sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Mestrado em Educação: A GESTÃO DA SALA DE AULA. Mestranda Sinara Andréa Ferreira 2015/08/28


A GESTÃO DA SALA DE AULA
Mestranda Sinara Andréa Ferreira


No mundo contemporâneo é urgente a busca de estratégias diversificadas para o professor exercer a sua profissão com êxito, aja vista, o avanço acelerado do mundo midiático e a evolução rápida do ser humano. 

Não existem mais alunos “robôs” e manipuláveis de acordo com o que o professor quer, existe uma juventude ativa, atualizada na tecnologia, com opiniões próprias e conhecimento de mundo, desde muito cedo.
            Esse novo tipo de aluno, não cabe mais ser um professor que simplesmente transmite conhecimento, como uma educação bancária. O professor necessita ter uma interação com o aluno, tendo que conhecê-lo antes de ensiná-lo, mediando o conhecimento a partir dos conhecimentos prévios, buscando desafios e estímulos, com conteúdos significativos a fim de mantê-lo com interesse em aprender. Hoje o aluno é diferente, sendo capaz de criação intelectual, em a escola precisa ser capaz de alimentar sua imaginação, desafiar sua inteligência, proporcionando um encontro com um horizonte cultural que perpassa os muros das instituições escolares.

            Para que este educador se aflore, é fundamental a valorização do professor, o enfoque na importância de seu trabalho, oferta de condições de trabalho, diminuição de números de alunos por sala, entre outras ações essenciais para uma gestão de aula de qualidade e, principalmente que seja de ganhos positivos para o processo de ensino aprendizagem do educando.
            Na gestão da sala de aula, o professor necessita antes de qualquer ação ou planejamento, saber:
·         Quem é este meu aluno?
·         O que ele quer e precisar aprender?
·         Quais as estratégias que irei utilizar para ensiná-lo?
·         Como e quando avaliá-lo?
·         Como agir diante da indisciplina?
·         O que o PPP pode me auxiliar na minha gestão da sala de aula?
Este contexto me remete a por em prática os quatro pilares da educação: aprender a conhecer /aprender (saber selecionar, acessar, integrar elementos de cultura geral), aprender a fazer (resolver problemas), aprender a conviver (interdependência), aprender a ser (personalidade, atitudes).
São fazeres pedagógicos importantíssimos para o sucesso da aprendizagem do aluno, que passa segundo o vídeo de Vasconcellos por três dimensões:
·         Relacionamento interpessoal.
·         Organização da coletividade.
·         Trabalho com conhecimento.
A educação escolar é um encontro de pessoas, neste processo o professor é a pessoa mais próxima do aluno, tendo um contato humano que vai além da coletividade, e mesmo sendo um grupo grande de alunos, o professor conhece cada um de seus alunos, e desta forma pode ajudá-lo melhor na aprendizagem e no desenvolvimento humano, compreendendo suas principais características e forma de agir no cotidiano escolar.
Em sala, há um alto nível de interação coletiva, não só professor-alunos, mas também aluno-aluno. Além disto, normalmente, os educandos estão sob a orientação de um conjunto de educadores. Esta marca de encontro de gerações é muito característica, devendo ser preservada e bem gerenciada, exercitando e fortalecendo cotidianamente uma relação dialógica.

Segundo Vasconcellos a organização da coletividade é uma dimensão também decisiva, porque se não há um clima de participação, de interação, de respeito, de comunicação em sala de aula, não há como propiciar a apropriação do conhecimento e nem enriquecimento da experiência pedagógica.

Em relação à indisciplina, sendo uma das maiores queixas dos professores, o contrato didático surge como uma ação que vale a pena ser trabalhada, buscando um clima de disciplina já acordado com o aluno e a consequência da quebra do contrato. Esta ação deverá ser pautada no diálogo e entendimento de ambas as partes de maneira que todos possam ter voz no surgimento dos conflitos.
A disciplina é uma condição para o crescimento, e não se opõe à liberdade. Se a disciplina é construída coletivamente, é um elemento que favorece o exercício da liberdade, porque garante as condições para a aprendizagem e para o desenvolvimento do aluno, principalmente enquanto pessoa.

Quanto ao trabalho com o conhecimento, trata-se do processo de apropriação da herança cultural e construção crítica, criativa, significativa e duradoura do conhecimento. É um dos aspectos centrais da educação escolar (e também de maior visibilidade) visto que a escola é uma instituição que permite, entre outras coisas, a interação dos novos sujeitos com o conhecimento acumulado da humanidade, de forma organizada, sistematizada (Saviani).

O professor, como mediador, tem um papel muito importante nesse processo, tais como: acolher (o primeiro movimento do professor em relação ao estudante é sempre o de acolhimento, de engendramento, de reconhecimento de seu valor como pessoa, de sua cultura e de sua capacidade de aprender); provocar (criar situações a fim de colocar o pensamento do educando em movimento, na direção do objeto de estudo, desafiando, estigando e provocando o aluno); subsidiar (dar condições para que o educando tenha acesso a elementos novos, a fim de possibilitar a elaboração de respostas aos problemas, propondo ações que favoreçam a elaboração crítica, criativa, significativa e duradoura do conhecimento); interagir (com a representação do educando: solicitar a expressão, através dos mais diversos meios; acompanhar o percurso de aprendizagem).

Neste contexto, destaco a importância e a participação da família neste cenário, uma vez que a escola precisa orientá-la quanto ao seu papel, tanto em relação à educação básica quanto à aprendizagem escolar. Essa família precisa se apropriar da tarefa de valorizar o estudo, a escola, o professor, cuidar do compromisso do seu filho em relação a tudo de sua vida escolar. A família é referência básica na formação da criança e, portanto, deve trabalhar em parceria com a escola.
A função social da escola é fazer com que todos aprendam, e não ficar justificando a não aprendizagem em função da situação da família. Porque, se assim for, o aluno estará sendo punindo duas vezes: já é vítima de uma situação social (ou psicológica) familiar que o prejudica, e vai ser mais uma vez prejudicado porque a escola não está criando condições adequadas para que.
venham aprender, numa perspectiva democrática.

            O papel da escola é propiciar a aprendizagem de todos, promovendo a equidade e oportunidade igualitária. De acordo com o vídeo de Vasconcellos, a escola tem um grau de governabilidade, e deve usar essa zona de autonomia a favor da aprendizagem de todos.

            Diante desse processo, o professor é um profissional aprendente, sendo necessário ir ao encontro de práticas pedagógicas significativas e contextualizadas, estando sempre num processo de: 
                                       AÇÃO >>> REFLEXÃO >>> AÇÃO        
                                    
 Essas ações têm como objetivo o enriquecimento da prática pedagógica, consequentemente contribuir para uma aprendizagem de qualidade e transformação social do aluno, indo ao encontro de construir possibilidades emancipatórias para todos.

Entendo que a nova abordagem no processo ensino aprendizagem tem como uma das funções melhorar a relação dos alunos com o conhecimento proporcionando novos desenhos para a convivência em sala de aula. No decorrer no processo ocorrerão mudanças importantes, tanto no perfil dos alunos, no fazer pedagógico do professor, quanto no universo da escola, sendo precioso um diálogo permanente e contínuo pautado num ensino de significados.

Isso significa que as escolas precisam não somente de um currículo inovador, mas de novas formas de conquistar, de ensinar, de desafiar e de estimular a atenção desses alunos com múltiplas facetas deste mundo contemporâneo.
Vale ressaltar que a o aluno é o protagonista deste processo, portanto o educando é da escola e não somente do professor, todos tem a função de educador no interior da instituição escolar, sendo preciso que cada um cumpra o seu papel com excelência, com a finalidade de construir uma escola que atenda a diversidade e a especificidade de cada educando.

 IER_ Mestranda Sinara Andréa 28/08/2015

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

MESTRADO EM EDUCAÇÃO: EDUCAÇÃO AMBIENTAL – USO RACIONAL E PRESERVAÇÃO DA ÁGUA. Mestrando Roberto Viana Moraes




Pesquisa de Campo. Em 2015/07/09                   
Mestrado em Ciências da Educação

Mestrando Roberto Viana Moraes











EDUCAÇÃO AMBIENTAL – O USO RACIONAL E PRESERVAÇÃO DA ÁGUA


Ao comparecer na Unidade Escolar de Ensino, Escola Estadual Nello Lorenzon, Rua São Gonçalo do Sapucaí, nº 61, Bairro Santa Lúcia, São Paulo, SP, CEP: 03891-050, telefone: (11) 2280-5459, sob a direção de José Bezerra da Silva, e-mail: jbezerra@hotmail.com  e Coordenação de Elisete, e-mail: profelesete@ig.com.br, presenciei a escola vivenciando um projeto cujo tema é referente ao Uso Racional e Preservação da Água. 
Este projeto visa conscientizar seus alunos juntamente com a comunidade da importância do Uso Racional e Preservação da Água, mostrando suas múltiplas formas de uso e sua importância para a vida de todos os seres vivos, tal projeto ao ser desenvolvido, foi apresentando e trabalhando com os alunos o ciclo da água, assim como as diversas formas de encontrá-la na natureza, como por exemplo, poços – água subterrânea, rios, lagos, oceanos, e quão importante ela é em nossas vidas e dos demais seres vivos e as várias maneiras de se conservá-la, mantê-la potável e em condições adequadas para beber, cozinhar, realizar a higiene pessoal e tantas outras funções que damos à ela.
Justificativa: O projeto com o tema Uso Racional e  Preservação da Água propõe aos alunos e comunidade, os inúmeros problemas que a sociedade vem enfrentando com a falta de água, propondo também, medidas e atitudes que visam o uso de forma racional e a conservação desse bem tão precioso para nossa sobrevivência. Espera-se que com a participação ativa dos alunos e com a mediação dos professores, possibilitar que os alunos tomem a iniciativa de se tornarem multiplicadores dessas informações para que todos os indivíduos da comunidade tenham acesso a tais informações e aceitem o desafio usarem medidas e atitudes para o uso racional e preservação da água.
Objetivo Geral: Ampliar a conscientização dos alunos para que eles se tornem multiplicadores desses conhecimentos e informações estendendo-os para seus familiares, vizinhanças sobre a importância e como usar e preservar a água.
 Reconhecer que a qualidade da vida e sua longevidade está relacionada ao saneamento, higiene, cuidados especiais com o meio ambiente, pois assim, estarão evitando a poluição do solo que pode atingir as águas subterrâneas, rios, lagos, etc., que a comunidade entenda que nossas águas não devem ser desperdiçadas nem poluídas pelos maus hábitos e desleixo humano.
Metodologia: Sensibilização através da música de título Planeta Água do cantor e compositor Guilherme Arantes, em seguida, roda de leitura e interpretação de alguns textos como: Água em nosso corpo, água de beber, onde está a água do nosso planeta, economia doméstica, água: sabendo usar sem desperdício, água: escassez no mundo, na sequência, criação de letras musicais sobre a água, composições, maquetes representando as várias maneiras em que a água é encontrada na natureza, construção de filtros artificiais utilizando garrafas PETs, construções de fontes ornamentais para umidificar o ambiente doméstico com o objetivo de perceber a importância da água em nossas vidas. 
Materiais: Rádio, TV, DVD, lousa giz, folhas sulfites para os textos. Para as maquetes, isopor, ramos artificiais, gelatina ou tinta azul, cartolina. Para as fontes ornamentais, bobinas elétricas para água, pedras brancas, mangueiras de pequeno porte adquiridas em lojas que vendem materiais para aquários, um pote de cerâmica ou louça, ramos de plantas artificiais, cola e água, tecido, tinta e pincéis para confeccionar a faixa que foi colocada na frente da escola.
Desenvolvimento: 1ª etapa – Sensibilização através da música de título Planeta Água do cantor e compositor Guilherme Arantes e vídeo sobre tratamento e uso da água.
2ª etapa –  Roda de leitura com a turma dividida em seis grupos distribuídos com os textos, após leitura, um membro de cada grupo ou cada grupo expõe seu entendimento de seus respectivos textos para os demais colegas.
3ª etapa – Organização dos materiais e orientação para construção das maquetes.
4ª etapa – Criação e preparação das letras de músicas sobre a água, pelos alunos.
5ª etapa – Montagem das fontes ornamentais.
Professores envolvidos: todo corpo docente da Escola Estadual Nello Lorenzon com suas respectivas disciplinas, Ciências, Biologia, Química, Física, Matemática,

Língua Portuguesa, Língua Inglesa, Educação Física, História, Geografia, Arte, Filosofia, Sociologia juntamente com os professores auxiliares e readaptados, apoio da equipe gestora e administrativa.

TEXTOS
Os textos a seguir são extraídos de notícias publicadas em jornais, livros, revistas ou na internet com informações importantes sobre o uso da água.

A água em nosso corpo
Você sabia que a quantidade de água em nosso corpo corresponde 70% do nosso peso?
Essa água é utilizada de várias maneiras: como meio de transporte de nutrientes, como meio onde ocorrem as transformações de matérias que mantêm o organismo funcionando, como condutor dos restos tóxicos que saem do organismo. Diariamente, perdemos cerca de dois litros de água, eliminando-as pela transpiração, pela respiração, pela urina.
Para que o organismo não fique desidratado, essa quantidade de água precisa ser reposta. Isso ocorre quando ingerimos água ou alimentos que contêm água.
Quando há falta de água em nosso organismo, sentimos sede. Essa sensação é resultado da mensagem enviada pelo cérebro ao organismo, lembrando-o da necessidade de reposição de água, que, caso não ocorra, pode resultar em desidratação.

A água de beber
A água que se bebe deve ser tratada. Isso significa que, para não fazer mal à saúde, a água fornecida à população das cidades precisa passar por um tratamento que garanta que ela esteja livre de sujeiras e micróbios. Desse processo faz parte a adição de cloro.
à água e, muitas cidades, também usam flúor para prevenir as cáries dentárias.
Nas regiões onde a água não é tratada, as pessoas devem adquirir o costume de ferver a água durante dois minutos e, depois de fria, agitá-la bem; ou adicionar a cada litro de água uma ou duas gotas de hipoclorito de sódio a 2,5% que é distribuído nos postos de saúde ou pode ser adquirido em farmácias.

Onde está a água do planeta?
A água é tão abundante em nosso planeta, que ocupa 71% da superfície. Entretanto, 97,2% dessa água é salgada e está nos oceanos e mares.
Dos 2,8% de água doce, 2,2% encontram-se na forma de geleiras e neves eternas e apenas 0,6% chamam-se no ar (na forma de vapor ou nuvens), em lagos, rios, ou lençóis subterrâneos.
Assim, de toda a água do planeta, uma quantidade muito pequena é de fácil acesso e própria para o consumo humano.

Economia doméstica
O resultado da má utilização da água nos leva ao perigo da escassez desse bem tão precioso para a vida no planeta.
Um banho de ducha com duração de 15 minutos consomem 135 litros de água. Um banho de chuveiro elétrico com o mesmo tempo de duração consome 30% a menos de água.
Em uma lavagem de um carro em 30 minutos com mangueira, são gastos até 560 litros de água. Usando-se balde, economiza-se 90% de água.
Quando alguém escova os dentes com a torneira aberta durante todo o tempo gasta até 20 litros de água. Se abrir a torneira somente de enxaguar a boca, economiza 25% de água. Existem também as perdas decorrentes da deficiência técnica e administrativa do serviço de abastecimento de água, provocadas por exemplo: por vazamentos e rompimento de rede, vazamento nas descargas, etc.

Água: sabendo usar sem desperdiçar
A água é a substância fundamental na sustentação da vida no Planeta Terra. Aproximadamente 70% do corpo humano são compostos por água. Além de manter a vida animal e vegetal, utiliza-se a água para inúmeros fins. Muito embora existam oceanos cobrindo a superfície terrestre, a água salgada é imprópria para o consumo. Apenas uma pequena parcela da água disponível no planeta é potável. Com o aumento da população terrestre e, em parte, o incremento dos usos industriais da água em escala, torna-se urgente conscientizar a todos sobre seu uso racional.

Água: escassez no mundo
As reservas de água potável estão esgotando rapidamente no mundo todo. Por um lado, a má distribuição natural dos recurso hídricos pelo planeta faz com que as populações de algumas regiões tenham mais água que o necessário e outras precisem sobreviver com volume abaixo do considerado aceitável para uma vida saudável.
O estresse hídrico – o desequilíbrio entre a oferta e a demanda de água em determinada região – tem como motivo, também, a poluição dos rios e lagos. A ONU estima que mais de 1 milhão de pessoas já vivam com pouca ou nenhuma água. As nações mais afetadas estão na África Subsahariana, no Oriente Médio e na China.
A carência de água compromete a produção de alimentos, o crescimento econômico e a saúde da população. Cerca de 2,2 milhões de pessoas morrem anualmente em razão de doenças causadas por falta de água e água infectada.

Fonte de pesquisa: Jornais, revistas, livros, didáticos.
Os textos forma extraídos do Projeto Economizar é preciso, elaborado pela Equipe Técnica da CENP


_Concluo que foi de grande importância e aprendizado essa pesquisa de campo realizada nessa Unidade Escolar onde pude observar e ter o contato com os professores, alunos e agentes administrativos.
Ponto negativo: fiscalizar o tempo de água perdida nas descargas e incentivo dos alunos a não cometer esse erro.
Além das torneiras temporizadores é válido também o incentivo de garrafas de água para o uso diário durante as aulas.
  
 ( Mestrando Roberto Viana Moraes)

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

MESTRADO EM EDUCAÇÃO: O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO PARA A DEFICIÊNCIA VISUAL EM UM ESPAÇO ESCOLAR ACRIANO Mestranda Ednilza Antonina da Rocha




O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO PARA
A DEFICIÊNCIA VISUAL EM UM ESPAÇO ESCOLAR ACRIANO.
2015/08/15

Mestranda Ednilza Antonina da Rocha 1
Marilu Palma de Oliveira2



RESUMO
Este trabalho tem como objetivo analisar o atendimento educacional especializado à deficiência visual no espaço escolar através da sala de recurso, por meio de entrevistas com pais, alunos e professores. Busca verificar como é e como se dá o atendimento aos alunos especiais através da integração e inclusão, verificando como são os meios e as metodologias apresentadas para tal público alvo dentro das abordagens, direcionamentos pedagógicos e sociais a que se destinam tais inclusões.
Palavras-chaves: Deficiência visual, Inclusão e Sala de Recurso.

ABSTRACT
The article aimed to analyze the meaning of special service to the visual impairment in the classroom and resource room, through interviews with parents, students and teachers. Seeking-see how are and how the special students care through the integration and inclusion, as are the means and the methodologies presented for such target audience within the targeting social and pedagogical approaches, intended such inclusions.
Key-words: Visual impairment, Inclusion and Resource Room.

1 Especialista em Educação Profissional Integrada à Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos - Proeja, Pólo Acre, Graduada em Pedagogia pela Universidade UniSantana (São Paulo), Pós-Graduada em Lato Sensu em Educação Ambiental pela Unopar (Acre) e Coordenadora Pedagógica e Professora na SEE/AC.
2 Orientadora do artigo, Mestre em Educação pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)
Especialista em Educação Especial pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Graduada em Educação Especial pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e Professora Formadora do Núcleo de Apoio Pedagógico Dom Bosco.

1 INTRODUÇÃO
O estudo faz uma abordagem de como está sendo realizada a inclusão de educandos portadores de deficiências visuais na Escola Estadual de Ensino Fundamental Dr. Pimentel Gomes, a partir do Atendimento Educacional Especializado (AEE) oferecido na sala de recursos da referida escola, destacando o papel da inclusão para estes educandos, bem como algumas ações desenvolvidas no espaço escolar e com as famílias.
O estudo se justifica por analisar a importância do trabalho do AEE na vida dos educandos, bem como, dos envolvidos diretamente ou indiretamente no processo de inclusão. Nesse sentido, no que se refere ao primeiro aspecto, procurei destacar como o AEE poderá contribuir para a formação intelectual desses educandos, proporcionando-lhes novo sentido à vida; quanto ao segundo aspecto, enfatizei o papel do educador, dada a importância que os vínculos formados a partir da relação em sala de aula entre educando e educador. Uma pessoa com deficiência muitas vezes apóia-se não só em seus familiares; mas também nas pessoas que passam a fazer parte de sua vida, como é o caso do professor, em que seu compromisso poderá representar a sua contribuição para uma sociedade mais inclusiva e, como conseqüência, mais justa.
Adotou-se como metodologia de pesquisa a revisão bibliográfica articulada ao estudo de caso. Através da revisão bibliográfica, fundamentei o referencial teórico da pesquisa e ao adotar o estudo de caso, fiz o recorte da amostra abrangendo apenas a escola selecionada para o estudo. Utilizou-se como instrumento de coleta de dados a entrevista semi-estruturada realizada a partir de um questionário com questões abertas. A entrevista foi aplicada aos educandos do AEE, aos pais e aos professores.
Mostrarei, através de minha pesquisa, o atendimento especializado na sala de recursos da Escola Estadual de Ensino Fundamental Dr. Pimentel Gomes, fortalecendo o papel da inclusão aos alunos com deficiência visual, bem como algumas ações desenvolvidas com as famílias no espaço escolar. Portanto, essa pesquisa e estudo se justificam por analisar a importância do trabalho da AEE na vida dos alunos e de todos os envolvidos diretamente e indiretamente nesse processo de inclusão. Para a efetivação do estudo realizarei pesquisa com a referida instituição, onde aplicarei um questionário semi-estruturado com perguntas dirigidas e também entrevistarei a professora de ensino especial verificando toda a trajetória da inclusão nesse espaço. Em seguida, farei breves considerações sobre a Política Nacional, a inclusão e o atendimento especial, focando nessa pesquisa a deficiência visual e sua classificação, buscando na atual legislação brasileira como se dá o atendimento a esses educandos e como ele está organizado dentro do ambiente escolar.
Esse estudo vem mostrar dados de uma prática pedagógica e a observação de tais transformações sociais dentro do nosso Estado. Em virtude de tais investigações, poderei ter melhor compreensão sobre o deficiente visual, e que muitas vezes um aluno tem outros déficits além do visual, necessitando ainda mais de atenção e de certos cuidados, como no caso dos cadeirantes. Essa pessoa com deficiência muitas vezes apóia-se não só em seus familiares, mas também em outras pessoas que passam a fazer parte de sua vida e estão bem próximas, criando vínculos afetivos e se descobrindo como verdadeiro ser sendo capaz de expressar-se naturalmente e não ser recriminado ou envergonhado. Isso pode contribuir para sua formação intelectual dando novo sentido à sua vida. Os educadores que realmente são comprometidos com aquilo a que se propuseram, certamente estarão contribuindo para uma sociedade mais justa e com valores absolutos, dando qualidade não só à educação, mas também à cidadania, pois ser cidadão é fazer realmente parte de uma sociedade e não ser apenas contado como número.
O trabalho se deu com participação e envolvimento, onde foi analisado, através das falas e anotações, todo o trabalho do AEE, dentro e fora da escola, pois as ações ultrapassam os espaços escolares, já que a atual professora da sala de recursos também faz atendimento no âmbito familiar. Ela acompanha, junto com a coordenação da escola, o atendimento domiciliar. O aluno que recebe atendimento em casa devido à sua necessidade especial tem total atenção, mas não deixa de ser envolvido em todo trabalho.
Esse trabalho segue estruturado em três partes. No primeiro tópico estarei destacando de maneira geral um pouco sobre deficiência, sua trajetória, contextualizando acerca da deficiência visual e sua classificação. No segundo discorrerei sobre o atendimento educacional especializado na sala de recurso da escola e como se dão essas ações, como é esse trabalho e quais impactos provoca na comunidade escolar. No último tópico, farei um breve relato sobre a política nacional de inclusão e suas fundamentações no estado do Acre.

CONCEPÇÕES SOBRE A DEFICIÊNCIA VISUAL
Neste tópico, faremos um recorte sobre uma retrospectiva da atenção dada às pessoas com deficiência desde a antiguidade até os dias atuais, abordando os conceitos utilizados em cada época, as concepções a respeito das pessoas com deficiência visual, bem como as transformações conceituais ocorridas ao longo do tempo.
Por se tratar de uma pesquisa bibliográfica e descritiva, optamos pela leitura, análise e interpretação de vários livros, periódicos, textos legais e outros documentos oficiais a respeito da trajetória da pessoa com deficiência visual.
Os primórdios da Educação Especial se situam no final do século XVIII, uma época que foi caracterizada pela ignorância e rejeição ao indivíduo diferente. Para compreender mais amplamente este processo histórico, há que se conhecer os muitos caminhos já trilhados pelo homem ocidental em sua relação com a parcela da população constituída pelas pessoas com necessidades educacionais especiais. A história da atenção a pessoas especiais tem se caracterizado pela segregação, acompanhada pela consequente e gradativa exclusão, sob diferentes argumentos, dependendo do momento histórico focalizado. No que se refere à deficiência, começaram a surgir novas ideias referentes à sua natureza orgânica, produto de causas naturais. Assim concebidas, as deficiências passaram também a ser tratadas por meio da alquimia, da magia e da astrologia, métodos da medicina de então, processo importante do século XVI. O século XVII foi palco de novos avanços nos conhecimentos produzidos na área da medicina, o que fortaleceu a tese da organicidade, e ampliou a compreensão da deficiência como processo natural.
Segundo Pessoti (1984), John Locke propôs, em sua obra Essay Concerning Human Understanding (1690), que o homem, ao nascer, é uma tábua rasa, ou seja, um ser absolutamente vazio de informações e de experiências. Segundo o autor, sua mente vai se preenchendo com a experiência, fundamento de todo o saber. Enquanto a tese da organicidade favoreceu o surgimento de ações de tratamento médico das pessoas com deficiência, a tese do desenvolvimento por meio da estimulação encaminhou-se, embora muito lentamente, para ações de ensino, o que vai ocorrer definitivamente somente a partir do século XVIII. No decorrer da História da Humanidade foram se diversificando a visão e a compreensão que as diferentes sociedades tinham acerca da deficiência.
A forma de pensar e, por consequência, a forma de agir com relação à deficiência enquanto fenômeno e à pessoa com necessidades educacionais especiais enquanto ser, modificaram-se no decorrer do tempo e das condições sócio-históricas. É importante lembrar que termos tais como “deficiência”, “deficiente”, “portador de deficiência” e “portador de necessidades especiais” surgiram bem recentemente, já no século XX.
Nos dias atuais, podemos perceber que a inclusão de pessoas portadoras de necessidade especiais passa a tomar espaço e já se faz presente na atual discussão das questões sociais, sobretudo no âmbito escolar.
A inclusão social é um processo que contribui para a construção de um novo tipo de sociedade através de pequenas e grandes transformações, nos ambientes físicos (espaço interno e externo, equipamentos, aparelhos e utensílios, mobiliário e meio de transporte) e na mentalidade de todas as pessoas, inclusive a pessoa com necessidades educacionais. A transformação da escola não é, portanto, uma mera exigência da inclusão escolar de pessoas com deficiência e/ou dificuldades de aprendizado. Assim sendo, ela deve ser encarada como um compromisso inadiável das escolas e universidades, que terão a inclusão como consequência. Um aspecto que favoreceu a prática da inclusão nas escolas está relacionado ao fato de que ela contribui para a emancipação da pessoa com deficiência, ao mesmo tempo em que desmotiva o uso do preconceito, da discriminação e do estigma, tornando todos com direitos iguais, respeitando as diferenças. Isso ocorrendo, as atitudes segregadoras tenderão a diminuir e todos serão cidadãos perante a sociedade.
Cabe à sociedade eliminar todas as barreiras físicas, programáticas e atitudinais para que as pessoas com necessidades educacionais especiais possam ter acesso aos serviços, lugares, informações e bens necessários ao seu desenvolvimento pessoal, educacional e profissional. E se tratando de educação especial, Mazzotta a define como:
A modalidade de ensino que se caracteriza por um conjunto de recursos e serviços educacionais especiais organizados para apoiar, suplementar e, em alguns casos, substituir os serviços educacionais comuns, de modo a garantir a educação formal dos educandos que apresentam necessidades educacionais muito diferentes da maioria das crianças e jovens. Tais educandos, também denominados de „excepcionais‟, são justamente aqueles que hoje têm sido chamados de alunos com necessidades especiais‟. (MAZZOTTA, 2003, p. 184).
Sendo assim, nos como integrantes de uma sociedade devemos fazer valer tais direitos a essas pessoas, passando a referir mais e incluí-los verdadeiramente em todo o processo de cidadania, pois muitas vezes fechamos nossos olhos e não damos conta de que eles também são parte dessa sociedade.
No estudo de Sá, Campos e Silva (2007), a deficiência visual pode ser compreendida sob vários conceitos diferentes que delimitam o nível de complexidade da mesma. Dessa maneira, tem-se a cegueira como uma disfunção grave de uma ou mais funções básicas da visão, afetando de modo irremediável a capacidade de percepção da cor, tamanho, distância, forma, posição ou movimento em um campo visual.
Definição de baixa visão (ambliopia, visão subnormal ou visão residual): nesses estudos, demonstra-se complexa devido à variedade e à intensidade de comprometimento das funções visuais.
A baixa visão, portanto, fica traduzida em uma redução do conjunto de informações que o indivíduo recebe do ambiente, restringindo a grande quantidade de dados que este oferece e que são importantes para a construção do conhecimento sobre o mundo exterior, ou seja, o indivíduo pode ter um conhecimento restrito do mundo que o rodeia.
Deficiência e sua classificação:
1) Congênita: adquirida na vida intra-uterina.
2) Adquirida: adquirida após o nascimento e no decorrer da vida.
Uma pessoa cega é aquela que possui perda total ou resíduo mínimo de visão, necessitando do método Braille como meio de leitura e escrita e/ou outros métodos, recursos didáticos e equipamentos especiais para o processo ensino-aprendizagem.
Pessoa com baixa visão é aquela que possui resíduos visuais em grau que permitam ler textos impressos à tinta, desde que se empreguem recursos didáticos e equipamentos especiais, excluindo as deficiências facilmente corrigidas pelo uso adequado de lentes (CRÓS et al, 2006).
Cegueira por acuidade visual: significa possuir visão de 20/200 pés ou inferior, com a melhor correção (uso de óculos). É a habilidade de ver em 20 pés ou 6, 096 metros, o que o olho normal vê em 200 pés ou 60,96 metros (ou seja, 1/10 ou menos que a visão normal), onde 1 pé = 30,48 cm. Por campo visual: onde se tem um campo visual menor do que 10° de visão central – ter uma visão de túnel. Na visão de Corsi existem ainda sistemas mais sofisticados para atender a essa clientela. Contudo:
Há casos em que são necessários aparelhos de ampliação de imagem por vídeo e são chamados CCTV (closed circuit television), lupas e réguas eletrônicas entre outros mais sofisticados e de alto custo e que nem todas as escolas ainda podem ter, mesmo em se exigindo inclusão. Mas a ausência da sofisticação necessária não exime a escola de receber o aluno com deficiência visual, pois com recursos mais simples também é possível conduzi-lo academicamente. (CORSI, 2006, p. 67-68).
Assim, como membro de uma coordenação escolar e de uma comunidade, passei a investigar o atendimento na sala de recurso e os meios existentes para trabalhar com o deficiente visual. Também encontrei através das literaturas pesquisadas algumas respostas para minha pesquisa, porém, percebi que a inclusão de deficientes ainda requer mais atenção em escolas comuns ou especiais.

O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO NA SALA DE RECURSOS

As reflexões serão realizadas a partir de observações in loco do Atendimento Educacional Especializado (AEE) realizado numa Sala de Recursos Multifuncionais da Escola Estadual de Ensino Fundamental Dr. Pimentel Gomes.
Apresentará, também, os fatores determinantes que são necessários para que o aluno com deficiência visual tenha suporte no Atendimento Educacional Especializado. Descreverei as atribuições do professor do AEE e da escola, bem como da Secretaria de Educação. Além disso, será feita uma análise do trabalho desenvolvido pelo professor da Sala de Recurso Multifuncionais no atendimento ao aluno com deficiência visual em parceria com o Centro de Apoio Pedagógico ao Deficiente Visual CAP/DV.
Como subsídios para a análise, entrevistei a professora da escola, que há cerca de três anos trabalha com a educação e faz aproximadamente um ano que está na sala de recurso desenvolvendo atividades do Atendimento Educacional Especializado – AEE. Este atendimento acontece três vezes por semana, onde os alunos com deficiência visual recebem a atenção dispensada durante o período de uma hora e meia.
Segundo a professora, tudo se inicia através do estudo de caso, que é uma forma de conhecer melhor o aluno por meio da família, da escola e do próprio aluno. É um conhecimento produtivo, ou seja, precisamos fazer o estudo da origem da patologia para saber então que orientações deverão ser tomadas para ajudá-lo, e isso acontece sempre com a participação da coordenadora pedagógica da manhã, da coordenadora de ensino e dos professores da sala de aula.
É importante ressaltar que ao ser matriculado para estudar, o aluno não é obrigado a freqüentar a sala de recursos. A ele é opcional participar desse ambiente.
A sala de recursos tem o papel de ensinar o Braille, acessibilidade, domínio do soroban, orientação e mobilidades, adaptação de material e, claro, cada aluno é atendido de acordo com as necessidades apresentadas.
Infelizmente ainda existem desafios no que tange à inclusão, à resistência familiar e à aceitação dos alunos no ambiente escolar, mas todos são tratados com igualdade tanto na sala de aula regular quanto na sala de recursos. E isto é assegurado já na elaboração do Projeto Político Pedagógico onde são destinados também aos professores encontros pedagógicos de quinze em quinze dias, ou extraordinariamente, se assim for necessário. O grupo é assíduo e comprometido com os encontros, conforme salienta a professora.
Assim, é importante acrescentar também uma parceria indispensável que temos com o Centro de Apoio Pedagógico – CAP, na questão da produção de livros em Braille, pois encaminhamos o pedido das traduções ao Centro, que o fará gradativamente para o aluno durante o ano letivo.
Segundo a literatura ligada à área, muitas escolas brasileiras já adotaram a abordagem da educação inclusiva, e outras instituições educacionais precisam compreender que a educação é para todos os sujeitos da sociedade. Para Masini,
[...] é indispensável à interdisciplinaridade - a integração das áreas do conhecimento em um equilíbrio entre ação e reflexão, para conhecer as possibilidades e vias perceptuais de que faz uso a pessoa que está no mundo sem um dos sentidos de distância: a visão. É necessária a interdisciplinaridade para investigar e oferecer as condições educacionais e recursos apropriados para o desenvolvimento e a aprendizagem daquele cuja percepção do que o cerca ocorre por meio dos sentidos da audição, tato, cinestesia, olfato e gustação. (MASINI, 2007, p.48).
Analisaremos, aqui, a descrição da percepção dos alunos do AEE a partir dos dados obtidos por meio da coleta prévia de informações que fundamentam a metodologia desta pesquisa. Destacamos que a escolha da escola se deu por ser considerada uma das mais numerosas em atendimento especializado dentro do bairro São Francisco.

POLÍTICAS EDUCACIONAIS E INCLUSÃO

A política nacional de educação especial na perspectiva de educação inclusiva, mediante portarias nº 555 e nº 948/2007, norteia a política de educação especial no estado do Acre estabelecendo diretrizes quanto à implantação e implementação da sala de recursos multifuncionais. para tanto, a coordenação de educação especial elaborou um termo de adesão que define as atribuições da secretaria de educação, da escola e do professor do AEE, com o objetivo de implantar o atendimento educacional especializado em sala de recursos multifuncionais, na rede regular de ensino, para alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades.
Em 2005, a secretaria de estado de educação percebeu que o papel do professor itinerante não estava atendendo a demanda que a cada dia aumentava, seja pelo número de alunos incluídos, seja pelas necessidades do professor regente de sala receber orientações pedagógicas. diante dessa análise, tomou-se a iniciativa de implantar o papel do professor de apoio, ou seja, um professor que pudesse permanecer o dia todo na escola com o objetivo de orientar, apoiar os demais professores e atender o aluno, seja individualmente ou em pequenos grupos.
Diante da proposta da secretaria de educação especial/MEC, de implantar salas de recursos multifuncionais, em 2007, 38 escolas funcionavam com o professor de apoio, em espaços alternativos que a escola oferecia para realizar o atendimento em contra turno.
No período de 2008 a 2010 foram implantadas 144 salas de recursos multifuncionais nas escolas da rede estadual, considerando que todos os municípios foram contemplados. para o ano de 2011 foram implantadas mais 37 salas, totalizando 181.
Existe também o núcleo de capacitação – CAP/AC – que trabalha direcionado para a inclusão do deficiente visual na rede regular de ensino no município de rio branco, oferecendo cursos de capacitação direcionados aos professores das salas de recursos e professores do ensino regular. As capacitações são relacionadas ao Braille, soroban, orientação e mobilidades, como também atividades da vida diária. Essas capacitações também oferecem vagas à comunidade, capacitando todos num contexto geral. Segundo Mantoan (1997, p. 145), a inclusão:
Questiona não somente as políticas e a organização da educação especial e regular, mas também o conceito de mainstreaning. A noção de inclusão institui a inserção de uma forma mais radical, completa e sistemática. O vocábulo integração é abandonado, uma vez que já foram anteriormente excluídas, a meta primordial da inclusão é a de não deixar ninguém no exterior do ensino regular, desde o começo. As escolas inclusivas propõem um modo de se construir o sistema educacional que considera as necessidades. A inclusão causa uma mudança de ajudar somente os alunos que apresentam dificuldade na escola, pessoal administrativo, para que obtenham sucesso na corrente educativa geral. (MANTOAN, 1997, p. 145).
Segundo a secretaria de educação parte do entendimento, de que tanto a escola quanto a comunidade são vínculos importantes para se trabalhar o papel da inclusão. Vale a pena destacar que embora a família seja o principal núcleo de socialização, será através das relações escolares que se estabelecerá um maior desenvolvimento desses educandos. Nesse sentido a referida política fundamenta suas ações no fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários, considerando que ambos são indissociáveis para o processo de inclusão.

METODOLOGIA
A metodologia desta pesquisa se deu através de entrevista com os alunos, seus responsáveis e o professor, que responderam a questionários semi-estruturados com perguntas abertas. Também obtivemos informações da coordenação da equipe da SEE, que subsidiaram o estudo, e, por fim, as observações foram de extrema relevância para toda a pesquisa. Destacamos que todos estes instrumentos, associados ao amplo estudo do tema, possibilitaram a realização deste trabalho.
Segue, no quadro, o questionário utilizado no estudo, tabulado com as respostas obtidas:

Quadro 1 - Questionário Aplicado e respondido pelo grupo entrevistado


Fonte: elaborado pela autora.

ANÁLISE DOS DADOS

Para a análise dos dados são demonstrados os resultados levando-se em consideração a tabulação das informações dadas pelas pessoas envolvidas nas questões que integram o questionário.
Na seqüência das três primeiras questões do quadro obtemos dados relativos aos alunos da escola, estudados neste caso. Na representação do quadro há a predominância do gênero feminino (02 crianças), enquanto 01 é do gênero masculino. Quanto à faixa etária dos usuários, o quadro apresenta que o grupo possui idade entre 08 e 13 anos. Apesar do Estatuto da Criança e do Adolescente preconizar o direito de todas as crianças à escola, inclusive os com necessidades educacionais especiais, nem todos alunos com deficiência frequentam a escola, pois, durante a entrevista, foi relatado que existem vários alunos fora da escola devido ao fato de algumas famílias não procurarem seus direitos. Mas, a escola procura atender da melhor maneira todos os alunos que a procuram, já que suas vagas são garantidas por lei e eles não podem ser excluídos da sociedade em que vivem. Quanto ao atendimento ao grupo de alunos pesquisados, o quadro demonstra que são pessoas com problemas visuais. Os outros alunos atendidos dentro do AEE desenvolvem outro tipo de atendimento, conforme sua necessidade.
Nas questões seguintes as respostas referentes às perguntas sobre freqüência são respondidas pelos os familiares (Pais e responsáveis) dos educandos, sendo assim o atendimento se da a três anos no AEE de acordo com as respostas tabuladas do quadro.
A quinta pergunta também respondida pelos familiares averigua quais são as atividades frequentadas pelos alunos no espaço escolar. Considerando que eles frequentam várias atividades ao mesmo tempo, optamos por não quantificar os dados dessa pergunta em porcentagem e sim pelo número de pessoas. Conforme descrito no quadro, as atividades são bem frequentadas por todos. Isso demonstra que a participação está pautada nas atividades que visam educação, lazer e saúde, mostrando mais uma vez que o trabalho do professor requer integração e envolvimento, incluindo todos sem nenhum preconceito ou distinção. Na sexta questão as famílias e os professores respondem perguntas proposta para analisar as mudanças na vida dos educandos, ou seja, depois que passaram a frequentar a sala de recurso da escola. Considerando a natureza da pergunta, a análise da questão pautou-se nos depoimentos dos professores e seus responsáveis.
A questão sete faz menção à pergunta que investiga se o (a) educando (a) se sente bem acolhido. Todos os entrevistados responderam que são bem acolhidos no AEE. Salientamos
que o serviço de acolhida, conforme a Política Nacional de Inclusão, deve se dar pautado na perspectiva do direito do deficiente, e é dever da escola, não em forma de obrigação, mas de inclusão.
A oitava questão averigua se as atividades desenvolvidas na sala da AEE estão de acordo com as expectativas dos alunos, desta forma foi perguntado aos alunos “Vocês gostam das atividades da sala da AEE?”. Todos os entrevistados afirmam se sentirem contemplados em suas expectativas acerca dos atendimentos feitos pela escola.
A última pergunta respondida pelas as famílias investiga se os entrevistados têm algumas sugestões para a melhoria das ações desenvolvidas nas salas de recursos. Dos entrevistados, todos responderam mais participação e envolvimento,ou seja escola e comunidade estarem juntas fortalecendo ainda mais o processo de inclusão dentro do espaço escolar.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
As considerações estão baseadas em cima do estudo apresentado. Por isso, quero pontuar que o meu estudo não foi totalmente concluído, pois pretendo continuar com minhas pesquisas nesse sentido, fazer novas análises e obter mais resultados para esse estudo. Neste trabalho foi possível envolver pesquisa, leitura, análise de dados e escrita.
Através das sucintas considerações que irei relatar, isso possibilitará um amplo campo de estudo para esse tema. Assim sendo, o fortalecimento dos vínculos comunitários constituem-se probabilidades de análises e pesquisa para diversas áreas, principalmente para o campo educacional.
O trabalho pauta-se numa abordagem qualitativa realizada através de pesquisas e observações com professor, alunos e responsáveis. Os resultados obtidos na fase empírica da pesquisa revelam que os recursos multidisciplinares utilizados na educação são favoráveis e têm realmente contribuído para que haja inclusão nas salas regulares de ensino no Estado do Acre, fazendo parte na formação de leitores e escritores mais capazes.
De acordo com toda a análise e levantamento dos dados, percebi que o atendimento consegue dar novos rumos à vida dos educandos, e isso pode ser confirmado através da amostra da pesquisa, onde fica muito claro para os participantes que descrevem como são relevantes para suas vidas as atividades interativas e inclusivas oferecidas pelo AEE.
O trabalho desenvolvido com essas ações possibilita maior efetividade e fortalecimento dos vínculos comunitários, familiares e profissionais, dando um novo olhar para aqueles que tanto querem enxergar, fazendo uma integração com cidadania e participação social.
Percebi que a deficiência visual e a inclusão devem ser respeitadas entre as pessoas. A inclusão faz parte de toda sociedade e não apenas do sistema educacional. Ela foi modificada, organizada e estruturada para atender as necessidades específicas, interesses e habilidades de cada aluno.
A inclusão deve ser aceita e respeitada, pois se faz necessária, uma vez que não é apenas a deficiência que torna difícil a existência do portador de necessidades especiais, mas também a atitude da sociedade diante de sua condição.

REFERÊNCIAS:
AMIRALIAM, M. L.; DEFENDI, E.; NASSIF, M. C. Inclusão do deficiente visual no sistema educacional. São Paulo: Fundação Dorina Nowill para Cegos, 2003.
BRASIL, Ministério da Ciência e Tecnologia. Tecnologias assistivas e a promoção da inclusão social. Brasília, 2005.
BRASIL, Ministério da Educação. Atendimento Educacional Especializado. São Paulo: MEC/SEESP, 2007.
BRASIL, Ministério da Educação. Atendimento Educacional Especializado: aspectos legais e orientação pedagógica. São Paulo: MEC/SEESP, 2007.
BRASIL, Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica. Brasília: MEC/CNE, 2001.
BRASIL. Ministério da Educação. Construindo escolas inclusivas para a Educação Especial na Educação Básica. Brasília: MEC/CNE, 2001.
BRASIL, Ministério da Educação. Direito à Educação: Subsídios para gestão dos sistemas educacionais/orientações gerais e marcos legais. Brasília: Secretaria de Educação Especial, 2004.
BRASIL, Ministério da Educação. Sala de recursos multifuncionais: espaços para atendimento educacional especializado. Brasília: MEC/SEESP, 2006.
BRASIL, Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial, INCLUSÃO: Revista da Educação Especial. v. 5, nº 1 (jan/jul), Brasília, 2010.
INSTITUTO HELENA ANTIPOF - Centro de Referência em Educação Especial CADERNO DE EDUCAÇÃO ESPECIAL: deficiência visual. – Rio de Janeiro, RJ, 2003.
CORSI, M. G. F. Visão Subnormal: intervenção planejada. São Paulo, SP, 2006.
MANTOAN, M. T. E. Ser ou estar, eis a questão: explicando o déficit intelectual. Rio de Janeiro: WVA, 1997.
MASINI, E. F. S. A Pessoa com deficiência visual: um livro para educadores. 1ª ed. São Paulo: Vetor, 2007.
MAZZOTTA, M. J. S. Educação Especial no Brasil: História e Políticas Públicas. 4 ed. São Paulo: Cortez, 2003.
NOGUEIRA, M. L. L. Legislação e políticas em Educação Inclusiva. Curitiba: IESDE, 2006.
PESSOTTI, I. Deficiência mental: da superstição à ciência. São Paulo: T. A. Queiroz: Ed.
da Universidade de São Paulo, 1984.
ROSA, S. P. S. Fundamentos teóricos e metodológicos de inclusão. Curitiba: IESDE Brasil S.A., 2003.
SÁ, E. D.; et al. Deficiência Visual. Atendimento Educacional Especializado. SEESP/SEED/MEC. Brasília/DF, 2007.
SILVA, E. L., MENEZES E. M. Metodologia da Pesquisa e Elaboração de Dissertação. 3ª ed. revisada e atualizada. Florianópolis, 2001.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

MESTRADO EM EDUCAÇÃO: INDISCIPLINA ESCOLAR-UMA REFLEXÃO- Mestrando José Raimundo de Jesus

                                                          
               INDISCIPLINA ESCOLAR:                                               UM CONVITE AO DIÁLOGO REFLEXIVO E TRANSFORMADOR
Mestrando-JOSÉ RAIMUNDO DE JESUS[1]
RESUMO:

A indisciplina escolar é um problema que tem preocupado educadores, teóricos da educação, sociedade e governo. Este artigo busca abordar uma discussão a respeito de comportamentos inadequados por parte de alguns estudantes, e dessa forma desenvolver um diálogo com todos os envolvidos na formação sociocultural, política, pessoal e humana de crianças e adolescentes. 
Uma discussão mais ampla, principalmente, entre escola e comunidade para que juntos possam inibir/coibir posturas de alunos e/ou professores que estão em desacordo com a prática de aprender e de ensinar.
Palavras-chave: Indisciplina escolar; educadores; sociedade; governo.

[1] Mestrando em Ciências da Educação - Faculdade Humanística e Instituto Erasmo de Rotterdam. Pós - Graduando em História e Estudos Afros - Brasileiros - Instituto Educacional Alfa. Especialista em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira - Instituto Educacional Alfa. Graduado em Letras com Habilitação em Língua Portuguesa e Língua Inglesa e suas respectivas literaturas - União Metropolitana de Educação e Cultura (UNIME). Professor da Rede Particular de Ensino dos Níveis Fundamentais I e II da cidade de Salvador - Bahia - Brasil.


INTRODUÇÃO
Este artigo surgiu diante da problemática “indisciplina escolar”, tema muito debatido e questionado por educadores brasileiros, com o intuito de colaborar com os já existentes estudos que norteiam os caminhos pelos quais tem trilhado a educação no Brasil. De acordo com Antunes (2013), a indisciplina está centrada num tripé: a estrutura escolar, a postura do professor e a desordem do aluno. Dessa forma, sabe-se que os problemas que se tornaram rotina nas salas de aula não é responsabilidade apenas das escolas e seus dirigentes, apesar de muitos pensarem dessa forma. Compreende-se que o papel de combater os maus comportamentos de alguns estudantes é de toda a sociedade. Para Menda (2014), os conflitos que existem na comunidade onde os alunos e alunas estão inseridos são reproduzidos dentro da escola. Frente a essa problemática, pretende-se discutir o tema em questão com a finalidade de suscitar a atenção de educadores, sociedade, governo e teóricos da educação para que juntos se possa buscar uma possível solução para a indisciplina nas salas de aula. Acredita-se assim, ter desenvolvido, de forma eficiente, um trabalho que irá contribuir para a formação crítica e reflexiva de educadores, estudantes de nível médio e superior e demais cidadãos interessados em aprofundar conhecimentos sobre os problemas educacionais no Brasil.
DESENVOLVIMENTO
Breve histórico da educação no Brasil
A educação brasileira teve início com a chegada dos portugueses no ano de 1500, mais propriamente dito, a partir de 1549 no governo de Tomé de Sousa que trouxe consigo jesuítas para catequizar os nativos (índios). Com os jesuítas vieram padrões educacionais e modelos pedagógicos europeus com o intuito de “civilizar” e ensinar a doutrina cristã ao povo que aqui havia. Tais padrões acabaram por suplantar a forma de educação exercida pela população nativa aos seus descendentes. Como forma de aprendizado, as crianças indígenas observavam o que os adultos faziam para que pudessem treinar, e assim aprender os ofícios do dia-a-dia. Daí, a praticidade da educação dos índios, isto é, o aprendizado estava vinculado com a realidade desse povo, e ao completar 13 ou 14 anos de idade, os jovens passavam por um teste seguido de uma cerimônia para que pudessem se tornar adultos. Apesar de não possuírem um sistema de escrita, os povos encontrados pelos portugueses em território “recém-descoberto” tinham um modo de transmissão do conhecimento muito interessante, organizado e disciplinado. Diante da falta de escrita da língua tupi, os jesuítas foram os responsáveis por transformar os símbolos fonéticos em símbolos gráficos. Isso facilitaria a comunicação entre índios e jesuítas, cuja finalidade desses últimos era catequizar um povo considerado pagão perante as leis da Igreja. Os jesuítas tiveram a incumbência de propagar a fé cristã e paralelamente fundaram os primeiros colégios na “recém-descoberta” colônia. Com a expulsão dos jesuítas em 1759, o ensino tradicional se fortalece e o Brasil deixa de ser um país de total escravidão para se tornar um Estado semi-escravocata. Parte dessa mudança se deve à imigração europeia devido à exigência do mercado por mão-de-obra qualificada. No currículo das Escolas Normais prevaleceu as disciplinas de cunho pedagógico, a Pedagogia Tradicionalista leiga (Veiga, 2000, p. 45).

A liberdade e a autonomia do professor diminuídas:  regimento escola
Houve um tempo em que o educador tinha autoridade não só no ambiente escolar, mas também dentro da comunidade em que estava inserido. Mesmo não recebendo a valorização necessária por parte das autoridades, professor era figura respeitada pelas pessoas que o via como o “detentor” do conhecimento e que merecia todo o mérito e admiração de todos. Porém, com o passar do tempo, a figura do professor foi sendo esquecida e, na maioria das vezes, sua autoridade, autonomia e liberdade em sala de aula passou a ser vista em segundo plano, ou seja, ele tornou-se apenas um mero profissional que vende sua mão-de-obra e nada mais. O que nos leva a crer que se esqueceram da importância desse profissional na formação integral das nossas crianças e adolescentes, fazendo com que se tornem pessoas críticas e reflexivas em nossa sociedade, e não apenas lhes transmitir o que é proposto pelos livros didáticos. É claro que sabemos haver muitos educadores na atualidade que não se prendem apenas aos modelos e práticas pedagógicas pré-estabelecidas, mas que procuram se estender além daquilo que lhe é imposto, tanto pelas leis educacionais, quanto pelo regimento de cada instituição de ensino. No entanto, nem sempre os educadores têm a liberdade de exercer suas funções nesses moldes. A começar pelo regimento escolar, que muitas vezes, através da diminuição da carga horária de determinadas disciplinas curriculares, tira do profissional a liberdade de discutir temas que vão além do conteúdo proposto pela grade curricular da instituição, assim como no material ofertado. Outro fator importante é que nem sempre os educadores (professores) participam da elaboração do Plano Político Pedagógico da(s) escola(s) em que trabalham. Indo contra o que determina a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), artigo 12, inciso IV, que diz: aos estabelecimentos de ensino cabe-lhes velar pelo cumprimento do plano de trabalho de cada docente.  Já no inciso I do artigo 13 da LDB, determina-se que, cada docente deve participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino. O artigo 13 nem sempre é respeitado, porque às vezes quando o professor é contratado pela escola, já encontra o plano pedagógico pronto. Outro fator que deve ser ressaltado é a manutenção/atualização do projeto. É sabido que, a sociedade passa por mudanças o tempo todo e junto a essas transformações, a escola deve se adequar, levando em conta as necessidades, tanto sociais, quanto pessoais dos alunos que se encontram em processo de formação intelectual.
Faz-se necessária a participação constante de todo o corpo docente na elaboração do Plano Político Pedagógico da Escola, pois é ele quem realmente conhece a realidade da sala de aula, assim como as necessidades dos alunos de forma grupal e individual. É preciso que o projeto esteja adequado às necessidades não só do alunado, mas também de todos aqueles que compõem e fazem parte do ambiente escolar.
Um tema não menos importante é aquele que diz respeito à autoridade do professor em sala de aula, quando se trata de indisciplina por parte dos alunos. O que se percebe na maioria das vezes são professores, principalmente nos estabelecimentos de ensino privados, acuados diante da falta de consenso com os gestores. Muitos professores deixam de exercer sua autonomia para com o aluno indisciplinado, devido ao receio de ser repreendido pelo seu superior, ou ter sua atitude de reprimir o educando, desfeita.

Alunos com comportamentos inadequados em sala de aula: o que pode haver por trás disto?
É latente a situação na maioria das instituições de ensino no Brasil, sejam elas públicas ou privadas, quando se trata de indisciplina em sala de aula. É um dos temas mais comentados em reuniões de pais e professores e entre mestres, diretores, coordenadores etc. Crianças e adolescentes que não estão nem um pouco interessados na absorção do conhecimento, pois muitas vezes só estão na escola por imposição dos pais, sendo assim, fazem de tudo para chamar a atenção dos educadores, desestruturando o ambiente de aprendizagem e fazendo com que seu mau comportamento atinja tanto os professores quanto os demais alunos. Para Antunes,
Uma classe indisciplinada, acreditamos, é toda aquela que: não permita ao professor oportunidades plenas para o desenvolvimento de seu processo de ajuda na construção do conhecimento do aluno; não ofereça condições para que os professores possam “acordar” em seus alunos sua potencialidade como elemento de autorrealizacao, preparação para o trabalho e exercício consciente da cidadania [...]. (ANTUNES, 2013, p. 6-7)

Num jogo de empurra-empurra fica uma dúvida: de quem é a culpa? O que pode ser feito com relação a determinados alunos que fazem da sala de aula um ambiente desagradável à convivência harmoniosa? Qual o papel da escola diante desse problema que se alastra por todo o país? E a família? São perguntas que nos fazemos o tempo todo, porém é pequeno o esforço de tentar amenizar o problema indisciplinar, apesar de a resposta, na maioria das vezes, está à nossa volta. Como afirma Antunes,
Ensinar não é fácil e educar mais difícil ainda; mas não ensina e não educa quem não define limites, quem não constrói democraticamente as linhas do que é e do que não é permitido. O professor jamais deve acreditar nessa bobagem de que cada aluno já sabe o que pode e o que não pode. Ninguém cresce se não é desafiado e todo jovem para crescer necessita desafiar. (ANTUNES, 2013, p. 25)

Sabe-se que, infelizmente, muitos professores se calam e se acomodam diante da indisciplina escolar, alegando que já não têm mais o que fazer; que a responsabilidade é dos pais (educação se traz de casa); leva o problema para que a direção e a coordenação resolva, dentre outras formas de “passar o bastão”. No entanto, não nos esqueçamos que o problema é de responsabilidade de todos, pois, em se tratando de crianças e adolescentes, os quais perante as leis brasileiras, não podem responder pelos seus atos, e sim os responsáveis por eles. É preciso haver bom censo entre todas as esferas possíveis. Dentre elas: a família, professores, coordenadores, diretores, as instâncias políticas, as instituições religiosas, e toda a sociedade em geral, para que juntos e acordados possam chegar a uma possível solução. Ou ao menos a amenização do problema. Não podemos deixar que o problema “indisciplina” suplante um dos, se não o maior bem que o ser humano pode ter na vida e que transmitirá para as gerações futuras, a educação.
Aos pais fica a incumbência de preparar a criança no ambiente familiar, mostrando-lhe limites, princípios, regras a serem seguidas. Não esquecendo que junto com o carinho, a compreensão e o zelo vêm o respeito. Pois sem o respeito, tanto consigo mesmo, quanto para com os outros, não se constrói caráter verdadeiro e consequentemente não se faz cidadãos de bem. Dessa forma só se reforça a ideia de que a educação começa em casa, no seio da família, e que a escola nada mais é que a extensão do lar. É preciso desfazer a visão equivocada de muitos pais e/ou responsáveis que pensa que a escola sozinha resolve o problema indisciplinar de alguns estudantes. Assim como à instituição escolar cabe integralmente a formação do indivíduo. Esta é uma tarefa que só funciona em conjunto, em parceria. Prova disto são as escolas que abriram as portas para a comunidade circunvizinha, fazendo com que todos os cidadãos contribuam com a formação plena e equilibrada das crianças e adolescentes. A escola deve ser um espaço acolhedor, onde os pais e responsáveis possam participar do dia-a-dia dos estudantes, colaborando com sugestões, observando como as crianças e adolescentes se comportam dentro e fora da sala de aula. Como eles tratam seus professores e os funcionários e também como são tratados. Os pais não devem ir à escola apenas em dia de reunião, quando vão, nem tampouco quando há alguma ocorrência envolvendo seu filho ou filha. É preciso estar presente, fazer-se assíduo e participativo na formação dos nossos jovens e das nossas crianças. Pois à escola cabe ampliar a educação doméstica e aplicar a educação formal.
À direção e coordenação das escolas cabe o dever de em conjunto com o corpo docente criar e executar programas internos que visem diminuir ou erradicar o problema indisciplinar. É preciso se adequar aos diversos tipos de perfis dos estudantes que frequentam a instituição de ensino. Levar em conta a classe social, a faixa etária, o histórico familiar de cada individuo. Mesmo que, este último seja um pouco mais complexo. Para isso será necessário conhecer as famílias, como é a rotina de pais e filhos na convivência doméstica. Pode parecer utopia, mas, se os dirigentes escolares promoverem reuniões particulares entre pais e professores, pais e coordenadores e se possível, com o acompanhamento de um psicopedagogo, em se tratando de suspeitas de casos que fujam a simples brincadeiras, ou o não cumprimento de tarefas na sala de aula. Segundo Antunes,
Existem alunos cuja grosseria, insolência, atitudes desafiadoras e agressividade resistem e ultrapassam o limite de uma conduta serena por parte do professor e estes casos exigem a necessidade de uma intervenção especial, e, em consenso com seus pais quando possível, necessitam ser encaminhados a outros profissionais especializados [...] (ANTUNES, 2013, p. 60)

Vamos ter aquela conversa olho no olho, de forma individual, na qual o profissional fique a sós com o pai ou a mãe, e tenham a oportunidade de expor problemas referentes às crianças e adolescentes no convívio escolar e quem sabe, aqueles que se vogam fora da escola, inclusive em casa.
Precisamos deixar um pouco de lado, o que não significa abrir mão totalmente, as reuniões coletivas, cujas ideias, muitas vezes não são expressas, tampouco colocadas em prática. Muitos pais e responsáveis às vezes se sentem intimidados diante dos outros pais e não colocam aquilo que pensam e desejam em pauta. Em conjunto, muito se fala, o que não significa que todos falem, porém pouco se faz. O contrário das reuniões entre pai e/ou mãe e professor (a), ou seja, quando se escuta de forma individual, sem a preocupação de ter que dar atenção ao pai ou à mãe seguinte. O professor ao escutar relatos dos pais sobre os filhos (alunos) saberá como melhor proceder com relação à forma como lidará com o (s) aluno (a) em questão. Isso devido à confiança que os pais depositaram no educador ao discutirem o comportamento dos filhos. O aluno por sua vez será observado de forma diferenciada, o que não significa excluí-lo dos demais. O professor, a falar sobre o (s) aluno (s) para os pais, sejam elogios ou reclamações, fará com que tais pais estejam cientes de coisas que muitas vezes não conhecem por só acontecer dentro da escola e que nem sempre lhes são comunicadas. Assim sendo, os responsáveis pelas crianças e adolescentes procurarão, de forma mais segura e descontraída, estarem presentes no ambiente escolar colaborando com o processo educativo.

Professor amigo não significa ser omisso à indisciplina

Sabemos que infelizmente a indisciplina escolar é um fenômeno que está longe de ser solucionado, porém não significa calar-se diante dessa situação pelo fato de que alguns, ou quem sabe, muitos de nós estejamos desacreditados com relação à educação brasileira. Percebemos que muitos fatores contribuem para que o sistema educacional brasileiro se torne cada vez mais defasado em se tratando de qualidade de ensino.
A evolução da educação no Brasil é fruto das profundas transformações sociais das últimas décadas. Com o avanço técnico-científico, o crescimento populacional e consequentemente, a necessidade de adequação do ensino às pessoas mais necessitadas, cujas portas dos estabelecimentos foram abertas a todos, cresceu também o descaso para com a educação pública. Ou seja, devido à migração dos filhos da elite para as instituições particulares, em consequência do ensino público, mesmo que lentamente, ter deixado de ser seletista e se tornado um direito de todo cidadão, a educação (pública) deixou de ser vista como prioridade, como outrora, pois boa parte daqueles que a compõe não pertence às classes dominantes. Os governantes, como se percebe, não têm nenhum interesse em investir na formação de indivíduos que, segundo a visão dos “opressores”, não farão parte do comando do país. Isto é, basta apenas o ensino básico e médio, porém sem muita qualidade. A preocupação maior é com a formação de pessoas que saibam ler, escrever e fazer as operações matemáticas básicas para que possam ocupar os cargos de operários e assim dêem continuidade ao crescimento econômico do Brasil. Sem, no entanto, usufruir das riquezas geradas.
Não se pode negar que muita coisa foi conquistada após muitas reivindicações por parte da sociedade e de instâncias preocupadas e descontentes com os caminhos pelos quais a educação brasileira está seguindo. Dentre algumas dessas conquistas, podemos citar o sistema de cotas para que negros, índios e afros descendentes possam ingressar em universidades e a criação dos cursos técnicos para a formação e qualificação da mão-de-obra para o comércio e a indústria. Dentre todos esses fatores, tanto negativos como positivos, infelizmente impera nas instituições de educação brasileiras a indisciplina, a violência e a agressão dentro e fora da sala de aula. Entretanto, boa parte dos educadores, seja por medo, ou por acomodação, já não se incomodam, ou fingem não se incomodar, com determinadas posturas inadequadas por parte de alguns estudantes.
O professor por se tratar de uma autoridade em sala de aula, mesmo diante das adversidades, como agressividade, uso de drogas lícitas e/ou ilícitas, histórico familiar conturbado etc. por parte de alguns alunos, tem que se impor de alguma forma com relação à prática da disciplina. Sabemos que apesar de haver comportamento inadequado entre alunos, quando o professor dita as regras e insiste para pô-las em prática, é certo que, mesmo não atingindo a todos, terá sucesso na aplicação da sua didática e com certeza mudará a forma de agir, pensar e se comportar, de muitos estudantes em sociedade. É preciso, porém, deixar claro que autoridade não é autoritarismo. O professor não deve querer conquistar à força a colaboração dos alunos. Ele precisa conhecer primeiro os indivíduos com os quais está lidando e aos poucos ir adequando sua didática, seu comportamento em sala de aula à turma, mostrando respeito, compreensão, carinho e amizade. Quando as regras são explicitadas desde o primeiro dia de aula para os alunos e reforçadas a cada encontro, sem dúvida, um bom caminho já terá sido percorrido para que uma boa convivência entre alunos e professores seja alcançada.  Como afirma Antunes,
O aluno precisa ouvir não e, muitas vezes, a palavra firme do professor substitui a fragilidade com que as negações são trabalhadas em família. Não hesite em usar o não. Uma excelente maneira de habituar o aluno à disciplina que todos queremos é a segurança em perceber que no futebol, na casa, na rua, na vida e, é claro, na escola existem regras e existe a serenidade de quem as relembra e cobra. (ANTUNES, 2013, p. 31).

Se não podemos mudar o todo, vamos ao menos tentar transformar o meio onde atuamos como educadores. Pois quando os professores entendem os alunos, seus problemas e suas qualidades, certamente conseguem ser respeitados e vistos como alguém que faz parte da vida desses indivíduos além dos muros da escola.
A omissão à indisciplina escolar não é e nunca será a solução do problema em questão. Isso só tende a aumentar o mau comportamento de meninos e meninas que muitas vezes só querem chamar a atenção dos educadores, ou porque não são bem tratados em casa, isto é, não recebem carinho nem tem a compreensão dos pais, ou simplesmente porque querem um pouco mais de carinho, respeito e atenção dos professores. Dessa forma entende-se que professor bonzinho não significa ser omisso à indisciplina, pois o amigo verdadeiro é aquele que afaga, mas também sabe chamar à atenção nos momentos de desvio de conduta.

CONCLUSÃO

Após muito questionamento e reflexão sobre a indisciplina nas escolas brasileiras, chega-se à conclusão de que o problema não é recente, apesar de ter se agravado nas últimas décadas, nem tampouco será sanado do dia para a noite. A indisciplina existe desde os primeiros tempos da colonização do Brasil, quando o negro e o pobre não tinham direito à educação formal. O índio por sua vez recebia apenas a educação baseada na doutrina cristã, cujo intuito dos jesuítas era converter os nativos ao Catolicismo. Mesmo após a abertura das escolas “públicas” à população pobre, o que ocasionou a migração dos filhos da elite para os centros educacionais privados, as diferenças continuaram. A qualidade do ensino caiu, o interesse em se investir nas escolas públicas ficou para último plano. O que temos como herança são escolas mal conservadas, professores mal remunerados, alunos mal preparados para concorrer às vagas de trabalho ofertadas por um mercado que exige cada vez mais mão- de- obra qualificada. Somando esses a outros fatores percebemos que a violência física, moral, psicológica e material, sim, porque um ambiente que não tem uma estrutura adequada que leve o aluno ao aprendizado pleno e de qualidade, trata-se de uma violência ao ser humano, principalmente, se tratando de seres em formação, são ingredientes para a indisciplina e à má convivência no ambiente escolar. Daí a necessidade de toda a comunidade se unir aos educadores para diminuir comportamentos inadequados por parte de alguns alunos dentro das escolas. É preciso trabalhar em conjunto. As escolas precisam convidar pais e responsáveis pelas crianças e adolescentes a se juntarem à tarefa de educar. E dessa forma encurtar a distância entre escola e comunidade.
        Ao governo cabe investir mais nas escolas e na mão-de-obra que as compõe. Oferecer bons salários a professores e funcionários, ofertar um ambiente bem estruturado aos alunos e criar políticas públicas mais eficientes com o intuito de combater qualquer ato infracional que contribua para a indisciplina escolar.

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