O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO PARA
A DEFICIÊNCIA VISUAL EM UM ESPAÇO ESCOLAR ACRIANO.
2015/08/15
Mestranda Ednilza Antonina da Rocha 1
Marilu Palma de Oliveira2
RESUMO
Este trabalho tem como objetivo analisar o atendimento educacional especializado à deficiência visual no espaço escolar através da sala de recurso, por meio de entrevistas com pais, alunos e professores. Busca verificar como é e como se dá o atendimento aos alunos especiais através da integração e inclusão, verificando como são os meios e as metodologias apresentadas para tal público alvo dentro das abordagens, direcionamentos pedagógicos e sociais a que se destinam tais inclusões.
Palavras-chaves: Deficiência visual, Inclusão e Sala de Recurso.
ABSTRACT
The article aimed to analyze the meaning of special service to the visual impairment in the classroom and resource room, through interviews with parents, students and teachers. Seeking-see how are and how the special students care through the integration and inclusion, as are the means and the methodologies presented for such target audience within the targeting social and pedagogical approaches, intended such inclusions.
Key-words: Visual impairment, Inclusion and Resource Room.
1 Especialista em Educação Profissional Integrada à Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos - Proeja, Pólo Acre, Graduada em Pedagogia pela Universidade UniSantana (São Paulo), Pós-Graduada em Lato Sensu em Educação Ambiental pela Unopar (Acre) e Coordenadora Pedagógica e Professora na SEE/AC.
2 Orientadora do artigo, Mestre em Educação pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)
Especialista em Educação Especial pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Graduada em Educação Especial pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e Professora Formadora do Núcleo de Apoio Pedagógico Dom Bosco.
1 INTRODUÇÃO
O estudo faz uma abordagem de como está sendo realizada a inclusão de educandos portadores de deficiências visuais na Escola Estadual de Ensino Fundamental Dr. Pimentel Gomes, a partir do Atendimento Educacional Especializado (AEE) oferecido na sala de recursos da referida escola, destacando o papel da inclusão para estes educandos, bem como algumas ações desenvolvidas no espaço escolar e com as famílias.
O estudo se justifica por analisar a importância do trabalho do AEE na vida dos educandos, bem como, dos envolvidos diretamente ou indiretamente no processo de inclusão. Nesse sentido, no que se refere ao primeiro aspecto, procurei destacar como o AEE poderá contribuir para a formação intelectual desses educandos, proporcionando-lhes novo sentido à vida; quanto ao segundo aspecto, enfatizei o papel do educador, dada a importância que os vínculos formados a partir da relação em sala de aula entre educando e educador. Uma pessoa com deficiência muitas vezes apóia-se não só em seus familiares; mas também nas pessoas que passam a fazer parte de sua vida, como é o caso do professor, em que seu compromisso poderá representar a sua contribuição para uma sociedade mais inclusiva e, como conseqüência, mais justa.
Adotou-se como metodologia de pesquisa a revisão bibliográfica articulada ao estudo de caso. Através da revisão bibliográfica, fundamentei o referencial teórico da pesquisa e ao adotar o estudo de caso, fiz o recorte da amostra abrangendo apenas a escola selecionada para o estudo. Utilizou-se como instrumento de coleta de dados a entrevista semi-estruturada realizada a partir de um questionário com questões abertas. A entrevista foi aplicada aos educandos do AEE, aos pais e aos professores.
Mostrarei, através de minha pesquisa, o atendimento especializado na sala de recursos da Escola Estadual de Ensino Fundamental Dr. Pimentel Gomes, fortalecendo o papel da inclusão aos alunos com deficiência visual, bem como algumas ações desenvolvidas com as famílias no espaço escolar. Portanto, essa pesquisa e estudo se justificam por analisar a importância do trabalho da AEE na vida dos alunos e de todos os envolvidos diretamente e indiretamente nesse processo de inclusão. Para a efetivação do estudo realizarei pesquisa com a referida instituição, onde aplicarei um questionário semi-estruturado com perguntas dirigidas e também entrevistarei a professora de ensino especial verificando toda a trajetória da inclusão nesse espaço. Em seguida, farei breves considerações sobre a Política Nacional, a inclusão e o atendimento especial, focando nessa pesquisa a deficiência visual e sua classificação, buscando na atual legislação brasileira como se dá o atendimento a esses educandos e como ele está organizado dentro do ambiente escolar.
Esse estudo vem mostrar dados de uma prática pedagógica e a observação de tais transformações sociais dentro do nosso Estado. Em virtude de tais investigações, poderei ter melhor compreensão sobre o deficiente visual, e que muitas vezes um aluno tem outros déficits além do visual, necessitando ainda mais de atenção e de certos cuidados, como no caso dos cadeirantes. Essa pessoa com deficiência muitas vezes apóia-se não só em seus familiares, mas também em outras pessoas que passam a fazer parte de sua vida e estão bem próximas, criando vínculos afetivos e se descobrindo como verdadeiro ser sendo capaz de expressar-se naturalmente e não ser recriminado ou envergonhado. Isso pode contribuir para sua formação intelectual dando novo sentido à sua vida. Os educadores que realmente são comprometidos com aquilo a que se propuseram, certamente estarão contribuindo para uma sociedade mais justa e com valores absolutos, dando qualidade não só à educação, mas também à cidadania, pois ser cidadão é fazer realmente parte de uma sociedade e não ser apenas contado como número.
O trabalho se deu com participação e envolvimento, onde foi analisado, através das falas e anotações, todo o trabalho do AEE, dentro e fora da escola, pois as ações ultrapassam os espaços escolares, já que a atual professora da sala de recursos também faz atendimento no âmbito familiar. Ela acompanha, junto com a coordenação da escola, o atendimento domiciliar. O aluno que recebe atendimento em casa devido à sua necessidade especial tem total atenção, mas não deixa de ser envolvido em todo trabalho.
Esse trabalho segue estruturado em três partes. No primeiro tópico estarei destacando de maneira geral um pouco sobre deficiência, sua trajetória, contextualizando acerca da deficiência visual e sua classificação. No segundo discorrerei sobre o atendimento educacional especializado na sala de recurso da escola e como se dão essas ações, como é esse trabalho e quais impactos provoca na comunidade escolar. No último tópico, farei um breve relato sobre a política nacional de inclusão e suas fundamentações no estado do Acre.
CONCEPÇÕES SOBRE A DEFICIÊNCIA VISUAL
Neste tópico, faremos um recorte sobre uma retrospectiva da atenção dada às pessoas com deficiência desde a antiguidade até os dias atuais, abordando os conceitos utilizados em cada época, as concepções a respeito das pessoas com deficiência visual, bem como as transformações conceituais ocorridas ao longo do tempo.
Por se tratar de uma pesquisa bibliográfica e descritiva, optamos pela leitura, análise e interpretação de vários livros, periódicos, textos legais e outros documentos oficiais a respeito da trajetória da pessoa com deficiência visual.
Os primórdios da Educação Especial se situam no final do século XVIII, uma época que foi caracterizada pela ignorância e rejeição ao indivíduo diferente. Para compreender mais amplamente este processo histórico, há que se conhecer os muitos caminhos já trilhados pelo homem ocidental em sua relação com a parcela da população constituída pelas pessoas com necessidades educacionais especiais. A história da atenção a pessoas especiais tem se caracterizado pela segregação, acompanhada pela consequente e gradativa exclusão, sob diferentes argumentos, dependendo do momento histórico focalizado. No que se refere à deficiência, começaram a surgir novas ideias referentes à sua natureza orgânica, produto de causas naturais. Assim concebidas, as deficiências passaram também a ser tratadas por meio da alquimia, da magia e da astrologia, métodos da medicina de então, processo importante do século XVI. O século XVII foi palco de novos avanços nos conhecimentos produzidos na área da medicina, o que fortaleceu a tese da organicidade, e ampliou a compreensão da deficiência como processo natural.
Segundo Pessoti (1984), John Locke propôs, em sua obra Essay Concerning Human Understanding (1690), que o homem, ao nascer, é uma tábua rasa, ou seja, um ser absolutamente vazio de informações e de experiências. Segundo o autor, sua mente vai se preenchendo com a experiência, fundamento de todo o saber. Enquanto a tese da organicidade favoreceu o surgimento de ações de tratamento médico das pessoas com deficiência, a tese do desenvolvimento por meio da estimulação encaminhou-se, embora muito lentamente, para ações de ensino, o que vai ocorrer definitivamente somente a partir do século XVIII. No decorrer da História da Humanidade foram se diversificando a visão e a compreensão que as diferentes sociedades tinham acerca da deficiência.
A forma de pensar e, por consequência, a forma de agir com relação à deficiência enquanto fenômeno e à pessoa com necessidades educacionais especiais enquanto ser, modificaram-se no decorrer do tempo e das condições sócio-históricas. É importante lembrar que termos tais como “deficiência”, “deficiente”, “portador de deficiência” e “portador de necessidades especiais” surgiram bem recentemente, já no século XX.
Nos dias atuais, podemos perceber que a inclusão de pessoas portadoras de necessidade especiais passa a tomar espaço e já se faz presente na atual discussão das questões sociais, sobretudo no âmbito escolar.
A inclusão social é um processo que contribui para a construção de um novo tipo de sociedade através de pequenas e grandes transformações, nos ambientes físicos (espaço interno e externo, equipamentos, aparelhos e utensílios, mobiliário e meio de transporte) e na mentalidade de todas as pessoas, inclusive a pessoa com necessidades educacionais. A transformação da escola não é, portanto, uma mera exigência da inclusão escolar de pessoas com deficiência e/ou dificuldades de aprendizado. Assim sendo, ela deve ser encarada como um compromisso inadiável das escolas e universidades, que terão a inclusão como consequência. Um aspecto que favoreceu a prática da inclusão nas escolas está relacionado ao fato de que ela contribui para a emancipação da pessoa com deficiência, ao mesmo tempo em que desmotiva o uso do preconceito, da discriminação e do estigma, tornando todos com direitos iguais, respeitando as diferenças. Isso ocorrendo, as atitudes segregadoras tenderão a diminuir e todos serão cidadãos perante a sociedade.
Cabe à sociedade eliminar todas as barreiras físicas, programáticas e atitudinais para que as pessoas com necessidades educacionais especiais possam ter acesso aos serviços, lugares, informações e bens necessários ao seu desenvolvimento pessoal, educacional e profissional. E se tratando de educação especial, Mazzotta a define como:
A modalidade de ensino que se caracteriza por um conjunto de recursos e serviços educacionais especiais organizados para apoiar, suplementar e, em alguns casos, substituir os serviços educacionais comuns, de modo a garantir a educação formal dos educandos que apresentam necessidades educacionais muito diferentes da maioria das crianças e jovens. Tais educandos, também denominados de „excepcionais‟, são justamente aqueles que hoje têm sido chamados de alunos com necessidades especiais‟. (MAZZOTTA, 2003, p. 184).
Sendo assim, nos como integrantes de uma sociedade devemos fazer valer tais direitos a essas pessoas, passando a referir mais e incluí-los verdadeiramente em todo o processo de cidadania, pois muitas vezes fechamos nossos olhos e não damos conta de que eles também são parte dessa sociedade.
No estudo de Sá, Campos e Silva (2007), a deficiência visual pode ser compreendida sob vários conceitos diferentes que delimitam o nível de complexidade da mesma. Dessa maneira, tem-se a cegueira como uma disfunção grave de uma ou mais funções básicas da visão, afetando de modo irremediável a capacidade de percepção da cor, tamanho, distância, forma, posição ou movimento em um campo visual.
Definição de baixa visão (ambliopia, visão subnormal ou visão residual): nesses estudos, demonstra-se complexa devido à variedade e à intensidade de comprometimento das funções visuais.
A baixa visão, portanto, fica traduzida em uma redução do conjunto de informações que o indivíduo recebe do ambiente, restringindo a grande quantidade de dados que este oferece e que são importantes para a construção do conhecimento sobre o mundo exterior, ou seja, o indivíduo pode ter um conhecimento restrito do mundo que o rodeia.
Deficiência e sua classificação:
1) Congênita: adquirida na vida intra-uterina.
2) Adquirida: adquirida após o nascimento e no decorrer da vida.
Uma pessoa cega é aquela que possui perda total ou resíduo mínimo de visão, necessitando do método Braille como meio de leitura e escrita e/ou outros métodos, recursos didáticos e equipamentos especiais para o processo ensino-aprendizagem.
Pessoa com baixa visão é aquela que possui resíduos visuais em grau que permitam ler textos impressos à tinta, desde que se empreguem recursos didáticos e equipamentos especiais, excluindo as deficiências facilmente corrigidas pelo uso adequado de lentes (CRÓS et al, 2006).
Cegueira por acuidade visual: significa possuir visão de 20/200 pés ou inferior, com a melhor correção (uso de óculos). É a habilidade de ver em 20 pés ou 6, 096 metros, o que o olho normal vê em 200 pés ou 60,96 metros (ou seja, 1/10 ou menos que a visão normal), onde 1 pé = 30,48 cm. Por campo visual: onde se tem um campo visual menor do que 10° de visão central – ter uma visão de túnel. Na visão de Corsi existem ainda sistemas mais sofisticados para atender a essa clientela. Contudo:
Há casos em que são necessários aparelhos de ampliação de imagem por vídeo e são chamados CCTV (closed circuit television), lupas e réguas eletrônicas entre outros mais sofisticados e de alto custo e que nem todas as escolas ainda podem ter, mesmo em se exigindo inclusão. Mas a ausência da sofisticação necessária não exime a escola de receber o aluno com deficiência visual, pois com recursos mais simples também é possível conduzi-lo academicamente. (CORSI, 2006, p. 67-68).
Assim, como membro de uma coordenação escolar e de uma comunidade, passei a investigar o atendimento na sala de recurso e os meios existentes para trabalhar com o deficiente visual. Também encontrei através das literaturas pesquisadas algumas respostas para minha pesquisa, porém, percebi que a inclusão de deficientes ainda requer mais atenção em escolas comuns ou especiais.
O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO NA SALA DE RECURSOS
As reflexões serão realizadas a partir de observações in loco do Atendimento Educacional Especializado (AEE) realizado numa Sala de Recursos Multifuncionais da Escola Estadual de Ensino Fundamental Dr. Pimentel Gomes.
Apresentará, também, os fatores determinantes que são necessários para que o aluno com deficiência visual tenha suporte no Atendimento Educacional Especializado. Descreverei as atribuições do professor do AEE e da escola, bem como da Secretaria de Educação. Além disso, será feita uma análise do trabalho desenvolvido pelo professor da Sala de Recurso Multifuncionais no atendimento ao aluno com deficiência visual em parceria com o Centro de Apoio Pedagógico ao Deficiente Visual CAP/DV.
Como subsídios para a análise, entrevistei a professora da escola, que há cerca de três anos trabalha com a educação e faz aproximadamente um ano que está na sala de recurso desenvolvendo atividades do Atendimento Educacional Especializado – AEE. Este atendimento acontece três vezes por semana, onde os alunos com deficiência visual recebem a atenção dispensada durante o período de uma hora e meia.
Segundo a professora, tudo se inicia através do estudo de caso, que é uma forma de conhecer melhor o aluno por meio da família, da escola e do próprio aluno. É um conhecimento produtivo, ou seja, precisamos fazer o estudo da origem da patologia para saber então que orientações deverão ser tomadas para ajudá-lo, e isso acontece sempre com a participação da coordenadora pedagógica da manhã, da coordenadora de ensino e dos professores da sala de aula.
É importante ressaltar que ao ser matriculado para estudar, o aluno não é obrigado a freqüentar a sala de recursos. A ele é opcional participar desse ambiente.
A sala de recursos tem o papel de ensinar o Braille, acessibilidade, domínio do soroban, orientação e mobilidades, adaptação de material e, claro, cada aluno é atendido de acordo com as necessidades apresentadas.
Infelizmente ainda existem desafios no que tange à inclusão, à resistência familiar e à aceitação dos alunos no ambiente escolar, mas todos são tratados com igualdade tanto na sala de aula regular quanto na sala de recursos. E isto é assegurado já na elaboração do Projeto Político Pedagógico onde são destinados também aos professores encontros pedagógicos de quinze em quinze dias, ou extraordinariamente, se assim for necessário. O grupo é assíduo e comprometido com os encontros, conforme salienta a professora.
Assim, é importante acrescentar também uma parceria indispensável que temos com o Centro de Apoio Pedagógico – CAP, na questão da produção de livros em Braille, pois encaminhamos o pedido das traduções ao Centro, que o fará gradativamente para o aluno durante o ano letivo.
Segundo a literatura ligada à área, muitas escolas brasileiras já adotaram a abordagem da educação inclusiva, e outras instituições educacionais precisam compreender que a educação é para todos os sujeitos da sociedade. Para Masini,
[...] é indispensável à interdisciplinaridade - a integração das áreas do conhecimento em um equilíbrio entre ação e reflexão, para conhecer as possibilidades e vias perceptuais de que faz uso a pessoa que está no mundo sem um dos sentidos de distância: a visão. É necessária a interdisciplinaridade para investigar e oferecer as condições educacionais e recursos apropriados para o desenvolvimento e a aprendizagem daquele cuja percepção do que o cerca ocorre por meio dos sentidos da audição, tato, cinestesia, olfato e gustação. (MASINI, 2007, p.48).
Analisaremos, aqui, a descrição da percepção dos alunos do AEE a partir dos dados obtidos por meio da coleta prévia de informações que fundamentam a metodologia desta pesquisa. Destacamos que a escolha da escola se deu por ser considerada uma das mais numerosas em atendimento especializado dentro do bairro São Francisco.
POLÍTICAS EDUCACIONAIS E INCLUSÃO
A política nacional de educação especial na perspectiva de educação inclusiva, mediante portarias nº 555 e nº 948/2007, norteia a política de educação especial no estado do Acre estabelecendo diretrizes quanto à implantação e implementação da sala de recursos multifuncionais. para tanto, a coordenação de educação especial elaborou um termo de adesão que define as atribuições da secretaria de educação, da escola e do professor do AEE, com o objetivo de implantar o atendimento educacional especializado em sala de recursos multifuncionais, na rede regular de ensino, para alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades.
Em 2005, a secretaria de estado de educação percebeu que o papel do professor itinerante não estava atendendo a demanda que a cada dia aumentava, seja pelo número de alunos incluídos, seja pelas necessidades do professor regente de sala receber orientações pedagógicas. diante dessa análise, tomou-se a iniciativa de implantar o papel do professor de apoio, ou seja, um professor que pudesse permanecer o dia todo na escola com o objetivo de orientar, apoiar os demais professores e atender o aluno, seja individualmente ou em pequenos grupos.
Diante da proposta da secretaria de educação especial/MEC, de implantar salas de recursos multifuncionais, em 2007, 38 escolas funcionavam com o professor de apoio, em espaços alternativos que a escola oferecia para realizar o atendimento em contra turno.
No período de 2008 a 2010 foram implantadas 144 salas de recursos multifuncionais nas escolas da rede estadual, considerando que todos os municípios foram contemplados. para o ano de 2011 foram implantadas mais 37 salas, totalizando 181.
Existe também o núcleo de capacitação – CAP/AC – que trabalha direcionado para a inclusão do deficiente visual na rede regular de ensino no município de rio branco, oferecendo cursos de capacitação direcionados aos professores das salas de recursos e professores do ensino regular. As capacitações são relacionadas ao Braille, soroban, orientação e mobilidades, como também atividades da vida diária. Essas capacitações também oferecem vagas à comunidade, capacitando todos num contexto geral. Segundo Mantoan (1997, p. 145), a inclusão:
Questiona não somente as políticas e a organização da educação especial e regular, mas também o conceito de mainstreaning. A noção de inclusão institui a inserção de uma forma mais radical, completa e sistemática. O vocábulo integração é abandonado, uma vez que já foram anteriormente excluídas, a meta primordial da inclusão é a de não deixar ninguém no exterior do ensino regular, desde o começo. As escolas inclusivas propõem um modo de se construir o sistema educacional que considera as necessidades. A inclusão causa uma mudança de ajudar somente os alunos que apresentam dificuldade na escola, pessoal administrativo, para que obtenham sucesso na corrente educativa geral. (MANTOAN, 1997, p. 145).
Segundo a secretaria de educação parte do entendimento, de que tanto a escola quanto a comunidade são vínculos importantes para se trabalhar o papel da inclusão. Vale a pena destacar que embora a família seja o principal núcleo de socialização, será através das relações escolares que se estabelecerá um maior desenvolvimento desses educandos. Nesse sentido a referida política fundamenta suas ações no fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários, considerando que ambos são indissociáveis para o processo de inclusão.
METODOLOGIA
A metodologia desta pesquisa se deu através de entrevista com os alunos, seus responsáveis e o professor, que responderam a questionários semi-estruturados com perguntas abertas. Também obtivemos informações da coordenação da equipe da SEE, que subsidiaram o estudo, e, por fim, as observações foram de extrema relevância para toda a pesquisa. Destacamos que todos estes instrumentos, associados ao amplo estudo do tema, possibilitaram a realização deste trabalho.
Segue, no quadro, o questionário utilizado no estudo, tabulado com as respostas obtidas:
Quadro 1 - Questionário Aplicado e respondido pelo grupo entrevistado
Fonte: elaborado pela autora.
ANÁLISE DOS DADOS
Para a análise dos dados são demonstrados os resultados levando-se em consideração a tabulação das informações dadas pelas pessoas envolvidas nas questões que integram o questionário.
Na seqüência das três primeiras questões do quadro obtemos dados relativos aos alunos da escola, estudados neste caso. Na representação do quadro há a predominância do gênero feminino (02 crianças), enquanto 01 é do gênero masculino. Quanto à faixa etária dos usuários, o quadro apresenta que o grupo possui idade entre 08 e 13 anos. Apesar do Estatuto da Criança e do Adolescente preconizar o direito de todas as crianças à escola, inclusive os com necessidades educacionais especiais, nem todos alunos com deficiência frequentam a escola, pois, durante a entrevista, foi relatado que existem vários alunos fora da escola devido ao fato de algumas famílias não procurarem seus direitos. Mas, a escola procura atender da melhor maneira todos os alunos que a procuram, já que suas vagas são garantidas por lei e eles não podem ser excluídos da sociedade em que vivem. Quanto ao atendimento ao grupo de alunos pesquisados, o quadro demonstra que são pessoas com problemas visuais. Os outros alunos atendidos dentro do AEE desenvolvem outro tipo de atendimento, conforme sua necessidade.
Nas questões seguintes as respostas referentes às perguntas sobre freqüência são respondidas pelos os familiares (Pais e responsáveis) dos educandos, sendo assim o atendimento se da a três anos no AEE de acordo com as respostas tabuladas do quadro.
A quinta pergunta também respondida pelos familiares averigua quais são as atividades frequentadas pelos alunos no espaço escolar. Considerando que eles frequentam várias atividades ao mesmo tempo, optamos por não quantificar os dados dessa pergunta em porcentagem e sim pelo número de pessoas. Conforme descrito no quadro, as atividades são bem frequentadas por todos. Isso demonstra que a participação está pautada nas atividades que visam educação, lazer e saúde, mostrando mais uma vez que o trabalho do professor requer integração e envolvimento, incluindo todos sem nenhum preconceito ou distinção. Na sexta questão as famílias e os professores respondem perguntas proposta para analisar as mudanças na vida dos educandos, ou seja, depois que passaram a frequentar a sala de recurso da escola. Considerando a natureza da pergunta, a análise da questão pautou-se nos depoimentos dos professores e seus responsáveis.
A questão sete faz menção à pergunta que investiga se o (a) educando (a) se sente bem acolhido. Todos os entrevistados responderam que são bem acolhidos no AEE. Salientamos
que o serviço de acolhida, conforme a Política Nacional de Inclusão, deve se dar pautado na perspectiva do direito do deficiente, e é dever da escola, não em forma de obrigação, mas de inclusão.
A oitava questão averigua se as atividades desenvolvidas na sala da AEE estão de acordo com as expectativas dos alunos, desta forma foi perguntado aos alunos “Vocês gostam das atividades da sala da AEE?”. Todos os entrevistados afirmam se sentirem contemplados em suas expectativas acerca dos atendimentos feitos pela escola.
A última pergunta respondida pelas as famílias investiga se os entrevistados têm algumas sugestões para a melhoria das ações desenvolvidas nas salas de recursos. Dos entrevistados, todos responderam mais participação e envolvimento,ou seja escola e comunidade estarem juntas fortalecendo ainda mais o processo de inclusão dentro do espaço escolar.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
As considerações estão baseadas em cima do estudo apresentado. Por isso, quero pontuar que o meu estudo não foi totalmente concluído, pois pretendo continuar com minhas pesquisas nesse sentido, fazer novas análises e obter mais resultados para esse estudo. Neste trabalho foi possível envolver pesquisa, leitura, análise de dados e escrita.
Através das sucintas considerações que irei relatar, isso possibilitará um amplo campo de estudo para esse tema. Assim sendo, o fortalecimento dos vínculos comunitários constituem-se probabilidades de análises e pesquisa para diversas áreas, principalmente para o campo educacional.
O trabalho pauta-se numa abordagem qualitativa realizada através de pesquisas e observações com professor, alunos e responsáveis. Os resultados obtidos na fase empírica da pesquisa revelam que os recursos multidisciplinares utilizados na educação são favoráveis e têm realmente contribuído para que haja inclusão nas salas regulares de ensino no Estado do Acre, fazendo parte na formação de leitores e escritores mais capazes.
De acordo com toda a análise e levantamento dos dados, percebi que o atendimento consegue dar novos rumos à vida dos educandos, e isso pode ser confirmado através da amostra da pesquisa, onde fica muito claro para os participantes que descrevem como são relevantes para suas vidas as atividades interativas e inclusivas oferecidas pelo AEE.
O trabalho desenvolvido com essas ações possibilita maior efetividade e fortalecimento dos vínculos comunitários, familiares e profissionais, dando um novo olhar para aqueles que tanto querem enxergar, fazendo uma integração com cidadania e participação social.
Percebi que a deficiência visual e a inclusão devem ser respeitadas entre as pessoas. A inclusão faz parte de toda sociedade e não apenas do sistema educacional. Ela foi modificada, organizada e estruturada para atender as necessidades específicas, interesses e habilidades de cada aluno.
A inclusão deve ser aceita e respeitada, pois se faz necessária, uma vez que não é apenas a deficiência que torna difícil a existência do portador de necessidades especiais, mas também a atitude da sociedade diante de sua condição.
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