentes. A época de glória do modelo escolar é também o período de ouro da profissão docente. Ser professor nunca foi fácil. Durante séculos exigiu-se que o professor fosse um modelo de virtudes, e mais recentemente que desempenhasse as funções de um técnico, capaz de mudar os comportamentos e atitudes de todo o tipo de alunos. Uma profissão impossível. Numa perspectiva sociológica o conceito de Profissão constitui o que podemos designar por um constructo, dada a dificuldade em detalhar os seus atributos. Na língua portuguesa, o termo adquiriu um sentido muito amplo de ocupação ou emprego. Nos países anglo-saxónicos, pelo contrário, o termo é aplicado para as designar profissões liberais como médico, advogado ou engenheiro. Os atributos destas profissões, transformaram-se em requisitos para todas as atividades profissionais que tenham como objetivo constituírem-se numa profissão, tendo para o efeito que possuir: Um saber especializado, aliado a práticas específicas que o profissional necessita de dominar, adquiridas através de uma formação profissional estruturada; Uma orientação de serviço. O profissional afirma-se perante outros que exerce a sua atividade por motivos altruísticos, não se pautando por interesses particulares.Um código deontológico que determina e regula o conjunto de deveres, obrigações, práticas e responsabilidades que surgem no exercício da profissão. Uma associação profissional, cujo objetivo seria, entre outros, o de manter e velar pela ocupação dos padrões estabelecidos entre os seus membros. Muitos autores tem reagido contra esta tipificação, tomada de empréstimo às profissões liberais, por a mesma ser demasiado estática,
esquecendo-se as transformações que nas mesmas ocorreram, nomeadamente a sua integração em organizações burocráticas, nas quais os profissionais perderam grande parte da sua autonomia. Podemos classificar a profissão de professor como uma profissão complexa, onde a incerteza, a ambiguidade das funções são o seu melhor traço definidor.
Para fazer face a esta dura realidade, o professor conta acima de tudo consigo próprio, ele é, não apenas observador, como o ator insubstituível da relação pedagógica. Contra a incerteza e as suas próprias carências, o conhecimento das boas práticas é neste aspecto importante como referência teórica, mas é preciso dizê-lo que estas raramente são transferíveis para outros contextos e outros atores. É neste panorama complexo que hoje emerge o modelo dos "professores como práticos reflexivos", os quais envolvidos num processo de construção e desconstrução de saberes vão elaborando a sua própria concepção de profissão e das boas práticas.
Professor ou docente é uma pessoa que ensina uma ciência, arte, técnica ou outro conhecimento. Para o exercício dessa profissão, requer-se qualificações acadêmicas e pedagógicas , para que consiga transmitir/ensinar a matéria de estudo da melhor forma possível ao aluno.É uma das profissões mais antigas e mais importantes, tendo em vista que as demais, na sua maioria, dependem dela.
Já, os fatores que influenciaram na minha trajetória como professor foi de uma melhoria na educação, o bem estar de todos para um ensino de qualidade, Por que mesmo com a desvalorização salarial que o magistério está vivenciando existe um número bem considerado de professores, sendo possível elucidar muitos argumentos e até mesmo ampliar o conhecimento do espaço sociocultural que envolve a mulher professora e sua relação com a educação.
Leila Maria Feitosa Pinheiro, e Mestranda em Ciências da Educação e colaboradora desta Revista.
REFERÊNCIAS
NÓVOA, Antônio, org. (1992). Os professores e a sua formaçlío. Lisboa: D. Quixotef lnstituto de Inovação Educacional.
NÓVOA, Antônio, org. Profissão: professor. Porto: Porto Editora,1991.
ARANHA, Maria Lúcia Arruda. História da Educação e da pedagogia. São

