sexta-feira, 3 de outubro de 2014

"A divulgar conhecimentos, pesquisas e tecnologias relacionados com a Educação estimulando a troca, difusão do conhecimento e o debate entre estudiosos. A partir da produção de contribuições criativas e inéditas decorrentes de estudos e pesquisas académicas..."






/====================================================================/

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

A FORMAÇÃO DO PROFESSOR E SUA PREPARAÇÃO PARA A DOCÊNCIA. Mestrando Osias Martins de Lima

A Formação do professor e sua preparação para a Docência.

 ( Osias Martins de Lima)                                              

    2014/ 09/26

_Formar profissionais competentes nos cursos de graduação sintonizados com as demandas do mundo Actual, que tenham senso de justiça social e uma identidade profunda com a cidadania democrática é tarefa que exige dos docentes universitários muito mais do que repassar os conteúdos de sua área específica. Dada a relevância da actividade dos professores nos cursos de graduação, no actual contexto em que as universidades, instituições educativas, sofrem inúmeras pressões para se tornarem ‘universidades de mercado’, este livro dispõe aos professores das diversas modalidades de ensino superior – universidades, centros universitários, faculdades – textos que lhes permita analisar, discutir, compreender os determinantes que interferem em suas atividades de formar os estudantes que ora têm acesso a esse nível de ensino. E assim, se valorizar e valorizar a docência que os identifica como professores.
De acordo com Alvanize Valente Fernandes Ferenc e Ana Cláudia Lopes Chequer Saraiva o caráter formativo da docência vem sendo cada vez mais reconhecido na sociedade atual, apontando a necessidade de se superar os discursos que a consideram fruto de uma mera vocação ou transposição das actuações exitosas no campo de atuação profissional. Ensinar é uma complexa, que requer compreender profundamente a área específica a ser ensinada e seu significado social; a organização do currículo
como percurso formativo; o planeamento mais amplo no qual a disciplina se insere; o método de seu ensino, as acções pedagógicas; os recursos adequados para o alcance dos objectivos; os modos de relacionamento com os alunos e destes com o saber; a avaliação. Esses e outros temas estão presentes neste livro.
A finalidade da educação universitária é a participação no processo de desenvolvimento, a partir da criação e difusão cultural, incentivo à pesquisa, colaboração na formação continuada de profissionais e divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos.


_Pimenta e Almeida denunciam que o comportamento da universidade e de Formar profissionais competentes nos cursos de graduação sintonizados com as demandas do mundo actual, que tenham senso de justiça social e uma identidade profunda com a cidadania democrática é tarefa que exige dos docentes universitários muito mais do que repassar os conteúdos de sua área específica. Dada a relevância da actividade dos professores nos cursos de graduação, no actual contexto em que as universidades, instituições educativas, sofrem inúmeras pressões para se tornarem ‘universidades de mercado’, este livro dispõe aos professores das diversas modalidades de ensino superior – universidades, centros universitários, faculdades – textos que lhes permita analisar, discutir, compreender os determinantes que interferem em suas actividades de formar os estudantes que ora têm acesso a esse nível de ensino. E assim, se valorizar e valorizar a docência que os identifica como professores.
De acordo com Alvanize Valente Fernandes Ferenc e Ana Cláudia Lopes Chequer Saraiva o carácter formativo da docência vem sendo cada vez mais reconhecido na sociedade actual, apontando a necessidade de se superar os discursos que a consideram fruto de uma mera vocação ou transposição das actuações exitosas no campo de actuação profissional. Ensinar é uma acção complexa, que requer compreender profundamente a área específica a ser ensinada e seu significado social; a organização do currículo
como percurso formativo; o planeamento mais amplo no qual a disciplina se insere; o método de seu ensino, as acções pedagógicas; os recursos adequados para o alcance dos objectivos; os modos de relacionamento com os alunos e destes com o saber; a avaliação. Esses e outros temas estão presentes neste livro.
A finalidade da educação universitária é a participação no processo de desenvolvimento, a partir da criação e difusão cultural, incentivo à pesquisa, colaboração na formação continuada de profissionais e divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos,
Pimenta e Almeida denunciam o comportamento da universidade e de Formar profissionais competentes nos cursos de graduação sintonizados com as demandas do mundo actual, que tenham senso de justiça social e uma identidade profunda com a cidadania democrática é tarefa que exige dos docentes universitários muito mais do que repassar os conteúdos de sua área específica. Dada a relevância da atividade dos professores nos cursos de graduação, no actual contexto em que as universidades, instituições educativas, sofrem inúmeras pressões para se tornarem ‘universidades de mercado’, este livro dispõe aos professores das diversas modalidades de ensino superior – universidades, centros universitários, faculdades – textos que lhes permita analisar, discutir, compreender os determinantes que interferem em suas actividades de formar os estudantes que ora têm acesso a esse nível de ensino. E assim, se valorizar e valorizar a docência que os identifica como professores.
De acordo com Alvanize Valente Fernandes Ferenc e Ana Cláudia Lopes Chequer Saraiva o carácter formativo da docência vem sendo cada vez mais reconhecido na sociedade actual, apontando a necessidade de se superar os discursos que a consideram fruto de uma mera vocação ou transposição das atuações exitosas no campo de atuação profissional. Ensinar é uma acção complexa, que requer compreender profundamente a área específica a ser ensinada e seu significado social; a organização do currículo
como percurso formativo; o planeamento mais amplo no qual a disciplina se insere; o método de seu ensino, as ações pedagógicas; os recursos adequados para o alcance dos objectivos os modos de relacionamento com os alunos e destes com o saber; a avaliação. Esses e outros temas estão presentes neste livro.
A finalidade da educação universitária é a participação no processo de desenvolvimento, a partir da criação e difusão cultural, incentivo à pesquisa, colaboração na formação continuada de profissionais e divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos,
Pimenta e Almeida denunciam o comportamento da universidade e de seus formadores frente ao quadro estabelecido e reivindica uma outra lógica profissionalizante desses profissionais, sustentada numa formação que trabalhe as competências de concepção e contextualização da acção profissional e com capacidade crítica.
Professor universitário pode produzir transformações eu sua prática docente? A pesquisa-acção, quando trabalhada numa perspectiva formativa, permite a professores e alunos o desenvolvimento do questionamento crítico a respeito das próprias práticas de ensinar e aprender, bem como da capacidade de transformá-las.
Percebe-se que uma das principais questões relacionadas à actuação do professor universitário refere-se à relação entre ensino e aprendizagem. Trata-se de um assunto bastante polémico, apesar de alguns autores considerarem-no uma falsa questão. Uma das mais importantes opções feitas pelo professor dá-se entre o ensino que ministra ao aluno e a aprendizagem que este adquire.
Para Eunice M. L. Soriano de Alencar e Denise de Souza Fleith nos chamam a atenção para a necessidade de se promover melhores condições ao desenvolvimento da criatividade nos cursos universitários, observa-se escassez de estudos empíricos avaliando a extensão em que comportamentos docentes, que favorecem a expressão da criatividade, têm sido apresentados por professores universitários e em que frequência. Nota-se também uma carência de instrumentos padronizados que visem a avaliar a extensão em que
professores vem apresentando comportamentos e práticas docentes que favorecem o desenvolvimento e expressão das habilidades criativas de seus estudantes.
Muitos professores, ao se colocarem à frente de uma classe, tendem a se ver como especialistas na disciplina que leccionam a um grupo de alunos interessados em assistir a sua as aulas. Dessa forma, as acções que desenvolvem em sala de aula podem ser expressas pelo verbo ensinar ou por correlato, como: instruir, orientar, apontar, guiar, dirigir, treinar, formar, amoldar, preparar, doutrinar e instrumentar. A actividade desses professores, que, na maioria das vezes, reproduz os processos pelos quais passaram ao longo de sua formação, centraliza-se em sua própria pessoa, em suas qualidades e habilidades. Assim, acabam por demonstrar que fazem uma inequívoca opção pelo ensino.

Texto investigativo, De Osias Martins de Lima, Aluno Mestrando em Ciências da Educação e colaborador desta Revista Cientifica.

OBRAS ANALISADAS:

1. Pedagogia Universitária: Caminhos para a formação de Professores. Selma Garrido Pimenta e Maria Isabel de Almeida.
2. Os Professores Universitários, sua Formação Pedagógica e suas Necessidades Formativas. Alvanize Valente Fernandes Ferenc e Ana Cláudia Lopes Chequer Saraiva.
3. Inventário de Práticas Docentes que Favorecem a Criatividade no Ensino Superior. Eunice M. L. Soriano de Alencar e Denise de Souza Fleith.

sábado, 13 de setembro de 2014

POLÍTICAS PÚBLICAS PARA A EDUCAÇÃO. Mestranda Pascale Silva Souza





 Políticas Públicas para a Educação.                                  

Mestranda Pascale Silva Souza  

2014/09/13


Vamos começar com um entendimentos sobre a educação mundial e o impacto tecnológico , gerenciamento do trabalho, cidadania em sociedades plurais e multi-informatizadas.
           Afinal  de que estamos falando?
Frente ás novas tendências mundiais que surgem a todo instante podemos crer que os novos desafios dos modelos educacionais passam pela informatização além é claro das mudanças provocadas pelos novos padrões de comportamento social em uma sociedade em busca de constantes paradigmas.  O que temos hoje na realidade educacional brasileira?
Nos países desenvolvidos reconhece se que o preparo da população se dá através do conhecimento e da criatividade incluindo os fatores cognitivos que colaboram para a formação de competências educacionais e promovem o ajuste das competências sociais.
A Educação é a ferramenta que esclarece e capacita para que um país avance e seja capaz de enfrentar todas as mudanças sociais, políticas e éticas. A educação contribuiu para um juízo critico de valores e auxilia no engajamento social de novas competências políticas e atuais. Contribuiu de forma significativa para a aquisição dos valores críticos e incentiva as mudanças positivas e norteadoras de um novo caminho social.
Na América Latina as dificuldades econômicas, políticas e sociais  ainda resultante da cultura colonizadora e até recentemente das ditaduras existentes, deixaram um marco de desvalorização da educação. A prioridade de sobrevivência impele a maioria dos jovens a procurar sub-empregos para se manterem ou mesmo para se submeterem a ideologias importadas de outras culturas onde se valoriza o tênis da marca tal, não se importando o seu valor monetário muitas vezes estratosférico .
A educação é relegada a um segundo plano apenas para se obter um certificado que permitirá fazer um curso profissionalizante.Mas a educação assim sendo compreendida não avança enquanto ferramenta de promoção do entendimento da libertação do jugo ideológico, promovido por artimanhas de um mercado interessado em mão de obra barata e sem esclarecimento.

Essa nova sociedade tecnológica que surge interessada na maximização do tempo e caracterizada pelo aparato tecnológico. Mas que ao mesmo tempo sendo competitiva exige não a individuação mas sim ao trabalho em equipe que seja ao mesmo tempo autonômico e individual, flexível e integral no sentido de corresponder ás expectativas funcionais desse novo modelo .
A nova visão do perfil gerenciador das realidades tecnológicas requerem pessoas capazes de gerir e resolver problemas de alta complexidade em tempo mínimo.
Mas o pensamento racional nesta nova modalidade não poderá ser meramente técnico e diretivo. Também deverá ser subjetivo , abstrato e analítico além de flexível. A capacidade de comunicação e liderança são superiores aos feixes tecnológicos .
O homem tem que estar acima dos sistemas que ele criou para auxilia-lo em suas necessidades funcionais.Desta forma as realidades desafiantes como agora surgem , direito do consumidor , preservação do meio ambiente e direitos humanos são resultantes de uma sobreposição aos métodos puramente tecnológicos.
Caberá a escola implementar em sua realidade social uma educação voltada para o futuro, evitando assim a fragmentação do exercício profissional resultante da pratica pedagógica puramente essencial. Assumir uma capacitação humanizada e humanística para que se forme um novo profissional critico e produtivo.
          O crescimento econômico por si apenas melhora a Educação?
 Incrível é o fato de que o crescimento econômico brasileiro não trouxe mudanças significativas na educação fundamental e nem mesmo conseguiu de fato extinguir as diferenças sociais de modo significativo. Aquele que detém melhor capital financeiro não conseguirá dele usufruir senão for educado para  tal.
Elevados padrões sociais embasados no consumismo exacerbado e acrítico , fundamentado no modismo, sem aplicação de uma visão ética e moderada refletem uma falha histórica na educação. É a fartura dos recursos e a falta da educação para usufruir que promove o desperdício . Educação para o consumo, esclarecimento sobre o fetiche da mercadoria e sobre a supervalorização de um  produto que vende a ideologia e não a matéria prima. Quem pode comprar está inserido no mercado e quem não pode está excluído do mesmo. Uma consciência critica mercadológica seria contrária ao capitalismo? A menos que o que se pretenda seja o lucro superlativo e alienador em uma sociedade sem valores de base. Isso não ocorreria em uma sociedade mais igualitária e de valorização do ser humano .
                   E o impacto tecnológico ?
Se a escola está atenta e se prepara para novas mudanças não  há o que temer.
                                                                                                                               
Mas se ao contrario ela é elitizada e não está interessada na inclusão social continuará a formar caracteres específicos de uma era tecnológica puramente capitalista e exclusivista. Além do mais correrá o risco de tentar excluir ou ignorar os que não podem a ela aderir. Mas o direito á educação não pode ser de alguns apenas. É exatamente o modelo democrático  abrangente  reformulador e inclusivo que irá caracterizar a educação . Através de sua contribuição poderá formar elementos sociais hegemônicos e produtivos de bom nível e de similar competências.
É a educação a atividade de base que permite a formação de uma consciência critica facilitadora e mantenedora dos novos modelos sociais organizadores e seletivos. Não se pode crer ingenuamente que somente a Educação seja capaz de transformar as realidades adversas que são resultantes de modos culturais, dominações ideológicas e necessidade de sobrevivência, onde muitas vezes o instinto fala mais alto. Porém há de se convir que a educação possui uma importante chave para a construção de uma sociedade mais justa.
           

                                               SEGUNDA PARTE;

   Mediante todo o aparato de transformações sociais , políticas e tecnológicas perguntamos:
     
              Como está a educação fundamental no Brasil?
Parece haver uma distancia quilométrica entre a educação básica e o ensino médio.
Além do mais o ensino superior e a investigação cientifica e as novas realidades tecnológicas aumentam por assim dizer toda essa distância. Quantitativamente houve aumento funcional no número de vagas. O projeto da escola integral no entanto parte do principio de algumas horas a mais na escola. Mas por educação integral entenda se um conjunto de ações que permitam o aproveitamento máximo dessas horas a mais na escola. A escola integral deverá oferecer algo a mais além da extensão da carga horária. Algo que enriqueça o currículo e aumente a satisfação de se permanecer na escola, do contrário será apenas um sacrifício a mais, sem utilidade proveitosa.
                                                                            
O modelo hermético e tradicional  de ensino sendo um publico e outro particular, cria duas realidades distintas. A demagogia política aliada de um sarcasmo burocrático e tendencioso que busca a produção em massa de consciências inertes e aliadas em justificativas de pseudo-educação. Na tentativa de melhoria da educação apareceram muitos projetos que falharam. A escola plural que não reprovava apresentou em seus resultados alunos que sequer sabiam fazer uma redação e não tinham nenhuma consciência critica do que quer que seja. Não passavam em concursos, não sabiam preencher currículos. Hoje a maioria deles resgatou o atraso em atualizações ou fizeram estudos á parte. Muitos vivem de sub-empregos, poucos alcançaram a faculdade e muitos  tiveram desempenho inferior aos demais.
Parece ressonar ainda hoje os resquícios da ditadura onde se impunham as decisões a nível central, restando para as escolas apenas obedecerem. As delegacias de ensino como eram chamadas, nome estranho que se refere ao mesmo tempo a instituições de combate ao crime . Hoje são as superintendências e secretarias.
Um mal planejamento educacional onde a inserção escolar se dá nas primeiras series de forma estratificada facilitando assim a perpetuação de um sistema quase falido que muito deixa a desejar. A distribuição dos recursos humanos nos trabalhos extra-classes poderiam a principio priorizar o ajuste psicopedagógico.
     Hoje em dia observa-se maior facilidade de acesso ao curso superior. No entanto a qualidade dos cursos de graduação deixam muito a desejar. O crescimento econômico, o dito milagre brasileiro não se importou em estruturar bases para uma sociedade mais igualitária, interessou se em mostrar números que alavancassem a próxima eleição política. O resultado é claro: sabe se usar o smartfhone mas não sabe redigir e interpretar um texto. Passa se o ensino fundamental minimizado, atravessa o ensino médio e ingressa se na faculdade sem a formação de consciências criticas e de valores formadores de opinião e de conceitos.
Haverá algum aferidor do aproveitamento do ensino fundamental no Brasil?
Egressos da sub-escolarização puderam ingressar na faculdade deslumbrados com as facilidades jamais vistas. Um frágil sistema educacional desde as suas bases até a universidade refletiram o modelo de ensino fragmentado e desconectado do governo federal, estadual e municipal.
 No entanto vinte anos se passaram desde essa pesquisa da professora Guiomar. O quadro que se apresenta hoje (2014) é menos grave porem ainda deixa muito a desejar. Os interesses políticos sobrepõem aos educacionais. A falta de infra-estrutura na porta de entrada do ensino brasileiro que é o ensino fundamental deixa como resultado o alto índice de fracasso escolar traduzidos em mal aproveitamento, repetências e evasão escolar.

Afinal o que há  de errado com o ensino fundamental no Brasil?

          Embora o pais avance em equidade social há alguns graves problemas que não puderam ser solucionados ainda. Os baixos salários e as péssimas condições de trabalhos dos professores. Os desvios de verbas da educação. A desestruturação familiar, o uso de drogas disseminado, além da  importação de ideologias de consumo aliados a falha na educação dos princípios, parecem ser fatores importantes na deficiência do ensino brasileiro. Hoje em dia não se fala mais em greve na educação, porém as paralizações embora de curta duração apontam a possibilidade de uma parada prolongada nas atividades caso não haja acordo. Há paralizações freqüentes que interrompem o fluxo educacional empobrecendo o ensino. Como educar assim?
 Ao se matricular na escola fundamental o que se espera a principio será a alfabetização. Essa sempre ocorre pois a criança pequena não é tão trabalhosa e os aspectos psicológicos são compensadores. Mas a medida que ao series avançam aumenta as dificuldades de toda ordem. Falta de tudo desde insumos básicos até material didático. Os recursos humanos se esgotam e os professores adoecem emocionalmente e fisicamente. Desistem da profissão ou nela continuam como autômatos programados para passar o conteúdo.
 Há um distanciamento entre o corpo de ensino e a secretaria de educação. Parecem ser duas realidades diferentes.  Além disso observa-se um estranho tropismo de escolas melhores assistidas onde há um maior de poder aquisitivo.
O preenchimento de todas as vagas não é garantia de sucesso escolar. Muitos serão excluídos do processo educativo não alcançando melhores resultados e não conseguirão acompanhar os progressos sociais e tecnológicos, formando uma população de  pseudo-escolarizados. Estando fragilizado o ensino fundamental publico percebe se um sistema pré concebido que dificilmente será combatido e que formará pessoas com menor chance de uma educação sólida e abrangente.
A escola publica fundamental devolve para a sociedade o que dela recebe. Neste circulo vicioso e fortemente estabelecido com premissas que parecem ter sido calculadas por um sistema indigno ao qual somente através de um trabalho progressivo e duradouro de uma reforma integral e autentica é que poderá se iniciar uma nova historia da educação fundamental.
                                                                                                             
                                    TERCEIRA PARTE:

O que poderá ser feito ?
O certo é que entre as idéias  e a efetivação das mesmas há uma distancia muito grande. Os que conseguem chegar ao curso superior podem contribuir para um país melhor e com uma estrutura educacional mais solida. Não se diz respeito aqui apenas á questão tecnológica e científica, mas também em termos de humanidades.
           O quadro que agora se apresenta em termos de fracasso do ensino fundamental está legitimado pela falência do sistema educacional publico, bem como dos problemas sociais de toda ordem, violência, drogas e desestruturação familiar.
A saída de curto prazo parece ser estabelecer prioridades urgentes e nelas investir.
Neste contexto a seguinte pergunta deverá ser feita: O que se espera da escola ?
Qual ensino é viável segundo a condição social de cada município? Desta forma as primícias devem ser como inserir no ensino fundamental os valores indispensáveis para o exercício da cidadania. Como elaborar o conhecimento cognitivo em prol de um desenvolvimento educacional integral , cientifico e humanitário.
Educar para a era tecnológica não será apenas prezar o binômio industria/consumo mas também que se oriente na formação de bons hábitos voltados para a pratica consciente do consumo critico . Os recursos naturais também se acabam .
Temos a imprensão que a pirâmide educacional está invertida, ou seja : a base que são os primeiros 9 anos não se sustenta . Confere certificado de conclusão ao aluno que mal dá conta da leitura e escrita. Cálculos ,noções básicas de ciências e relações humanas ficam a dever. A solução além de ser a consolidação de um núcleo solido de disciplinas  seria  também de anexar no tempo extra-classe as disciplinas ou atividades formadoras e auxiliadoras no processo educativo. Começa se agora no Brasil a falar em educação integral. Esta nova proposta se bem acompanhada de respeito ás diversidades culturais, regionalismos e heterogenia social bem poderá contribuir para que a educação integral se consolide de forma real e proveitosa.
Não obstante a extensão territorial brasileira seja um dificultador da homogenia do ensino, por isso mesmo será necessário um plano nacional de estudos de todas as realidades escolares.  Poderia começar a fornecer um currículo solido e preparatório para que o jovem aos 14 anos recém saído do ensino fundamental já apresentasse uma boa aquisição de conhecimentos . O ENEM( exame nacional do ensino médio) também deveria ter um similar no ensino fundamental . Assim a atuação da educação seria em redes sustentáveis de aferição de valores. Uma base solida desde o ensino fundamental até o nível superior.
                   E quanto a questão das repetências?                                               
A principio seria necessário avaliar quais são os fatores que geram repetência. Esses motivos já sabemos vão desde a desnutrição até aos problemas familiares, sociais e educacionais. Sabemos que os motivos de repetência no Rio De Janeiro não são os mesmos da Amazônia.. O estudo minucioso e sistemático da reprovação bem como da aprovação são necessários para que se trace paralelos e tragam uma compreensão maior. De nada adiantara atitudes estranhas como aquela que foi adotada a um tempo atrás chamada de Escola Plural1 .  Tal atitude somente piora a desigualdade no ensino. Quem concluiu a escola plural fundamental terá que se esforçar e muito para conseguir prosseguir nos estudos. A interferência do Estado não deve ser de uma metodologia isolada. Além  de todos os investimentos básicos deverá haver uma conectividade que possibilite a interação organizacional interativa e participativa de todos os setores envolvidos no processo educacional.
A legitimação autonômica de cada unidade escolar conferindo lhe o poder de gerir a si mesma construindo assim a sua identidade institucional e embora ainda submetida a verticalização e hierarquização é um setor independente e autonômico        podendo assim estruturar se em bases solidas o seu próprio programa de ensino, com base em suas realidades regionais , sociais e econômicas.
Esta autonomia das escolas fundamentais poderá ser usufruída com os mesmos critérios das universidades federais do Brasil, onde a liberdade pedagogica é própria e livre , mas que também possui o seu próprio método de avaliação e aferição dos resultados e aproveitamentos. Para um plano de ação de tal magnitude será necessário rever inclusive os processos burocráticos e participativos da comunidade de forma objetiva e co-participativa nas praticas docentes. Obviamente não se pode acreditar que somente a educação seja a cura de todos os males sociais do Brasil e      que a simples presença dos pais nas reuniões seja suficiente para uma tomada de consciência educativa. Caso não haja uma estrutura interna de nada valerá as resoluções tomadas e também não se poderá querer que a escola resolva os problemas que não lhe dizem respeito como questões de alimentação, saúde e drogas.  Mas nada impede que dentro do seu espaço físico seja feito nos horários extra curriculares intervenções para minimizar tais problemas.
O Estado por sua vez deve manter o custeio e tentar reduzir as desigualdades sociais e regionais.  Investir na formação do docente além de elaborar um currículo sólido respeitando as diferenças regionais, porém com um núcleo bem estruturado de acordo com uma formação integral e realista , condizente com as exigências escolares e sociais.  Não se pode esquecer da qualificação e capacitação do professor para que ele consiga acompanhar e gerir esta mudança.

1. Escola plural: modelo inovador de educação publica implantado em Belo Horizonte (1993-1996) apesar de ser uma excelente proposta esbarrou na progressão automática e os alunos eram aprovados sem critérios.                                                                                          
                                                                                                                                      
Entretanto a colaboração mutua entre Estado, município e União se vê prejudicada pelo partidarismo político e as verbas destinadas á educação sofrem atrasos e vergonhosamente temos que admitir sofrem extravios.
Comenta se hoje que no Brasil que todos tem acesso á educação fundamental. No entanto de qual educação estamos falando? Salas de aulas lotadas, professores mal remunerados e ameaçados pela violência. Falta de insumos básicos e professores mal capacitados .  Assim a classe na medida que avança em series vê deixar para trás um grande numero de alunos e   os que heroicamente permanecem formam se sem uma educação de qualidade. A menos que por outros métodos como aulas particulares puderam acrescentar em seus currículos os  conhecimentos mais aprofundados. Infelizmente ainda se vê aqueles que apesar de estarem no ensino médio mal sabem ler e escrever e não conseguem redigir uma redação de qualidade, muito menos interpretar um texto com uma complexidade maior.
Ao final do ensino fundamental , médio e superior receberá um certificado de pouca credibilidade no mercado e será um profissional medíocre. A isso tudo somam se os alunos de escolas particulares que de certa forma apresentam um aprendizado de melhor qualidade. Há então duas modalidades de ensino, quem pode pagar e aprende melhor e quem não pode pagar e aprende menos.
A educação publica sempre esteve submissa ao poder político e por vezes é slogan da campanha de eleição. Quando entra em cena o fator monetário e político aparecem os interesses escusos e estranhos á educação. Discursos demagógicos são proferidos . Disfarçadamente escondem uma manipulação oportunista na qual a Educação qualitativa é apenas uma ferramenta para se conseguir mais votos na urna eleitoral.


               QUARTA PARTE:

Diante de tudo isso o que fazer?

Parece então que a educação fundamental brasileira está deficitária e de forma crônica. Neste momento a capacidade de auto-gestão seria o sinalizador da autonomia . No entanto somente poderá ser conseguida com uma rede de apoio entre professores , funcionários  e comunidade. A estabilidade do profissional também proporciona para a escola uma experiência mais consolidada.                 

Alguns fatos como boa escolha da direção como sendo alguém com um perfil político bem enajado e inovador. A visão globalizada política e ética bem como conhecimento de todo processo de custeio de  uma escola ,aliada a uma visão critica e motivadora, irá influenciar na hora da escolha da direção.   O plano de ação do candidato eleito deverá ser examinado durante seu mandado . Instrumentos de aferição de progresso escolar ajudará na avaliação dos resultados pedagógicos.
Em se tratando de capacitar  docentes não basta programas rígidos e pré-fabricados. Há de se considerar as vastas possibilidades pedagógicas vivenciadas .
Educar o docente para que ele eduque melhor. Avaliar através de respostas pedagógicas se houve acréscimo positivo no desenvolvimento escolar do aluno.
Outra questão é o livro didático que ainda é  usado em larga escala nas escolas publicas. Desde que esse artigo foi publicado (1991) pouca coisa mudou e o livro digital embora já seja utilizado em algumas escolas publicas é uma minoria . O livro  didático tradicional além de ser muito importante representa a parte material do ensino . Possibilita que alunos carentes tenham direito a possuirem livros.Mas em algumas vezes o conteúdo pedagógico é menor que o necessário e devido a vários fatores nem sempre seus estudos são levados até o termino. O livro didático com sua capacidade de estimulo á leitura e apoio técnico é uma prioridade na vida escolar e deveria chegar juntamente com outras provisões. O conteúdo    dinâmico bem como a qualidade de produção  e  durabilidade  contribuem de forma significativa no processo cognitivo e devem ser  valorizada tanto a sua produção qualitativa composta de um material pedagógico de boa qualidade condizente com uma educação de qualidade que deverá ser respeitada. O momento mágico em que a criança abre um livro sentindo lhe a textura e as cores é de vital importância para que se desperte o interesse do aprendizado. Entre os alunos de menor favorecimento social é o livro que permitirá a entrada para o mundo das significações e das competências didáticas.
        E além das demandas pedagógicas?
No que se refere ao tempo extra-classe esse poderia ser utilizado para oferecer prestação se outros serviços como reforço escolar, educação informal de assuntos ligados a dependência química, sexualidade e saúde. Obviamente tudo isso de acordo com a comunidade e com custeio extra de recursos humanos e financeiros.
           
Enfim, e o professor?
Sabidamente os alunos de licenciatura provem das classes menos favorecidas da sociedade , geralmente trabalham de dia e estudam á noite.  As vagas nas licenciaturas sobram de fato e assim é mais fácil ingressar na faculdade. Porem esse quadro vem mudando com a grande oferta de empregos no Brasil(2014)

Hoje em dia poucos jovens se arriscam na carreira do magistério. Não há incentivo, os salários são baixos e emocionalmente é massacrante. Desta forma as vantagens de ser tornar professor deveriam ser bem especificas . Monetariamente , intelectualmente e compensadora emocionalmente.  Mas o que se observa é o contrario.  Sem uma reforma verdadeira na educação que vá desde os recursos financeiros até uma política inovadora que invista no ensino fundamental que é a base de todo o ensino não haverá mudança possível.  Vocação apenas não será suficiente para solucionar os problemas do exercício profissional. Salário digno, estimulo, capacitação e valorização do magistério ligados á uma mudança na mentalidade social poderão ajudar na reforma da educação. É alarmante mas é verídico, já começa a faltar professores no Brasil. Um ciclo vicioso se instalou e os professores adoecem, desistem da carreira e até em uma atitude de defesa ensinam de qualquer jeito ou do jeito que conseguem.  Não será possível dessa maneira mudar em nada o atual quadro . Sem a cooperação da sociedade que por sua vez tem o direito de estabelecer critérios de cobrança. A educação não pode ficar isolada Debates públicos e inclusão nos orçamentos participativos além de uma exposição realista na mídia. Tudo isso poderá sensibilizar a sociedade . Devido a uma cultura estranha as noticias de crimes tem sido melhor acompanhadas do que as noticias sobre a educação. Sem uma mudança radical nos padrões de valores e de  comportamentos não haverá como transformar o atual quadro da educação no Brasil e então a base da pirâmide educacional que é o ensino fundamental continuará deixando um vazio pedagógico que posteriormente fará diferença para quem deseja prosseguir nos estudos ou conseguir boas colocações no mercado de trabalho.

                                                                                                                                                   CONCLUSÃO:


A corrupção política aliada a uma burocracia partidária com desvalorização do docente  além das dificuldades sócio educativas existentes no Brasil contribuem para a manutenção da base fragilizada da pirâmide educacional.
Apesar de já termos avançado muito nos últimos anos não se pode esquecer que o Brasil é um pais de dimensões continentais e que a heterogenia social dificulta uma melhor avaliação de todo o sistema de ensino.
A repetição de um sistema falido não ajudará a encontrar novos caminhos. Porem se não encontrar uma saída em breve não haverá mais professores .
Como toda sociedade apresenta transição de valores e progride, a educação fundamental também haverá de encontrar novos caminhos que lhe possibilitem a dignidade e solidez necessária ao seu bom andamento.
O PNE( Plano Nacional de Educação ) que pretende equiparar a educação brasileira com a educação dos países mais desenvolvidos nos próximos anos compromete se em mudar o atual panorama . 
O tempo dirá se as novas medidas serão levadas ao termino até que se consolide uma nova educação. Do contrario como foi bem colocado no trabalho de Guiomar Namo de Mello, a educação fundamental brasileira estará de costas para o futuro.

(A Professora Pascale Silva Souza e Mestranda em Ciências da Educação e colaboradora desta Revista digital.)

Referencias : GUIOMAR,Mello de Namo. Politicas públicas de educação.Estudos avançados.1991.(Artigo).

sexta-feira, 18 de julho de 2014

BUSCANDO RIGOR E QUALIDADE. Mestrando Thadeu Ximenes



/                                                     Buscando rigor e qualidade.



BUSCANDO RIGOR E QUALIDADE.

“ A pesquisa em educação está em que buscando-se rigor, encontrarás conhecimento verdadeiro, ao sacrifício da crença e opinião particular (doxa) para então projetar-se as ideias como conhecimento inteligível, justificado e verdadeiro”

Mestrando Thadeu Ximenes
2014/07/18

Ao ler o texto em questão, disponibilizado pelo meu Coordenador do Mestrado, como minha primeira atividade confesso, não surpresa, mais, prazer ao descobrir um trabalho tão bem elaborado e com facilidades de entendimento, e aí, parabenizando o meu Professor Jairo pelo bom gosto da escolha, pelo carinho com que indica obras para os trabalhos dos seus alunos mestrandos.

Por outro lado e ainda meio que inseguro mais um tanto eufórico para realizar um trabalho desejável e aceito, devo dizer que a minha formação como filósofo, jornalista e professor poderá me levar por caminhos até mais difíceis para Eu pois a cada momento, a cada texto ou livro chegado as minhas mãos tem-me aumentado as preocupações quanto aos discursos elaborados e por vezes conflitantes em si mesmos. Isso já me remete em que a exigência (impressa à Eu mesmo) me leva, por vezes a condicionar que as dissertações contidas nesses veículos literários ficam um pouco aquém dos juízos morais e éticos quando se apresentam, apenas, recorrentes ao que propõem, mas sem ater-se a reflexões éticos-morais que me parecem, sem dúvidas, artefatos semânticos imprescindíveis para o melhor entendimento e coerência com a realidade atual.

O interessante nos textos (em grande parte) direcionados às áreas, quer seja, de sociologia, educação, filosofia, afins as áreas das ciências humanas apresentam in Loco discursos extremamente retos sem reflexões mais amiúdes onde possam ser catalogados indícios apontando o surgimento, o início, enfim a origem do tema e em que situação está vinculada a ideia em foco.
Essa observação é a que mais me tem chamado a atenção no que tenho lido ultimamente: a ideia é sempre apresentada, falada, cantada, escrita mas com uma retórica meio que ilusória.

A contextualização se apresenta sempre como um histórico bem elaborado, apresentável, mas de maneira muito inventariante e até mesmo de aspecto inventório... é como se houvesse um domínio do assunto, mas incipiente, principalmente se o trabalho tem cunho científico não apresentando nem apontando dados, na maioria das vezes, suficientes para credibilizar o tema contido na discussão. No decorrer do meu texto tentarei deixar mais claro para o meu coordenador o que disse até aqui.
Bem, voltemos ao texto em questão. Como disse anteriormente, não sei se por mania ou formação tudo para eu torna-se motivo de reflexão com o intuito, é claro, de restabelecer, porventura, alguns tópicos que poderiam ter sido banalizados, ainda que, inconscientemente.

Começo, então, pela importância dada no texto a questão do conhecimento para a formulação de uma pesquisa, esta em educação, quando o próprio tema educação é bastante híbrido ao ponto de se transformar em algo a ser questionado sobre o seu balizamento, sob pena de não o fazendo acatá-la como objeto específico – ciência da educação - tal é o seu grau de desdobramentos ao se pensar o tema educação.
O pesquisador ao se propor a efetuar um trabalho desse quilate deverá estabelecer uma relação de reciprocidade entre sujeito e o objeto (pesquisador/pesquisa) da educação, e ai então, me parece surgir o primeiro problema dialético.

Como evidenciar um grau de equidade ao tema quando o próprio tema educação é vasto por concentrar inúmeras disciplinas que deverão ser conciliadas entre si. Assim sendo, como responder, por exemplo, se existe uma pesquisa educacional específica, original ou esse é o nome dado a um conjunto de pesquisas de variados temas educacionais, inclusive da formação, num todo, ou existiria uma área de saber designada educação(ou ciência da educação), ou o nome não importa e o interessante é ser afim à área do saber, da formação de conhecimentos. Então, em decorrência do hibridismo com que é entendida a educação já existe alguns grupos de pesquisadores a defender a especificidade do tema, haja vista, que se for efetuado um questionamento sobre qual pesquisa se trabalha, comumente a resposta educação será aceita, mas se refletida calmamente, veremos que epistemologicamente se apresentará como fraca, produzindo, com efeitos, antíteses variadas. Ao se estabelecer um grupo de pesquisas em uma instituição veremos que cada um estará em uma área, como: sociologia, filosofia, psicologia mas todos incluídos em um só departamento de pós-graduação de uma faculdade - de educação.

Até aqui, não estamos fazendo nenhuma defesa à especificação da pesquisa em educação, mas tendo a intenção de trazer a tona alguns aspectos que nos parece fundamentais quando se declara pesquisador(a) em/na educação, tanto são os problemas a serem re-vistos, sob pena de não o fazendo não chegarmos sequer a nos aproximarmos do rigor e qualidade buscado pela Professora Marli André, da PUC-SP. O problema, no entanto, não é novo. O maior expoente no assunto educação foi o filósofo Platão quando idealizou para as Pólis – cidades estados – um modelo educacional capaz de trazer harmonia à todos através de três segmentos virtuosos, sendo eles: Virtude da temperança, coragem e sabedoria, quando sucessivamente se apresentam na seguinte ordem: Virtude da temperança composta por artífices e comerciantes e portanto ligados
aos desejos e apetites do progresso; Virtude da coragem, formada pelos fortes e corajosos com a missão de defender as cidades e o Estado e finalmente a dos Sábios, capazes de dirigir e governar, para assim, contemplar a harmonia, equilíbrio e justiça.

Podemos notar que já naquela época o tema educação era vasto e profundo ao atingir os mais diversos modelos de pensares, mas mesmo assim, ele o defendeu como um modelo ideal ao alcançar a poesia, a música, a ciência e a filosofia...Com isso, segundo ele(Platão) ao condicionar o seu triângulo equilátero (lados iguais) dá a oportunidade ao homem de ser homem, porquanto a discussão deverá ser perene pois foram exatamente os gregos a aplicar a Paideia – educação – como problema, quando se iniciaram os questionamentos do conceito educação, seja na poesia, tragédia ou na comédia. A paideia, então, passou a ser um processo educacional no qual os estudantes eram submetidos a um programa a atender todos os aspectos da vida: geografia, história natural, filosofia, música, literatura e ginástica para prepará-los como cidadãos justos, de Athenas.

O parágrafo anterior me pareceu cabível em virtude do conceituado tema apresentar essa vasta ramificação o que nos leva a continuar refletindo sobre o que seria a pesquisa em educação, e ainda mais, rigorosa. Assim, me parece também, que discursar exaustivamente sobre o assunto educação é benéfico, é claro, mas não tão producente como deveria, frente a essas constantes lacunas encontradas e a mercê de esclarecimentos ou posicionamentos que nos deixe à vontade para decidir sobre quais eixos da educação a pesquisar pois que, a Educação como tema científico é inexistente, segundo o Professor Dr. Bernard Charlot, da UNESCO e Universidade de Paris, quando diz: “ Falar da pesquisa da educação, enquanto conceito educação, apesar de pluralístico, não existe... ou sim, mas em pesquisas de vários campos que compõem a educação tornando-a inter e transdisciplinar...”

Permita-me ousar, mudar às vezes, o discurso contumaz e aceito sempre, mas, me sentindo parte do universo da educação e representando uma dessas facetas que a compõem, de cunho pedagógico - a filosofia - como poderia ser uma outra qualquer, procuro manejar a maneira de olhar com um certo ceticismo, ou até mesmo, admiração ou espanto como diziam Platão e Aristóteles. Mas porque o ceticismo? Não ví nem consegui sentir nas pesquisas que tenho lido uma relação estratégica ou mesmo didática ou histórica que demonstrasse uma cumplicidade entre o pesquisador e a pesquisa.

Mesmo o texto da professora Marli, em determinado momento nos mostra, por exemplo, se determinado pesquisador se identifica, tem interesses e quais, em detrimento até das agencias fomentadoras que bancam as pesquisas e por conseguinte também têm seus interesses, e, nada mais natural do que esse tipo de comportamento afinal a postura do ser humano, mesmo se a tendo modelos de falácias sobre as ideias coletivas no sentido de atender à todos, se torna ilógica...os interesses e defesas são produtos de ações para sacramentar o individual. Haja vista, o alto grau crítico contemporizado quando são encontradas falhas estruturais e conjunturais na apresentação de alguns projetos científicos, ora no tocante as ideias vinculadas, ora nas condições e rigor das análises investigatórias em andamento.

Na minha percepção um dos pontos chaves do texto da Professora Marli André é quando no tópico QUESTÕES E QUESTIONAMENTOS fala da diversidade com que a temática educação nos envolve - métodos , enfoques e contextos - para a partir daí planejar o que se pretende abordar. Não há dúvida de quando se falar em projeto de pesquisas esqueçamos a importância do conceito de conhecimento, objeto do qual será extraído toda a fundamentação necessária para a apresentação do mesmo. Quando, então, ela enfatiza sobre a relação entre conhecimento científico e outro tipo de conhecimento, diríamos mais importante ainda seria: O que é o conhecimento, e mais, a origem do conhecimento.

Sem, é claro, admitir o fechamento da questão, me parece já caminharmos para uma fase conclusiva ao nosso propósito, pressupondo que o conceito de conhecimento está em que dá-se o nome de conhecimento à relação estabelecida entre o sujeito cognoscente(ou uma consciência) e um objeto a ser conhecido. Entendendo que evocando todas essas etapas que o conhecimento (verdadeiro ou ilusório) disponibiliza, acredito, teríamos uma pesquisa em educação bastante rigorosa e capaz de responder com claridade a inúmeros questionamentos, quanto sua especificidade ou não, bem como, se predominaria o conhecimento científico ou outro, lembrando que os conflitos existentes nessas áreas – humanas ou científicas - já foram sucumbidas bastando lembrar já não haver espaço para as verdades absolutas como pleiteia a ciência, até porque, historicamente, a área das humanas é a genitora do cientificismo. Não há como abstrair qualquer grau de ideias sem envolver o coletivo, social e o cultural.

O professor,  filósofo e jornalista Thadeu Ximenes e Mestrando em Ciências da Educação e colaborador desta Revista.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

COMPETÊNCIAS ACADÉMICAS DOS PROFESSORES DE ENSINO SUPERIOR 


LIDERANÇA E COMUNICAÇÃO.

*Por Fernanda Oliveira

Ser professor de ensino superior significa trabalhar com uma gama de habilidades relacionadas às relações interpessoais e competências distintas, dentre elas, liderança e comunicação académicas, trabalhando com pro actividade  comprometimento, abertura às novas ideias e ao diálogo, reformulando valores e relações sociais. Estas competências são fundamentais para o sucesso e o desempenho esperado na relação docente-discente.

Liderança.

Os professores como líderes, devem conduzir seus alunos, transformando-os em uma equipe académica que gera resultados individuais e colectivos  Neste sentido, devem motivar e influenciar os discentes, de forma ética e participativa, contribuindo entusiasticamente para que objectivo académico, pessoais e profissionais sejam alcançados.  

Portanto, necessitam desenvolver novas habilidades e novas competências, trabalhando com atitudes inovadoras com relação ao acompanhamento e à orientação de seus alunos. Estas competências devem estar ainda, direccionadas ao fomento da pesquisa educacional, ferramenta fundamental para a formação dos universitários, uma vez que, nos dias actuais  eles esperam uma nova postura de seus professores.

Neste processo desenfreado de globalização do qual somos parte integrante, o professor de ensino superior, com o papel de simplesmente agente de transmissor de informações, precisa ser substituído por aquele que lidera seus alunos, ou seja, o que facilita, organiza e influencia.
Liderança não é um assunto simples de se definir e, com o advento do processo de globalização das três últimas décadas, conceituá-la ficou ainda mais complicado.  Este novo momento da humanidade requer novas análises e reflexões.

Assim, novos processos educacionais deveriam exigir professores universitários com habilidades e competências para liderar seus alunos de forma a trabalhar com uma nova visão de se interpretar, aplicar, alterar, e repensar qualquer tipo de conhecimento.Segundo Koontz e O’Donnell (1978), do mesmo modo que a motivação e a comunicação, a liderança é um meio de direcção. 

Nos léxicos, os sinónimos para o verbo liderar são “guiar, conduzir, dirigir e preceder”. Essas acepções identificam o líder como parte de um grupo e, contudo, são distintas dele. O líder age para ajudar um grupo a alcançar Objectivos mas nunca perde sua própria identidade.
Liderança académica significa ser proativo, estar comprometido e aberto a novas ideias, ao diálogo, com capacidade de reformular valores, estratégias e relações sociais dentro das instituições de ensino superior.

Comunicação.

Comunicação é a forma como as pessoas se relacionam entre si, dividindo e trocando experiências, ideias, sentimentos, informações, modificando mutuamente a sociedade na qual estejam inseridas.

Chiavenato (2004) define comunicação como a troca de informações entre pessoas, o que significa tornar comum uma mensagem ou informação. Constitui um dos processos fundamentais da experiência humana e da organização social. 

Na chamada era do conhecimento, em que o processo de globalização faz com que o diferencial competitivo seja o conjunto de competências e habilidades das pessoas, cada vez mais se faz necessário, através de um bom processo de comunicação, envolver e influenciar positivamente os alunos universitários para, deste modo, motivar e garantir que cada um entregue o melhor de si, ou seja, que possam utilizar plenamente todo o seu potencial, muitas vezes desconhecido por eles mesmos, graduandos em quaisquer áreas do conhecimento, dentro de um mercado cada vez mais competitivo e que exige competências diferenciadas, habilidades múltiplas, conhecimento contínuo e resultados rápidos e constantes.

A boa comunicação foi definida pela “The American Society of Training Director” como o intercâmbio de pensamento e informações para criar compreensão mútua e confiança ou boas relações humanas.  Alunos motivados e envolvidos nas actividades académicas auxiliam a sua própria sobrevivência bem como a da instituição de ensino superior. Deste modo, uma das atribuições essenciais dos professores universitários é justamente a de se comunicar bem com o seu alunado.

Deste processo de comunicação depende não só a aprendizagem, mas, sobretudo, a relação e o respeito mútuos, a interação, a participação, a cooperação, a criatividade e, consequentemente, os resultados esperados por todos, professores, alunos e instituição de ensino superior.


 Há de se salientar que existam fatores que possam influenciar, negativamente, o processo de comunicação acadêmica entre docente e discente:

1. O professor de ensino superior, geralmente, não se apercebe que seja um mau comunicador e isso pode causar ruídos entre as relações comunicativas entre ele e seus discentes;

2. O professor não tem características como o desembaraço e não usa o humor na conversação com os alunos;

3. Ele, normalmente, se preocupa mais em expor o conteúdo de sua aula, ou seja, em apenas falar ou “tentar” transmitir as informações. Em outras palavras, ele não desperta atenção e interesse, não consegue mobilizar as competências do aluno, não o induz à expressão e ao diálogo. Ele crê que sua função consista, simplesmente, em transmitir informações e que seja função do discente ouvir, compreender e transformá-las em conhecimento;

4. O professor gesticula demasiadamente em aula e usa trocadilhos com frequência;

5. Ele pode, ainda, estar com suas ideias desorganizadas e, consequentemente, suas mensagens serão transmitidas de forma confusa e insegura. Neste caso, os discentes terão dificuldade para entender e se apropriar do assunto. Por outro lado, se ele estiver com suas ideias exageradamente organizadas, poderá não gostar de ser interrompido, tampouco aceitar contribuições dos discentes, evitando quaisquer ameaças que possam interromper sua ordem mental;

6. O professor usa tons agressivos e não permite que os alunos falem ou intervenham durante as suas explanações;

7. O professor dá a sua aula pressupondo que, se os melhores alunos entendem o que ele diz, os outros todos também entenderão, não verificando se isto, de fato, aconteceu ou não;

8. O professor faz uso de palavras, expressões, conceitos ou termos que ainda não sejam comuns ao conhecimento ou às experiências de seus alunos;

9. O professor não fomenta a possibilidade de ampliar o vocabulário dos discentes, o que poderia ser feito explicando os significados e diversas aplicações de novas palavras ou expressões; 10. O professor apresenta aos alunos diversos conceitos ou ideias em cada exposição e apenas alguns deles conseguem ser compreendidos ou assimilados pelos alunos;

11. Alguns professores falam tão rapidamente ou pronunciam tão mal as palavras que os alunos não conseguem perceber as ideias apresentadas;

12. Há professores que falam em voz muito baixa ou em tom monótono e, consequentemente, não atraem a atenção dos discentes e

13. O professor tende ao monólogo, traduzindo sua falta de interesse pela participação efectiva dos alunos. À medida que os discentes sejam mais passivos, mais felizes terá sido o professor em sua aula.

Baseado em Municucci (1995), o professor universitário talvez não tenha oportunidade de verificar seu comportamento verbal, seu estilo de comunicação. Os outros, melhor do que ele poderá fazê-lo. Por isso, seria interessante que esse professor pedisse a outrem que respondesse a um questionário para saber o seu estilo de comunicação e, consequentemente, as possibilidades de ruídos dentro dela.

Como ter uma comunicação eficaz?!

1) Quanto mais contacto se estabelece entre professores e alunos, em profundidade, mais a comunicação terá possibilidade de ser autêntica.

2) Quanto mais a expressão de se conseguir integrar a comunicação verbal e a não verbal, mais a troca com o aluno terá condições de ser autêntica.

3) Quanto mais a comunicação se estabelecer de pessoa a pessoa para além das personagens, das máscaras, do status e das funções, mais terá possibilidade de ser autêntica.

4) Quanto mais as comunicações intra-grupos em sala de aula forem abertas, positivas e solidárias, mais as comunicações terão possibilidades, em consequência, de serem autênticas e de não servirem de evasão ou de compensação a uma falta de comunicação. 

A Liderança e a comunicação como competências académicas

*O conceito actual de competência engloba três esferas:                                                                                    
·         O saber (conhecimento em si),
·         O saber fazer (conhecimento aplicado)
·         O querer fazer (atitude).

Chiavenato (2004) diz que, diante dos desafios do mundo globalizado, o líder, para ser bem sucedido, precisa desenvolver três competências duráveis: o conhecimento, a perspectiva e a atitude. Sem a devida influência dos professores, dificilmente se conseguirá a atitude dos alunos universitários.

Vive-se em uma era na qual não se pode mais ignorar a influência dos sentimentos e das interações humanas, na capacidade de executar tarefas, independentemente da consciência que se tenha disto. Assim, cresce a importância das competências de liderança e de comunicação do professor de ensino superior, que influencia, directa ou indirectamente  seus alunos, bem como as maneiras com as quais são mantidos os processos de comunicação entre docentes e discentes e como tratar esta díade como competência académica.

Esta questão, de liderança e de comunicação como competências académicas  tem sido analisada a partir de inúmeros enfoques, desde os traços predominantes dos professores, passando por seu comportamento, capacidade de se adaptar às situações académicas e aos mais variados perfis dos alunos, até sua função estratégica e transformadora.

 O papel do professor, como aquele que simplesmente comanda a sala de aula e que dá ordens, está sendo substituído pelo que lidera. Em outras palavras, aquele que facilita o entendimento dos alunos através de um processo de comunicação eficiente e adequado.
Para que um professor de ensino superior exerça, efectivamente  o papel de líder, é necessário que sejam observadas algumas características:

1. Identificar e analisar o potencial de cada aluno, porque as mudanças do mundo globalizado passaram a exigir que o foco do aprendizado esteja baseado em novidades, e o professor deve fomentar e direccionar o desenvolvimento de novos métodos didácticos  além de ter uma nova postura académica em relação aos seus discentes;

2. Estimular o seu auto desenvolvimento  ou seja, tornar sólida a condição do conhecimento e da busca incessante de novas informações para assegurar aos alunos segurança suficiente para enfrentar os novos desafios em suas carreiras. 

Esta segurança vem do nível de conhecimento individual sobre o que cada aluno tem maior interesse e aptidão, sendo o professor responsável pelo direccionamento e incentivo do discente para a realização de Actividades académicas que possam motivá-lo e satisfazê-lo, tornando possível atingir, o mais rapidamente possível, suas metas pessoais e profissionais e

3. Saber ouvir e saber ensinar, em um processo de troca contínuo, cuja atenção e cuja percepção sobre as necessidades do alunado sejam instrumentos de suma importância para o professor. Diversos são os problemas identificados por quem ouve com atenção. Não obstante estar atento àquilo que é apresentado é preciso identificar o que está sendo pedido como ajuda pelo aluno, implícita ou explicitamente.

Assim, é necessário que o professor ouça com atenção e interesse, sobretudo nas ocasiões nas quais aquilo dito pelo aluno seja diferente da sua opinião. O professor precisa estar aberto e saber transmitir conhecimentos através de um processo de comunicação adequado e eficaz, sem ter receio de que aquilo que for ensinado possa ser uma ameaça para ele mesmo, precisa, portanto, buscar frequentemente o seu próprio desenvolvimento, agregando cada vez mais conhecimentos, para actualizar se e poder transmitir essas informações aos seus alunos.

Os professores de ensino superior devem pensar, efectivamente  como educadores para as mudanças, ou seja, que além de seus conceitos e de suas habilidades, que se proponham a desaprender o que não seja mais útil, se adequando a uma nova realidade, inexorável, o que implica em analisar e rever suas ansiedades, suas atitudes, sobretudo as defensivas e aceitar, corajosamente, o rompimento com os modelos e paradigmas de uma cultura académica ultrapassada e iniciar um novo processo, utilizando novas competências.

Estas mudanças, portanto, devem começar pelo comportamento do professor que lidera, comunica, influencia e que serve como modelo aos seus alunos um professor de ensino superior que é líder não apenas informa; ele forma e se torna um exemplo, um modelo.

Fernanda Oliveira: Mestranda em Ciências da Educação pela Faculdade Humanística Instituto Erasmo de Rotterdam Lisboa - Portugal,  e colaboradora da Revista Cientifica Digital, pós-graduada em Educação, pós-graduada em Psicopedagogia, professora e  coordenadora do curso  de Administração da Universidade do Minho- Campos de Gualtar Braga.