Mestrando-JOSÉ
RAIMUNDO DE JESUS[1]
RESUMO:
A
indisciplina escolar é um problema que tem preocupado educadores, teóricos da
educação, sociedade e governo. Este artigo busca abordar uma discussão a
respeito de comportamentos inadequados por parte de alguns estudantes, e dessa
forma desenvolver um diálogo com todos os envolvidos na formação sociocultural,
política, pessoal e humana de crianças e adolescentes.
Uma discussão mais ampla, principalmente, entre escola e comunidade para que juntos possam inibir/coibir posturas de alunos e/ou professores que estão em desacordo com a prática de aprender e de ensinar.
Uma discussão mais ampla, principalmente, entre escola e comunidade para que juntos possam inibir/coibir posturas de alunos e/ou professores que estão em desacordo com a prática de aprender e de ensinar.
Palavras-chave: Indisciplina escolar; educadores;
sociedade; governo.
[1] Mestrando em Ciências da Educação - Faculdade
Humanística e Instituto Erasmo de Rotterdam. Pós - Graduando em História e
Estudos Afros - Brasileiros - Instituto Educacional Alfa. Especialista em Língua
Portuguesa e Literatura Brasileira - Instituto Educacional Alfa. Graduado em
Letras com Habilitação em Língua Portuguesa e Língua Inglesa e suas respectivas
literaturas - União Metropolitana de Educação e Cultura (UNIME). Professor da
Rede Particular de Ensino dos Níveis Fundamentais I e II da cidade de Salvador
- Bahia - Brasil.
INTRODUÇÃO
Este
artigo surgiu diante da problemática “indisciplina escolar”, tema muito
debatido e questionado por educadores brasileiros, com o intuito de colaborar
com os já existentes estudos que norteiam os caminhos pelos quais tem trilhado
a educação no Brasil. De acordo com Antunes (2013), a indisciplina está
centrada num tripé: a estrutura escolar, a postura do professor e a desordem do
aluno. Dessa forma, sabe-se que os problemas que se tornaram rotina nas salas
de aula não é responsabilidade apenas das escolas e seus dirigentes, apesar de
muitos pensarem dessa forma. Compreende-se que o papel de combater os maus
comportamentos de alguns estudantes é de toda a sociedade. Para Menda (2014),
os conflitos que existem na comunidade onde os alunos e alunas estão inseridos
são reproduzidos dentro da escola. Frente a essa problemática, pretende-se
discutir o tema em questão com a finalidade de suscitar a atenção de
educadores, sociedade, governo e teóricos da educação para que juntos se possa
buscar uma possível solução para a indisciplina nas salas de aula. Acredita-se
assim, ter desenvolvido, de forma eficiente, um trabalho que irá contribuir
para a formação crítica e reflexiva de educadores, estudantes de nível médio e
superior e demais cidadãos interessados em aprofundar conhecimentos sobre os
problemas educacionais no Brasil.
DESENVOLVIMENTO
Breve histórico da educação no Brasil
A
educação brasileira teve início com a chegada dos portugueses no ano de 1500,
mais propriamente dito, a partir de 1549 no governo de Tomé de Sousa que trouxe
consigo jesuítas para catequizar os nativos (índios). Com os jesuítas vieram
padrões educacionais e modelos pedagógicos europeus com o intuito de
“civilizar” e ensinar a doutrina cristã ao povo que aqui havia. Tais padrões
acabaram por suplantar a forma de educação exercida pela população nativa aos
seus descendentes. Como forma de aprendizado, as crianças indígenas observavam
o que os adultos faziam para que pudessem treinar, e assim aprender os ofícios
do dia-a-dia. Daí, a praticidade da educação dos índios, isto é, o aprendizado
estava vinculado com a realidade desse povo, e ao completar 13 ou 14 anos de
idade, os jovens passavam por um teste seguido de uma cerimônia para que
pudessem se tornar adultos. Apesar de não possuírem um sistema de escrita, os
povos encontrados pelos portugueses em território “recém-descoberto” tinham um
modo de transmissão do conhecimento muito interessante, organizado e
disciplinado. Diante da falta de escrita da língua tupi, os jesuítas foram os
responsáveis por transformar os símbolos fonéticos em símbolos gráficos. Isso
facilitaria a comunicação entre índios e jesuítas, cuja finalidade desses
últimos era catequizar um povo considerado pagão perante as leis da Igreja. Os
jesuítas tiveram a incumbência de propagar a fé cristã e paralelamente fundaram
os primeiros colégios na “recém-descoberta” colônia. Com a expulsão dos
jesuítas em 1759, o ensino tradicional se fortalece e o Brasil deixa de ser um
país de total escravidão para se tornar um Estado semi-escravocata. Parte dessa
mudança se deve à imigração europeia devido à exigência do mercado por
mão-de-obra qualificada. No currículo das Escolas Normais prevaleceu as
disciplinas de cunho pedagógico, a Pedagogia Tradicionalista leiga (Veiga,
2000, p. 45).
A liberdade e a autonomia do professor
diminuídas: regimento escola
Houve
um tempo em que o educador tinha autoridade não só no ambiente escolar, mas
também dentro da comunidade em que estava inserido. Mesmo não recebendo a
valorização necessária por parte das autoridades, professor era figura
respeitada pelas pessoas que o via como o “detentor” do conhecimento e que merecia
todo o mérito e admiração de todos. Porém, com o passar do tempo, a figura do
professor foi sendo esquecida e, na maioria das vezes, sua autoridade,
autonomia e liberdade em sala de aula passou a ser vista em segundo plano, ou
seja, ele tornou-se apenas um mero profissional que vende sua mão-de-obra e
nada mais. O que nos leva a crer que se esqueceram da importância desse
profissional na formação integral das nossas crianças e adolescentes, fazendo
com que se tornem pessoas críticas e reflexivas em nossa sociedade, e não
apenas lhes transmitir o que é proposto pelos livros didáticos. É claro que
sabemos haver muitos educadores na atualidade que não se prendem apenas aos
modelos e práticas pedagógicas pré-estabelecidas, mas que procuram se estender
além daquilo que lhe é imposto, tanto pelas leis educacionais, quanto pelo
regimento de cada instituição de ensino. No entanto, nem sempre os educadores
têm a liberdade de exercer suas funções nesses moldes. A começar pelo regimento
escolar, que muitas vezes, através da diminuição da carga horária de
determinadas disciplinas curriculares, tira do profissional a liberdade de
discutir temas que vão além do conteúdo proposto pela grade curricular da
instituição, assim como no material ofertado. Outro fator importante é que nem
sempre os educadores (professores) participam da elaboração do Plano Político
Pedagógico da(s) escola(s) em que trabalham. Indo contra o que determina a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), artigo 12, inciso IV, que
diz: aos estabelecimentos de ensino cabe-lhes velar pelo cumprimento do plano
de trabalho de cada docente. Já no
inciso I do artigo 13 da LDB, determina-se que, cada docente deve participar da
elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino. O artigo 13 nem
sempre é respeitado, porque às vezes quando o professor é contratado pela
escola, já encontra o plano pedagógico pronto. Outro fator que deve ser
ressaltado é a manutenção/atualização do projeto. É sabido que, a sociedade
passa por mudanças o tempo todo e junto a essas transformações, a escola deve
se adequar, levando em conta as necessidades, tanto sociais, quanto pessoais
dos alunos que se encontram em processo de formação intelectual.
Faz-se
necessária a participação constante de todo o corpo docente na elaboração do
Plano Político Pedagógico da Escola, pois é ele quem realmente conhece a
realidade da sala de aula, assim como as necessidades dos alunos de forma
grupal e individual. É preciso que o projeto esteja adequado às necessidades
não só do alunado, mas também de todos aqueles que compõem e fazem parte do
ambiente escolar.
Um
tema não menos importante é aquele que diz respeito à autoridade do professor
em sala de aula, quando se trata de indisciplina por parte dos alunos. O que se
percebe na maioria das vezes são professores, principalmente nos
estabelecimentos de ensino privados, acuados diante da falta de consenso com os
gestores. Muitos professores deixam de exercer sua autonomia para com o aluno
indisciplinado, devido ao receio de ser repreendido pelo seu superior, ou ter
sua atitude de reprimir o educando, desfeita.
Alunos com comportamentos inadequados em
sala de aula: o que pode haver por trás disto?
É
latente a situação na maioria das instituições de ensino no Brasil, sejam elas
públicas ou privadas, quando se trata de indisciplina em sala de aula. É um dos
temas mais comentados em reuniões de pais e professores e entre mestres,
diretores, coordenadores etc. Crianças e adolescentes que não estão nem um
pouco interessados na absorção do conhecimento, pois muitas vezes só estão na
escola por imposição dos pais, sendo assim, fazem de tudo para chamar a atenção
dos educadores, desestruturando o ambiente de aprendizagem e fazendo com que
seu mau comportamento atinja tanto os professores quanto os demais alunos. Para
Antunes,
Uma classe
indisciplinada, acreditamos, é toda aquela que: não permita ao professor
oportunidades plenas para o desenvolvimento de seu processo de ajuda na
construção do conhecimento do aluno; não ofereça condições para que os professores
possam “acordar” em seus alunos sua potencialidade como elemento de
autorrealizacao, preparação para o trabalho e exercício consciente da cidadania
[...]. (ANTUNES, 2013, p. 6-7)
Num
jogo de empurra-empurra fica uma dúvida: de quem é a culpa? O que pode ser
feito com relação a determinados alunos que fazem da sala de aula um ambiente
desagradável à convivência harmoniosa? Qual o papel da escola diante desse
problema que se alastra por todo o país? E a família? São perguntas que nos
fazemos o tempo todo, porém é pequeno o esforço de tentar amenizar o problema
indisciplinar, apesar de a resposta, na maioria das vezes, está à nossa volta.
Como afirma Antunes,
Ensinar não é fácil e
educar mais difícil ainda; mas não ensina e não educa quem não define limites,
quem não constrói democraticamente as linhas do que é e do que não é permitido.
O professor jamais deve acreditar nessa bobagem de que cada aluno já sabe o que
pode e o que não pode. Ninguém cresce se não é desafiado e todo jovem para
crescer necessita desafiar. (ANTUNES, 2013, p. 25)
Sabe-se
que, infelizmente, muitos professores se calam e se acomodam diante da
indisciplina escolar, alegando que já não têm mais o que fazer; que a responsabilidade
é dos pais (educação se traz de casa); leva o problema para que a direção e a
coordenação resolva, dentre outras formas de “passar o bastão”. No entanto, não
nos esqueçamos que o problema é de responsabilidade de todos, pois, em se
tratando de crianças e adolescentes, os quais perante as leis brasileiras, não
podem responder pelos seus atos, e sim os responsáveis por eles. É preciso
haver bom censo entre todas as esferas possíveis. Dentre elas: a família,
professores, coordenadores, diretores, as instâncias políticas, as instituições
religiosas, e toda a sociedade em geral, para que juntos e acordados possam
chegar a uma possível solução. Ou ao menos a amenização do problema. Não
podemos deixar que o problema “indisciplina” suplante um dos, se não o maior
bem que o ser humano pode ter na vida e que transmitirá para as gerações
futuras, a educação.
Aos
pais fica a incumbência de preparar a criança no ambiente familiar,
mostrando-lhe limites, princípios, regras a serem seguidas. Não esquecendo que
junto com o carinho, a compreensão e o zelo vêm o respeito. Pois sem o
respeito, tanto consigo mesmo, quanto para com os outros, não se constrói
caráter verdadeiro e consequentemente não se faz cidadãos de bem. Dessa forma
só se reforça a ideia de que a educação começa em casa, no seio da família, e
que a escola nada mais é que a extensão do lar. É preciso desfazer a visão
equivocada de muitos pais e/ou responsáveis que pensa que a escola sozinha
resolve o problema indisciplinar de alguns estudantes. Assim como à instituição
escolar cabe integralmente a formação do indivíduo. Esta é uma tarefa que só
funciona em conjunto, em parceria. Prova disto são as escolas que abriram as
portas para a comunidade circunvizinha, fazendo com que todos os cidadãos contribuam
com a formação plena e equilibrada das crianças e adolescentes. A escola deve
ser um espaço acolhedor, onde os pais e responsáveis possam participar do
dia-a-dia dos estudantes, colaborando com sugestões, observando como as
crianças e adolescentes se comportam dentro e fora da sala de aula. Como eles
tratam seus professores e os funcionários e também como são tratados. Os pais
não devem ir à escola apenas em dia de reunião, quando vão, nem tampouco quando
há alguma ocorrência envolvendo seu filho ou filha. É preciso estar presente,
fazer-se assíduo e participativo na formação dos nossos jovens e das nossas
crianças. Pois à escola cabe ampliar a educação doméstica e aplicar a educação
formal.
À
direção e coordenação das escolas cabe o dever de em conjunto com o corpo
docente criar e executar programas internos que visem diminuir ou erradicar o
problema indisciplinar. É preciso se adequar aos diversos tipos de perfis dos
estudantes que frequentam a instituição de ensino. Levar em conta a classe
social, a faixa etária, o histórico familiar de cada individuo. Mesmo que, este
último seja um pouco mais complexo. Para isso será necessário conhecer as
famílias, como é a rotina de pais e filhos na convivência doméstica. Pode
parecer utopia, mas, se os dirigentes escolares promoverem reuniões
particulares entre pais e professores, pais e coordenadores e se possível, com
o acompanhamento de um psicopedagogo, em se tratando de suspeitas de casos que
fujam a simples brincadeiras, ou o não cumprimento de tarefas na sala de aula.
Segundo Antunes,
Existem alunos cuja
grosseria, insolência, atitudes desafiadoras e agressividade resistem e
ultrapassam o limite de uma conduta serena por parte do professor e estes casos
exigem a necessidade de uma intervenção especial, e, em consenso com seus pais
quando possível, necessitam ser encaminhados a outros profissionais
especializados [...] (ANTUNES, 2013, p. 60)
Vamos
ter aquela conversa olho no olho, de forma individual, na qual o profissional
fique a sós com o pai ou a mãe, e tenham a oportunidade de expor problemas
referentes às crianças e adolescentes no convívio escolar e quem sabe, aqueles
que se vogam fora da escola, inclusive em casa.
Precisamos
deixar um pouco de lado, o que não significa abrir mão totalmente, as reuniões
coletivas, cujas ideias, muitas vezes não são expressas, tampouco colocadas em
prática. Muitos pais e responsáveis às vezes se sentem intimidados diante dos
outros pais e não colocam aquilo que pensam e desejam em pauta. Em conjunto,
muito se fala, o que não significa que todos falem, porém pouco se faz. O
contrário das reuniões entre pai e/ou mãe e professor (a), ou seja, quando se
escuta de forma individual, sem a preocupação de ter que dar atenção ao pai ou
à mãe seguinte. O professor ao escutar relatos dos pais sobre os filhos
(alunos) saberá como melhor proceder com relação à forma como lidará com o (s)
aluno (a) em questão. Isso devido à confiança que os pais depositaram no
educador ao discutirem o comportamento dos filhos. O aluno por sua vez será observado
de forma diferenciada, o que não significa excluí-lo dos demais. O professor, a
falar sobre o (s) aluno (s) para os pais, sejam elogios ou reclamações, fará
com que tais pais estejam cientes de coisas que muitas vezes não conhecem por
só acontecer dentro da escola e que nem sempre lhes são comunicadas. Assim
sendo, os responsáveis pelas crianças e adolescentes procurarão, de forma mais
segura e descontraída, estarem presentes no ambiente escolar colaborando com o
processo educativo.
Professor amigo não significa ser omisso
à indisciplina
Sabemos
que infelizmente a indisciplina escolar é um fenômeno que está longe de ser
solucionado, porém não significa calar-se diante dessa situação pelo fato de
que alguns, ou quem sabe, muitos de nós estejamos desacreditados com relação à
educação brasileira. Percebemos que muitos fatores contribuem para que o
sistema educacional brasileiro se torne cada vez mais defasado em se tratando
de qualidade de ensino.
A
evolução da educação no Brasil é fruto das profundas transformações sociais das
últimas décadas. Com o avanço técnico-científico, o crescimento populacional e
consequentemente, a necessidade de adequação do ensino às pessoas mais
necessitadas, cujas portas dos estabelecimentos foram abertas a todos, cresceu
também o descaso para com a educação pública. Ou seja, devido à migração dos
filhos da elite para as instituições particulares, em consequência do ensino
público, mesmo que lentamente, ter deixado de ser seletista e se tornado um
direito de todo cidadão, a educação (pública) deixou de ser vista como
prioridade, como outrora, pois boa parte daqueles que a compõe não pertence às
classes dominantes. Os governantes, como se percebe, não têm nenhum interesse
em investir na formação de indivíduos que, segundo a visão dos “opressores”,
não farão parte do comando do país. Isto é, basta apenas o ensino básico e
médio, porém sem muita qualidade. A preocupação maior é com a formação de
pessoas que saibam ler, escrever e fazer as operações matemáticas básicas para
que possam ocupar os cargos de operários e assim dêem continuidade ao
crescimento econômico do Brasil. Sem, no entanto, usufruir das riquezas
geradas.
Não
se pode negar que muita coisa foi conquistada após muitas reivindicações por
parte da sociedade e de instâncias preocupadas e descontentes com os caminhos
pelos quais a educação brasileira está seguindo. Dentre algumas dessas
conquistas, podemos citar o sistema de cotas para que negros, índios e afros descendentes
possam ingressar em universidades e a criação dos cursos técnicos para a
formação e qualificação da mão-de-obra para o comércio e a indústria. Dentre
todos esses fatores, tanto negativos como positivos, infelizmente impera nas
instituições de educação brasileiras a indisciplina, a violência e a agressão
dentro e fora da sala de aula. Entretanto, boa parte dos educadores, seja por
medo, ou por acomodação, já não se incomodam, ou fingem não se incomodar, com
determinadas posturas inadequadas por parte de alguns estudantes.
O
professor por se tratar de uma autoridade em sala de aula, mesmo diante das
adversidades, como agressividade, uso de drogas lícitas e/ou ilícitas,
histórico familiar conturbado etc. por parte de alguns alunos, tem que se impor
de alguma forma com relação à prática da disciplina. Sabemos que apesar de
haver comportamento inadequado entre alunos, quando o professor dita as regras
e insiste para pô-las em prática, é certo que, mesmo não atingindo a todos,
terá sucesso na aplicação da sua didática e com certeza mudará a forma de agir,
pensar e se comportar, de muitos estudantes em sociedade. É preciso, porém,
deixar claro que autoridade não é autoritarismo. O professor não deve querer
conquistar à força a colaboração dos alunos. Ele precisa conhecer primeiro os
indivíduos com os quais está lidando e aos poucos ir adequando sua didática,
seu comportamento em sala de aula à turma, mostrando respeito, compreensão,
carinho e amizade. Quando as regras são explicitadas desde o primeiro dia de aula
para os alunos e reforçadas a cada encontro, sem dúvida, um bom caminho já terá
sido percorrido para que uma boa convivência entre alunos e professores seja
alcançada. Como afirma Antunes,
O aluno precisa ouvir
não e, muitas vezes, a palavra firme do professor substitui a fragilidade com
que as negações são trabalhadas em família. Não hesite em usar o não. Uma
excelente maneira de habituar o aluno à disciplina que todos queremos é a
segurança em perceber que no futebol, na casa, na rua, na vida e, é claro, na
escola existem regras e existe a serenidade de quem as relembra e cobra.
(ANTUNES, 2013, p. 31).
Se
não podemos mudar o todo, vamos ao menos tentar transformar o meio onde atuamos
como educadores. Pois quando os professores entendem os alunos, seus problemas
e suas qualidades, certamente conseguem ser respeitados e vistos como alguém
que faz parte da vida desses indivíduos além dos muros da escola.
A
omissão à indisciplina escolar não é e nunca será a solução do problema em
questão. Isso só tende a aumentar o mau comportamento de meninos e meninas que
muitas vezes só querem chamar a atenção dos educadores, ou porque não são bem
tratados em casa, isto é, não recebem carinho nem tem a compreensão dos pais,
ou simplesmente porque querem um pouco mais de carinho, respeito e atenção dos
professores. Dessa forma entende-se que professor bonzinho não significa ser
omisso à indisciplina, pois o amigo verdadeiro é aquele que afaga, mas também
sabe chamar à atenção nos momentos de desvio de conduta.
CONCLUSÃO
Após
muito questionamento e reflexão sobre a indisciplina nas escolas brasileiras,
chega-se à conclusão de que o problema não é recente, apesar de ter se agravado
nas últimas décadas, nem tampouco será sanado do dia para a noite. A
indisciplina existe desde os primeiros tempos da colonização do Brasil, quando
o negro e o pobre não tinham direito à educação formal. O índio por sua vez
recebia apenas a educação baseada na doutrina cristã, cujo intuito dos jesuítas
era converter os nativos ao Catolicismo. Mesmo após a abertura das escolas
“públicas” à população pobre, o que ocasionou a migração dos filhos da elite
para os centros educacionais privados, as diferenças continuaram. A qualidade
do ensino caiu, o interesse em se investir nas escolas públicas ficou para
último plano. O que temos como herança são escolas mal conservadas, professores
mal remunerados, alunos mal preparados para concorrer às vagas de trabalho
ofertadas por um mercado que exige cada vez mais mão- de- obra qualificada.
Somando esses a outros fatores percebemos que a violência física, moral,
psicológica e material, sim, porque um ambiente que não tem uma estrutura
adequada que leve o aluno ao aprendizado pleno e de qualidade, trata-se de uma
violência ao ser humano, principalmente, se tratando de seres em formação, são
ingredientes para a indisciplina e à má convivência no ambiente escolar. Daí a
necessidade de toda a comunidade se unir aos educadores para diminuir
comportamentos inadequados por parte de alguns alunos dentro das escolas. É preciso
trabalhar em conjunto. As escolas precisam convidar pais e responsáveis pelas
crianças e adolescentes a se juntarem à tarefa de educar. E dessa forma
encurtar a distância entre escola e comunidade.
Ao governo cabe investir mais nas
escolas e na mão-de-obra que as compõe. Oferecer bons salários a professores e
funcionários, ofertar um ambiente bem estruturado aos alunos e criar políticas
públicas mais eficientes com o intuito de combater qualquer ato infracional que
contribua para a indisciplina escolar.
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