quarta-feira, 5 de agosto de 2015

MESTRADO EM EDUCAÇÃO: INDISCIPLINA ESCOLAR-UMA REFLEXÃO- Mestrando José Raimundo de Jesus

                                                          
               INDISCIPLINA ESCOLAR:                                               UM CONVITE AO DIÁLOGO REFLEXIVO E TRANSFORMADOR
Mestrando-JOSÉ RAIMUNDO DE JESUS[1]
RESUMO:

A indisciplina escolar é um problema que tem preocupado educadores, teóricos da educação, sociedade e governo. Este artigo busca abordar uma discussão a respeito de comportamentos inadequados por parte de alguns estudantes, e dessa forma desenvolver um diálogo com todos os envolvidos na formação sociocultural, política, pessoal e humana de crianças e adolescentes. 
Uma discussão mais ampla, principalmente, entre escola e comunidade para que juntos possam inibir/coibir posturas de alunos e/ou professores que estão em desacordo com a prática de aprender e de ensinar.
Palavras-chave: Indisciplina escolar; educadores; sociedade; governo.

[1] Mestrando em Ciências da Educação - Faculdade Humanística e Instituto Erasmo de Rotterdam. Pós - Graduando em História e Estudos Afros - Brasileiros - Instituto Educacional Alfa. Especialista em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira - Instituto Educacional Alfa. Graduado em Letras com Habilitação em Língua Portuguesa e Língua Inglesa e suas respectivas literaturas - União Metropolitana de Educação e Cultura (UNIME). Professor da Rede Particular de Ensino dos Níveis Fundamentais I e II da cidade de Salvador - Bahia - Brasil.


INTRODUÇÃO
Este artigo surgiu diante da problemática “indisciplina escolar”, tema muito debatido e questionado por educadores brasileiros, com o intuito de colaborar com os já existentes estudos que norteiam os caminhos pelos quais tem trilhado a educação no Brasil. De acordo com Antunes (2013), a indisciplina está centrada num tripé: a estrutura escolar, a postura do professor e a desordem do aluno. Dessa forma, sabe-se que os problemas que se tornaram rotina nas salas de aula não é responsabilidade apenas das escolas e seus dirigentes, apesar de muitos pensarem dessa forma. Compreende-se que o papel de combater os maus comportamentos de alguns estudantes é de toda a sociedade. Para Menda (2014), os conflitos que existem na comunidade onde os alunos e alunas estão inseridos são reproduzidos dentro da escola. Frente a essa problemática, pretende-se discutir o tema em questão com a finalidade de suscitar a atenção de educadores, sociedade, governo e teóricos da educação para que juntos se possa buscar uma possível solução para a indisciplina nas salas de aula. Acredita-se assim, ter desenvolvido, de forma eficiente, um trabalho que irá contribuir para a formação crítica e reflexiva de educadores, estudantes de nível médio e superior e demais cidadãos interessados em aprofundar conhecimentos sobre os problemas educacionais no Brasil.
DESENVOLVIMENTO
Breve histórico da educação no Brasil
A educação brasileira teve início com a chegada dos portugueses no ano de 1500, mais propriamente dito, a partir de 1549 no governo de Tomé de Sousa que trouxe consigo jesuítas para catequizar os nativos (índios). Com os jesuítas vieram padrões educacionais e modelos pedagógicos europeus com o intuito de “civilizar” e ensinar a doutrina cristã ao povo que aqui havia. Tais padrões acabaram por suplantar a forma de educação exercida pela população nativa aos seus descendentes. Como forma de aprendizado, as crianças indígenas observavam o que os adultos faziam para que pudessem treinar, e assim aprender os ofícios do dia-a-dia. Daí, a praticidade da educação dos índios, isto é, o aprendizado estava vinculado com a realidade desse povo, e ao completar 13 ou 14 anos de idade, os jovens passavam por um teste seguido de uma cerimônia para que pudessem se tornar adultos. Apesar de não possuírem um sistema de escrita, os povos encontrados pelos portugueses em território “recém-descoberto” tinham um modo de transmissão do conhecimento muito interessante, organizado e disciplinado. Diante da falta de escrita da língua tupi, os jesuítas foram os responsáveis por transformar os símbolos fonéticos em símbolos gráficos. Isso facilitaria a comunicação entre índios e jesuítas, cuja finalidade desses últimos era catequizar um povo considerado pagão perante as leis da Igreja. Os jesuítas tiveram a incumbência de propagar a fé cristã e paralelamente fundaram os primeiros colégios na “recém-descoberta” colônia. Com a expulsão dos jesuítas em 1759, o ensino tradicional se fortalece e o Brasil deixa de ser um país de total escravidão para se tornar um Estado semi-escravocata. Parte dessa mudança se deve à imigração europeia devido à exigência do mercado por mão-de-obra qualificada. No currículo das Escolas Normais prevaleceu as disciplinas de cunho pedagógico, a Pedagogia Tradicionalista leiga (Veiga, 2000, p. 45).

A liberdade e a autonomia do professor diminuídas:  regimento escola
Houve um tempo em que o educador tinha autoridade não só no ambiente escolar, mas também dentro da comunidade em que estava inserido. Mesmo não recebendo a valorização necessária por parte das autoridades, professor era figura respeitada pelas pessoas que o via como o “detentor” do conhecimento e que merecia todo o mérito e admiração de todos. Porém, com o passar do tempo, a figura do professor foi sendo esquecida e, na maioria das vezes, sua autoridade, autonomia e liberdade em sala de aula passou a ser vista em segundo plano, ou seja, ele tornou-se apenas um mero profissional que vende sua mão-de-obra e nada mais. O que nos leva a crer que se esqueceram da importância desse profissional na formação integral das nossas crianças e adolescentes, fazendo com que se tornem pessoas críticas e reflexivas em nossa sociedade, e não apenas lhes transmitir o que é proposto pelos livros didáticos. É claro que sabemos haver muitos educadores na atualidade que não se prendem apenas aos modelos e práticas pedagógicas pré-estabelecidas, mas que procuram se estender além daquilo que lhe é imposto, tanto pelas leis educacionais, quanto pelo regimento de cada instituição de ensino. No entanto, nem sempre os educadores têm a liberdade de exercer suas funções nesses moldes. A começar pelo regimento escolar, que muitas vezes, através da diminuição da carga horária de determinadas disciplinas curriculares, tira do profissional a liberdade de discutir temas que vão além do conteúdo proposto pela grade curricular da instituição, assim como no material ofertado. Outro fator importante é que nem sempre os educadores (professores) participam da elaboração do Plano Político Pedagógico da(s) escola(s) em que trabalham. Indo contra o que determina a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), artigo 12, inciso IV, que diz: aos estabelecimentos de ensino cabe-lhes velar pelo cumprimento do plano de trabalho de cada docente.  Já no inciso I do artigo 13 da LDB, determina-se que, cada docente deve participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino. O artigo 13 nem sempre é respeitado, porque às vezes quando o professor é contratado pela escola, já encontra o plano pedagógico pronto. Outro fator que deve ser ressaltado é a manutenção/atualização do projeto. É sabido que, a sociedade passa por mudanças o tempo todo e junto a essas transformações, a escola deve se adequar, levando em conta as necessidades, tanto sociais, quanto pessoais dos alunos que se encontram em processo de formação intelectual.
Faz-se necessária a participação constante de todo o corpo docente na elaboração do Plano Político Pedagógico da Escola, pois é ele quem realmente conhece a realidade da sala de aula, assim como as necessidades dos alunos de forma grupal e individual. É preciso que o projeto esteja adequado às necessidades não só do alunado, mas também de todos aqueles que compõem e fazem parte do ambiente escolar.
Um tema não menos importante é aquele que diz respeito à autoridade do professor em sala de aula, quando se trata de indisciplina por parte dos alunos. O que se percebe na maioria das vezes são professores, principalmente nos estabelecimentos de ensino privados, acuados diante da falta de consenso com os gestores. Muitos professores deixam de exercer sua autonomia para com o aluno indisciplinado, devido ao receio de ser repreendido pelo seu superior, ou ter sua atitude de reprimir o educando, desfeita.

Alunos com comportamentos inadequados em sala de aula: o que pode haver por trás disto?
É latente a situação na maioria das instituições de ensino no Brasil, sejam elas públicas ou privadas, quando se trata de indisciplina em sala de aula. É um dos temas mais comentados em reuniões de pais e professores e entre mestres, diretores, coordenadores etc. Crianças e adolescentes que não estão nem um pouco interessados na absorção do conhecimento, pois muitas vezes só estão na escola por imposição dos pais, sendo assim, fazem de tudo para chamar a atenção dos educadores, desestruturando o ambiente de aprendizagem e fazendo com que seu mau comportamento atinja tanto os professores quanto os demais alunos. Para Antunes,
Uma classe indisciplinada, acreditamos, é toda aquela que: não permita ao professor oportunidades plenas para o desenvolvimento de seu processo de ajuda na construção do conhecimento do aluno; não ofereça condições para que os professores possam “acordar” em seus alunos sua potencialidade como elemento de autorrealizacao, preparação para o trabalho e exercício consciente da cidadania [...]. (ANTUNES, 2013, p. 6-7)

Num jogo de empurra-empurra fica uma dúvida: de quem é a culpa? O que pode ser feito com relação a determinados alunos que fazem da sala de aula um ambiente desagradável à convivência harmoniosa? Qual o papel da escola diante desse problema que se alastra por todo o país? E a família? São perguntas que nos fazemos o tempo todo, porém é pequeno o esforço de tentar amenizar o problema indisciplinar, apesar de a resposta, na maioria das vezes, está à nossa volta. Como afirma Antunes,
Ensinar não é fácil e educar mais difícil ainda; mas não ensina e não educa quem não define limites, quem não constrói democraticamente as linhas do que é e do que não é permitido. O professor jamais deve acreditar nessa bobagem de que cada aluno já sabe o que pode e o que não pode. Ninguém cresce se não é desafiado e todo jovem para crescer necessita desafiar. (ANTUNES, 2013, p. 25)

Sabe-se que, infelizmente, muitos professores se calam e se acomodam diante da indisciplina escolar, alegando que já não têm mais o que fazer; que a responsabilidade é dos pais (educação se traz de casa); leva o problema para que a direção e a coordenação resolva, dentre outras formas de “passar o bastão”. No entanto, não nos esqueçamos que o problema é de responsabilidade de todos, pois, em se tratando de crianças e adolescentes, os quais perante as leis brasileiras, não podem responder pelos seus atos, e sim os responsáveis por eles. É preciso haver bom censo entre todas as esferas possíveis. Dentre elas: a família, professores, coordenadores, diretores, as instâncias políticas, as instituições religiosas, e toda a sociedade em geral, para que juntos e acordados possam chegar a uma possível solução. Ou ao menos a amenização do problema. Não podemos deixar que o problema “indisciplina” suplante um dos, se não o maior bem que o ser humano pode ter na vida e que transmitirá para as gerações futuras, a educação.
Aos pais fica a incumbência de preparar a criança no ambiente familiar, mostrando-lhe limites, princípios, regras a serem seguidas. Não esquecendo que junto com o carinho, a compreensão e o zelo vêm o respeito. Pois sem o respeito, tanto consigo mesmo, quanto para com os outros, não se constrói caráter verdadeiro e consequentemente não se faz cidadãos de bem. Dessa forma só se reforça a ideia de que a educação começa em casa, no seio da família, e que a escola nada mais é que a extensão do lar. É preciso desfazer a visão equivocada de muitos pais e/ou responsáveis que pensa que a escola sozinha resolve o problema indisciplinar de alguns estudantes. Assim como à instituição escolar cabe integralmente a formação do indivíduo. Esta é uma tarefa que só funciona em conjunto, em parceria. Prova disto são as escolas que abriram as portas para a comunidade circunvizinha, fazendo com que todos os cidadãos contribuam com a formação plena e equilibrada das crianças e adolescentes. A escola deve ser um espaço acolhedor, onde os pais e responsáveis possam participar do dia-a-dia dos estudantes, colaborando com sugestões, observando como as crianças e adolescentes se comportam dentro e fora da sala de aula. Como eles tratam seus professores e os funcionários e também como são tratados. Os pais não devem ir à escola apenas em dia de reunião, quando vão, nem tampouco quando há alguma ocorrência envolvendo seu filho ou filha. É preciso estar presente, fazer-se assíduo e participativo na formação dos nossos jovens e das nossas crianças. Pois à escola cabe ampliar a educação doméstica e aplicar a educação formal.
À direção e coordenação das escolas cabe o dever de em conjunto com o corpo docente criar e executar programas internos que visem diminuir ou erradicar o problema indisciplinar. É preciso se adequar aos diversos tipos de perfis dos estudantes que frequentam a instituição de ensino. Levar em conta a classe social, a faixa etária, o histórico familiar de cada individuo. Mesmo que, este último seja um pouco mais complexo. Para isso será necessário conhecer as famílias, como é a rotina de pais e filhos na convivência doméstica. Pode parecer utopia, mas, se os dirigentes escolares promoverem reuniões particulares entre pais e professores, pais e coordenadores e se possível, com o acompanhamento de um psicopedagogo, em se tratando de suspeitas de casos que fujam a simples brincadeiras, ou o não cumprimento de tarefas na sala de aula. Segundo Antunes,
Existem alunos cuja grosseria, insolência, atitudes desafiadoras e agressividade resistem e ultrapassam o limite de uma conduta serena por parte do professor e estes casos exigem a necessidade de uma intervenção especial, e, em consenso com seus pais quando possível, necessitam ser encaminhados a outros profissionais especializados [...] (ANTUNES, 2013, p. 60)

Vamos ter aquela conversa olho no olho, de forma individual, na qual o profissional fique a sós com o pai ou a mãe, e tenham a oportunidade de expor problemas referentes às crianças e adolescentes no convívio escolar e quem sabe, aqueles que se vogam fora da escola, inclusive em casa.
Precisamos deixar um pouco de lado, o que não significa abrir mão totalmente, as reuniões coletivas, cujas ideias, muitas vezes não são expressas, tampouco colocadas em prática. Muitos pais e responsáveis às vezes se sentem intimidados diante dos outros pais e não colocam aquilo que pensam e desejam em pauta. Em conjunto, muito se fala, o que não significa que todos falem, porém pouco se faz. O contrário das reuniões entre pai e/ou mãe e professor (a), ou seja, quando se escuta de forma individual, sem a preocupação de ter que dar atenção ao pai ou à mãe seguinte. O professor ao escutar relatos dos pais sobre os filhos (alunos) saberá como melhor proceder com relação à forma como lidará com o (s) aluno (a) em questão. Isso devido à confiança que os pais depositaram no educador ao discutirem o comportamento dos filhos. O aluno por sua vez será observado de forma diferenciada, o que não significa excluí-lo dos demais. O professor, a falar sobre o (s) aluno (s) para os pais, sejam elogios ou reclamações, fará com que tais pais estejam cientes de coisas que muitas vezes não conhecem por só acontecer dentro da escola e que nem sempre lhes são comunicadas. Assim sendo, os responsáveis pelas crianças e adolescentes procurarão, de forma mais segura e descontraída, estarem presentes no ambiente escolar colaborando com o processo educativo.

Professor amigo não significa ser omisso à indisciplina

Sabemos que infelizmente a indisciplina escolar é um fenômeno que está longe de ser solucionado, porém não significa calar-se diante dessa situação pelo fato de que alguns, ou quem sabe, muitos de nós estejamos desacreditados com relação à educação brasileira. Percebemos que muitos fatores contribuem para que o sistema educacional brasileiro se torne cada vez mais defasado em se tratando de qualidade de ensino.
A evolução da educação no Brasil é fruto das profundas transformações sociais das últimas décadas. Com o avanço técnico-científico, o crescimento populacional e consequentemente, a necessidade de adequação do ensino às pessoas mais necessitadas, cujas portas dos estabelecimentos foram abertas a todos, cresceu também o descaso para com a educação pública. Ou seja, devido à migração dos filhos da elite para as instituições particulares, em consequência do ensino público, mesmo que lentamente, ter deixado de ser seletista e se tornado um direito de todo cidadão, a educação (pública) deixou de ser vista como prioridade, como outrora, pois boa parte daqueles que a compõe não pertence às classes dominantes. Os governantes, como se percebe, não têm nenhum interesse em investir na formação de indivíduos que, segundo a visão dos “opressores”, não farão parte do comando do país. Isto é, basta apenas o ensino básico e médio, porém sem muita qualidade. A preocupação maior é com a formação de pessoas que saibam ler, escrever e fazer as operações matemáticas básicas para que possam ocupar os cargos de operários e assim dêem continuidade ao crescimento econômico do Brasil. Sem, no entanto, usufruir das riquezas geradas.
Não se pode negar que muita coisa foi conquistada após muitas reivindicações por parte da sociedade e de instâncias preocupadas e descontentes com os caminhos pelos quais a educação brasileira está seguindo. Dentre algumas dessas conquistas, podemos citar o sistema de cotas para que negros, índios e afros descendentes possam ingressar em universidades e a criação dos cursos técnicos para a formação e qualificação da mão-de-obra para o comércio e a indústria. Dentre todos esses fatores, tanto negativos como positivos, infelizmente impera nas instituições de educação brasileiras a indisciplina, a violência e a agressão dentro e fora da sala de aula. Entretanto, boa parte dos educadores, seja por medo, ou por acomodação, já não se incomodam, ou fingem não se incomodar, com determinadas posturas inadequadas por parte de alguns estudantes.
O professor por se tratar de uma autoridade em sala de aula, mesmo diante das adversidades, como agressividade, uso de drogas lícitas e/ou ilícitas, histórico familiar conturbado etc. por parte de alguns alunos, tem que se impor de alguma forma com relação à prática da disciplina. Sabemos que apesar de haver comportamento inadequado entre alunos, quando o professor dita as regras e insiste para pô-las em prática, é certo que, mesmo não atingindo a todos, terá sucesso na aplicação da sua didática e com certeza mudará a forma de agir, pensar e se comportar, de muitos estudantes em sociedade. É preciso, porém, deixar claro que autoridade não é autoritarismo. O professor não deve querer conquistar à força a colaboração dos alunos. Ele precisa conhecer primeiro os indivíduos com os quais está lidando e aos poucos ir adequando sua didática, seu comportamento em sala de aula à turma, mostrando respeito, compreensão, carinho e amizade. Quando as regras são explicitadas desde o primeiro dia de aula para os alunos e reforçadas a cada encontro, sem dúvida, um bom caminho já terá sido percorrido para que uma boa convivência entre alunos e professores seja alcançada.  Como afirma Antunes,
O aluno precisa ouvir não e, muitas vezes, a palavra firme do professor substitui a fragilidade com que as negações são trabalhadas em família. Não hesite em usar o não. Uma excelente maneira de habituar o aluno à disciplina que todos queremos é a segurança em perceber que no futebol, na casa, na rua, na vida e, é claro, na escola existem regras e existe a serenidade de quem as relembra e cobra. (ANTUNES, 2013, p. 31).

Se não podemos mudar o todo, vamos ao menos tentar transformar o meio onde atuamos como educadores. Pois quando os professores entendem os alunos, seus problemas e suas qualidades, certamente conseguem ser respeitados e vistos como alguém que faz parte da vida desses indivíduos além dos muros da escola.
A omissão à indisciplina escolar não é e nunca será a solução do problema em questão. Isso só tende a aumentar o mau comportamento de meninos e meninas que muitas vezes só querem chamar a atenção dos educadores, ou porque não são bem tratados em casa, isto é, não recebem carinho nem tem a compreensão dos pais, ou simplesmente porque querem um pouco mais de carinho, respeito e atenção dos professores. Dessa forma entende-se que professor bonzinho não significa ser omisso à indisciplina, pois o amigo verdadeiro é aquele que afaga, mas também sabe chamar à atenção nos momentos de desvio de conduta.

CONCLUSÃO

Após muito questionamento e reflexão sobre a indisciplina nas escolas brasileiras, chega-se à conclusão de que o problema não é recente, apesar de ter se agravado nas últimas décadas, nem tampouco será sanado do dia para a noite. A indisciplina existe desde os primeiros tempos da colonização do Brasil, quando o negro e o pobre não tinham direito à educação formal. O índio por sua vez recebia apenas a educação baseada na doutrina cristã, cujo intuito dos jesuítas era converter os nativos ao Catolicismo. Mesmo após a abertura das escolas “públicas” à população pobre, o que ocasionou a migração dos filhos da elite para os centros educacionais privados, as diferenças continuaram. A qualidade do ensino caiu, o interesse em se investir nas escolas públicas ficou para último plano. O que temos como herança são escolas mal conservadas, professores mal remunerados, alunos mal preparados para concorrer às vagas de trabalho ofertadas por um mercado que exige cada vez mais mão- de- obra qualificada. Somando esses a outros fatores percebemos que a violência física, moral, psicológica e material, sim, porque um ambiente que não tem uma estrutura adequada que leve o aluno ao aprendizado pleno e de qualidade, trata-se de uma violência ao ser humano, principalmente, se tratando de seres em formação, são ingredientes para a indisciplina e à má convivência no ambiente escolar. Daí a necessidade de toda a comunidade se unir aos educadores para diminuir comportamentos inadequados por parte de alguns alunos dentro das escolas. É preciso trabalhar em conjunto. As escolas precisam convidar pais e responsáveis pelas crianças e adolescentes a se juntarem à tarefa de educar. E dessa forma encurtar a distância entre escola e comunidade.
        Ao governo cabe investir mais nas escolas e na mão-de-obra que as compõe. Oferecer bons salários a professores e funcionários, ofertar um ambiente bem estruturado aos alunos e criar políticas públicas mais eficientes com o intuito de combater qualquer ato infracional que contribua para a indisciplina escolar.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANTUNES, Celso. Professor bonzinho = aluno difícil: A questão da indisciplina em sala de aula – Fascículo 10. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013.
____________. A prática dos quatro pilares da Educação na sala de aula – Fascículo 17. ed. Petrópolis: Vozes, 2013.
____________. Relações interpessoais e autoestima: A sala de aula como um espaço do crescimento integral – Fascículo 16. 10. ed. Petrópolis: Vozes, 2014.
BELLO, José Luiz de Paiva. História da educação no Brasil. Rio de Janeiro, 1998. Disponível em: <http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/heb01.htm> Acesso em: 12 out. 2014.
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9.394/96. Disponível em: < http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/ldb.pdf > Acesso em: 18 out. 2014.
MARCONI, Maria de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia do Trabalho Científico. 7. ed. – São Paulo: Atlas, 2008.
MARTINS, Vicente. Como a LDB trata os profissionais de ensino. Disponível em: < http://docente-segundo-a-ldb.blogspot.com.br/2010/02/como-ldb-trata-os-profissionais-de.html> Acesso em: 18 out. 2014.
Medidas valorizam professor e qualificam ensino. Disponível em: < http://portal.mec.gov.br/index. php?option=com_content&id=7036> Acesso em: 15 out. 2014
MENDA, Cynthia Castiel. Conflitos na escola: um espelho da sociedade. Disponível em: < http://www.mundojovem.com.br/entrevistas/edicao> Acesso em: 20 out. 2014
NUNES, Antonieta d`Aguiar. Educação indígena no Brasil antes da chegada dos europeus. ANPUH – XXV SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA – Fortaleza, 2009.
Disponível em: < http://anpuh.org/anais/wpcontent/uploads/mp/pdf/ANPUH. S25. 0068. pdf > Acesso em: 12 out. 2014.
Retrospectiva histórica da educação no Brasil. Disponível em: <http://www.eumed.net/librosgratis/ciencia/2012/2/panorama_teorias_educacionais.html> Acesso em: 13 out. 2014.
SOUSA, Rainer Gonçalves. Os jesuítas no Brasil. Disponível em: <http://www.mundoeducacao.com/historiadobrasil/os-jesuitas-no-brasil.htm>Acesso em 12 out. 2014.
VASCONCELLOS, Celso dos Santos. Planejamento de Ensino–Aprendizagem e Projeto Político Pedagógico. 7ª Ed. São Paulo. Libertad, 2000. (Caderno Pedagógico do Libertad, v. 1)
VEIGA, Ilma Passos Alencastro (ORG.). Técnicas de ensino: Por que não? 15 ed. Campinas: Papirus, 2003.
VEIGA, Ilma Passos Alencastro (COORD.). Repensando a didática. 12 ed. Campinas: Papirus, 1996. _________________________________________________________________________________


Sem comentários:

Enviar um comentário