/ Buscando rigor e qualidade.
BUSCANDO RIGOR E QUALIDADE.
“ A pesquisa em educação está em que buscando-se rigor, encontrarás conhecimento verdadeiro, ao sacrifício da crença e opinião particular (doxa) para então projetar-se as ideias como conhecimento inteligível, justificado e verdadeiro”
Mestrando Thadeu Ximenes2014/07/18
Ao ler o texto em questão, disponibilizado pelo meu Coordenador do Mestrado, como minha primeira atividade confesso, não surpresa, mais, prazer ao descobrir um trabalho tão bem elaborado e com facilidades de entendimento, e aí, parabenizando o meu Professor Jairo pelo bom gosto da escolha, pelo carinho com que indica obras para os trabalhos dos seus alunos mestrandos.
Por outro lado e ainda meio que inseguro mais um tanto eufórico para realizar um trabalho desejável e aceito, devo dizer que a minha formação como filósofo, jornalista e professor poderá me levar por caminhos até mais difíceis para Eu pois a cada momento, a cada texto ou livro chegado as minhas mãos tem-me aumentado as preocupações quanto aos discursos elaborados e por vezes conflitantes em si mesmos. Isso já me remete em que a exigência (impressa à Eu mesmo) me leva, por vezes a condicionar que as dissertações contidas nesses veículos literários ficam um pouco aquém dos juízos morais e éticos quando se apresentam, apenas, recorrentes ao que propõem, mas sem ater-se a reflexões éticos-morais que me parecem, sem dúvidas, artefatos semânticos imprescindíveis para o melhor entendimento e coerência com a realidade atual.
O interessante nos textos (em grande parte) direcionados às áreas, quer seja, de sociologia, educação, filosofia, afins as áreas das ciências humanas apresentam in Loco discursos extremamente retos sem reflexões mais amiúdes onde possam ser catalogados indícios apontando o surgimento, o início, enfim a origem do tema e em que situação está vinculada a ideia em foco.
Essa observação é a que mais me tem chamado a atenção no que tenho lido ultimamente: a ideia é sempre apresentada, falada, cantada, escrita mas com uma retórica meio que ilusória.
A contextualização se apresenta sempre como um histórico bem elaborado, apresentável, mas de maneira muito inventariante e até mesmo de aspecto inventório... é como se houvesse um domínio do assunto, mas incipiente, principalmente se o trabalho tem cunho científico não apresentando nem apontando dados, na maioria das vezes, suficientes para credibilizar o tema contido na discussão. No decorrer do meu texto tentarei deixar mais claro para o meu coordenador o que disse até aqui.
Bem, voltemos ao texto em questão. Como disse anteriormente, não sei se por mania ou formação tudo para eu torna-se motivo de reflexão com o intuito, é claro, de restabelecer, porventura, alguns tópicos que poderiam ter sido banalizados, ainda que, inconscientemente.
Começo, então, pela importância dada no texto a questão do conhecimento para a formulação de uma pesquisa, esta em educação, quando o próprio tema educação é bastante híbrido ao ponto de se transformar em algo a ser questionado sobre o seu balizamento, sob pena de não o fazendo acatá-la como objeto específico – ciência da educação - tal é o seu grau de desdobramentos ao se pensar o tema educação.
O pesquisador ao se propor a efetuar um trabalho desse quilate deverá estabelecer uma relação de reciprocidade entre sujeito e o objeto (pesquisador/pesquisa) da educação, e ai então, me parece surgir o primeiro problema dialético.
Como evidenciar um grau de equidade ao tema quando o próprio tema educação é vasto por concentrar inúmeras disciplinas que deverão ser conciliadas entre si. Assim sendo, como responder, por exemplo, se existe uma pesquisa educacional específica, original ou esse é o nome dado a um conjunto de pesquisas de variados temas educacionais, inclusive da formação, num todo, ou existiria uma área de saber designada educação(ou ciência da educação), ou o nome não importa e o interessante é ser afim à área do saber, da formação de conhecimentos. Então, em decorrência do hibridismo com que é entendida a educação já existe alguns grupos de pesquisadores a defender a especificidade do tema, haja vista, que se for efetuado um questionamento sobre qual pesquisa se trabalha, comumente a resposta educação será aceita, mas se refletida calmamente, veremos que epistemologicamente se apresentará como fraca, produzindo, com efeitos, antíteses variadas. Ao se estabelecer um grupo de pesquisas em uma instituição veremos que cada um estará em uma área, como: sociologia, filosofia, psicologia mas todos incluídos em um só departamento de pós-graduação de uma faculdade - de educação.
Até aqui, não estamos fazendo nenhuma defesa à especificação da pesquisa em educação, mas tendo a intenção de trazer a tona alguns aspectos que nos parece fundamentais quando se declara pesquisador(a) em/na educação, tanto são os problemas a serem re-vistos, sob pena de não o fazendo não chegarmos sequer a nos aproximarmos do rigor e qualidade buscado pela Professora Marli André, da PUC-SP. O problema, no entanto, não é novo. O maior expoente no assunto educação foi o filósofo Platão quando idealizou para as Pólis – cidades estados – um modelo educacional capaz de trazer harmonia à todos através de três segmentos virtuosos, sendo eles: Virtude da temperança, coragem e sabedoria, quando sucessivamente se apresentam na seguinte ordem: Virtude da temperança composta por artífices e comerciantes e portanto ligados
aos desejos e apetites do progresso; Virtude da coragem, formada pelos fortes e corajosos com a missão de defender as cidades e o Estado e finalmente a dos Sábios, capazes de dirigir e governar, para assim, contemplar a harmonia, equilíbrio e justiça.
Podemos notar que já naquela época o tema educação era vasto e profundo ao atingir os mais diversos modelos de pensares, mas mesmo assim, ele o defendeu como um modelo ideal ao alcançar a poesia, a música, a ciência e a filosofia...Com isso, segundo ele(Platão) ao condicionar o seu triângulo equilátero (lados iguais) dá a oportunidade ao homem de ser homem, porquanto a discussão deverá ser perene pois foram exatamente os gregos a aplicar a Paideia – educação – como problema, quando se iniciaram os questionamentos do conceito educação, seja na poesia, tragédia ou na comédia. A paideia, então, passou a ser um processo educacional no qual os estudantes eram submetidos a um programa a atender todos os aspectos da vida: geografia, história natural, filosofia, música, literatura e ginástica para prepará-los como cidadãos justos, de Athenas.
O parágrafo anterior me pareceu cabível em virtude do conceituado tema apresentar essa vasta ramificação o que nos leva a continuar refletindo sobre o que seria a pesquisa em educação, e ainda mais, rigorosa. Assim, me parece também, que discursar exaustivamente sobre o assunto educação é benéfico, é claro, mas não tão producente como deveria, frente a essas constantes lacunas encontradas e a mercê de esclarecimentos ou posicionamentos que nos deixe à vontade para decidir sobre quais eixos da educação a pesquisar pois que, a Educação como tema científico é inexistente, segundo o Professor Dr. Bernard Charlot, da UNESCO e Universidade de Paris, quando diz: “ Falar da pesquisa da educação, enquanto conceito educação, apesar de pluralístico, não existe... ou sim, mas em pesquisas de vários campos que compõem a educação tornando-a inter e transdisciplinar...”
Permita-me ousar, mudar às vezes, o discurso contumaz e aceito sempre, mas, me sentindo parte do universo da educação e representando uma dessas facetas que a compõem, de cunho pedagógico - a filosofia - como poderia ser uma outra qualquer, procuro manejar a maneira de olhar com um certo ceticismo, ou até mesmo, admiração ou espanto como diziam Platão e Aristóteles. Mas porque o ceticismo? Não ví nem consegui sentir nas pesquisas que tenho lido uma relação estratégica ou mesmo didática ou histórica que demonstrasse uma cumplicidade entre o pesquisador e a pesquisa.
Mesmo o texto da professora Marli, em determinado momento nos mostra, por exemplo, se determinado pesquisador se identifica, tem interesses e quais, em detrimento até das agencias fomentadoras que bancam as pesquisas e por conseguinte também têm seus interesses, e, nada mais natural do que esse tipo de comportamento afinal a postura do ser humano, mesmo se a tendo modelos de falácias sobre as ideias coletivas no sentido de atender à todos, se torna ilógica...os interesses e defesas são produtos de ações para sacramentar o individual. Haja vista, o alto grau crítico contemporizado quando são encontradas falhas estruturais e conjunturais na apresentação de alguns projetos científicos, ora no tocante as ideias vinculadas, ora nas condições e rigor das análises investigatórias em andamento.
Na minha percepção um dos pontos chaves do texto da Professora Marli André é quando no tópico QUESTÕES E QUESTIONAMENTOS fala da diversidade com que a temática educação nos envolve - métodos , enfoques e contextos - para a partir daí planejar o que se pretende abordar. Não há dúvida de quando se falar em projeto de pesquisas esqueçamos a importância do conceito de conhecimento, objeto do qual será extraído toda a fundamentação necessária para a apresentação do mesmo. Quando, então, ela enfatiza sobre a relação entre conhecimento científico e outro tipo de conhecimento, diríamos mais importante ainda seria: O que é o conhecimento, e mais, a origem do conhecimento.
Sem, é claro, admitir o fechamento da questão, me parece já caminharmos para uma fase conclusiva ao nosso propósito, pressupondo que o conceito de conhecimento está em que dá-se o nome de conhecimento à relação estabelecida entre o sujeito cognoscente(ou uma consciência) e um objeto a ser conhecido. Entendendo que evocando todas essas etapas que o conhecimento (verdadeiro ou ilusório) disponibiliza, acredito, teríamos uma pesquisa em educação bastante rigorosa e capaz de responder com claridade a inúmeros questionamentos, quanto sua especificidade ou não, bem como, se predominaria o conhecimento científico ou outro, lembrando que os conflitos existentes nessas áreas – humanas ou científicas - já foram sucumbidas bastando lembrar já não haver espaço para as verdades absolutas como pleiteia a ciência, até porque, historicamente, a área das humanas é a genitora do cientificismo. Não há como abstrair qualquer grau de ideias sem envolver o coletivo, social e o cultural.
O professor, filósofo e jornalista Thadeu Ximenes e Mestrando em Ciências da Educação e colaborador desta Revista.

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