sábado, 22 de fevereiro de 2014

COMPETÊNCIAS ACADÉMICAS DOS PROFESSORES DE ENSINO SUPERIOR 


LIDERANÇA E COMUNICAÇÃO.

*Por Fernanda Oliveira

Ser professor de ensino superior significa trabalhar com uma gama de habilidades relacionadas às relações interpessoais e competências distintas, dentre elas, liderança e comunicação académicas, trabalhando com pro actividade  comprometimento, abertura às novas ideias e ao diálogo, reformulando valores e relações sociais. Estas competências são fundamentais para o sucesso e o desempenho esperado na relação docente-discente.

Liderança.

Os professores como líderes, devem conduzir seus alunos, transformando-os em uma equipe académica que gera resultados individuais e colectivos  Neste sentido, devem motivar e influenciar os discentes, de forma ética e participativa, contribuindo entusiasticamente para que objectivo académico, pessoais e profissionais sejam alcançados.  

Portanto, necessitam desenvolver novas habilidades e novas competências, trabalhando com atitudes inovadoras com relação ao acompanhamento e à orientação de seus alunos. Estas competências devem estar ainda, direccionadas ao fomento da pesquisa educacional, ferramenta fundamental para a formação dos universitários, uma vez que, nos dias actuais  eles esperam uma nova postura de seus professores.

Neste processo desenfreado de globalização do qual somos parte integrante, o professor de ensino superior, com o papel de simplesmente agente de transmissor de informações, precisa ser substituído por aquele que lidera seus alunos, ou seja, o que facilita, organiza e influencia.
Liderança não é um assunto simples de se definir e, com o advento do processo de globalização das três últimas décadas, conceituá-la ficou ainda mais complicado.  Este novo momento da humanidade requer novas análises e reflexões.

Assim, novos processos educacionais deveriam exigir professores universitários com habilidades e competências para liderar seus alunos de forma a trabalhar com uma nova visão de se interpretar, aplicar, alterar, e repensar qualquer tipo de conhecimento.Segundo Koontz e O’Donnell (1978), do mesmo modo que a motivação e a comunicação, a liderança é um meio de direcção. 

Nos léxicos, os sinónimos para o verbo liderar são “guiar, conduzir, dirigir e preceder”. Essas acepções identificam o líder como parte de um grupo e, contudo, são distintas dele. O líder age para ajudar um grupo a alcançar Objectivos mas nunca perde sua própria identidade.
Liderança académica significa ser proativo, estar comprometido e aberto a novas ideias, ao diálogo, com capacidade de reformular valores, estratégias e relações sociais dentro das instituições de ensino superior.

Comunicação.

Comunicação é a forma como as pessoas se relacionam entre si, dividindo e trocando experiências, ideias, sentimentos, informações, modificando mutuamente a sociedade na qual estejam inseridas.

Chiavenato (2004) define comunicação como a troca de informações entre pessoas, o que significa tornar comum uma mensagem ou informação. Constitui um dos processos fundamentais da experiência humana e da organização social. 

Na chamada era do conhecimento, em que o processo de globalização faz com que o diferencial competitivo seja o conjunto de competências e habilidades das pessoas, cada vez mais se faz necessário, através de um bom processo de comunicação, envolver e influenciar positivamente os alunos universitários para, deste modo, motivar e garantir que cada um entregue o melhor de si, ou seja, que possam utilizar plenamente todo o seu potencial, muitas vezes desconhecido por eles mesmos, graduandos em quaisquer áreas do conhecimento, dentro de um mercado cada vez mais competitivo e que exige competências diferenciadas, habilidades múltiplas, conhecimento contínuo e resultados rápidos e constantes.

A boa comunicação foi definida pela “The American Society of Training Director” como o intercâmbio de pensamento e informações para criar compreensão mútua e confiança ou boas relações humanas.  Alunos motivados e envolvidos nas actividades académicas auxiliam a sua própria sobrevivência bem como a da instituição de ensino superior. Deste modo, uma das atribuições essenciais dos professores universitários é justamente a de se comunicar bem com o seu alunado.

Deste processo de comunicação depende não só a aprendizagem, mas, sobretudo, a relação e o respeito mútuos, a interação, a participação, a cooperação, a criatividade e, consequentemente, os resultados esperados por todos, professores, alunos e instituição de ensino superior.


 Há de se salientar que existam fatores que possam influenciar, negativamente, o processo de comunicação acadêmica entre docente e discente:

1. O professor de ensino superior, geralmente, não se apercebe que seja um mau comunicador e isso pode causar ruídos entre as relações comunicativas entre ele e seus discentes;

2. O professor não tem características como o desembaraço e não usa o humor na conversação com os alunos;

3. Ele, normalmente, se preocupa mais em expor o conteúdo de sua aula, ou seja, em apenas falar ou “tentar” transmitir as informações. Em outras palavras, ele não desperta atenção e interesse, não consegue mobilizar as competências do aluno, não o induz à expressão e ao diálogo. Ele crê que sua função consista, simplesmente, em transmitir informações e que seja função do discente ouvir, compreender e transformá-las em conhecimento;

4. O professor gesticula demasiadamente em aula e usa trocadilhos com frequência;

5. Ele pode, ainda, estar com suas ideias desorganizadas e, consequentemente, suas mensagens serão transmitidas de forma confusa e insegura. Neste caso, os discentes terão dificuldade para entender e se apropriar do assunto. Por outro lado, se ele estiver com suas ideias exageradamente organizadas, poderá não gostar de ser interrompido, tampouco aceitar contribuições dos discentes, evitando quaisquer ameaças que possam interromper sua ordem mental;

6. O professor usa tons agressivos e não permite que os alunos falem ou intervenham durante as suas explanações;

7. O professor dá a sua aula pressupondo que, se os melhores alunos entendem o que ele diz, os outros todos também entenderão, não verificando se isto, de fato, aconteceu ou não;

8. O professor faz uso de palavras, expressões, conceitos ou termos que ainda não sejam comuns ao conhecimento ou às experiências de seus alunos;

9. O professor não fomenta a possibilidade de ampliar o vocabulário dos discentes, o que poderia ser feito explicando os significados e diversas aplicações de novas palavras ou expressões; 10. O professor apresenta aos alunos diversos conceitos ou ideias em cada exposição e apenas alguns deles conseguem ser compreendidos ou assimilados pelos alunos;

11. Alguns professores falam tão rapidamente ou pronunciam tão mal as palavras que os alunos não conseguem perceber as ideias apresentadas;

12. Há professores que falam em voz muito baixa ou em tom monótono e, consequentemente, não atraem a atenção dos discentes e

13. O professor tende ao monólogo, traduzindo sua falta de interesse pela participação efectiva dos alunos. À medida que os discentes sejam mais passivos, mais felizes terá sido o professor em sua aula.

Baseado em Municucci (1995), o professor universitário talvez não tenha oportunidade de verificar seu comportamento verbal, seu estilo de comunicação. Os outros, melhor do que ele poderá fazê-lo. Por isso, seria interessante que esse professor pedisse a outrem que respondesse a um questionário para saber o seu estilo de comunicação e, consequentemente, as possibilidades de ruídos dentro dela.

Como ter uma comunicação eficaz?!

1) Quanto mais contacto se estabelece entre professores e alunos, em profundidade, mais a comunicação terá possibilidade de ser autêntica.

2) Quanto mais a expressão de se conseguir integrar a comunicação verbal e a não verbal, mais a troca com o aluno terá condições de ser autêntica.

3) Quanto mais a comunicação se estabelecer de pessoa a pessoa para além das personagens, das máscaras, do status e das funções, mais terá possibilidade de ser autêntica.

4) Quanto mais as comunicações intra-grupos em sala de aula forem abertas, positivas e solidárias, mais as comunicações terão possibilidades, em consequência, de serem autênticas e de não servirem de evasão ou de compensação a uma falta de comunicação. 

A Liderança e a comunicação como competências académicas

*O conceito actual de competência engloba três esferas:                                                                                    
·         O saber (conhecimento em si),
·         O saber fazer (conhecimento aplicado)
·         O querer fazer (atitude).

Chiavenato (2004) diz que, diante dos desafios do mundo globalizado, o líder, para ser bem sucedido, precisa desenvolver três competências duráveis: o conhecimento, a perspectiva e a atitude. Sem a devida influência dos professores, dificilmente se conseguirá a atitude dos alunos universitários.

Vive-se em uma era na qual não se pode mais ignorar a influência dos sentimentos e das interações humanas, na capacidade de executar tarefas, independentemente da consciência que se tenha disto. Assim, cresce a importância das competências de liderança e de comunicação do professor de ensino superior, que influencia, directa ou indirectamente  seus alunos, bem como as maneiras com as quais são mantidos os processos de comunicação entre docentes e discentes e como tratar esta díade como competência académica.

Esta questão, de liderança e de comunicação como competências académicas  tem sido analisada a partir de inúmeros enfoques, desde os traços predominantes dos professores, passando por seu comportamento, capacidade de se adaptar às situações académicas e aos mais variados perfis dos alunos, até sua função estratégica e transformadora.

 O papel do professor, como aquele que simplesmente comanda a sala de aula e que dá ordens, está sendo substituído pelo que lidera. Em outras palavras, aquele que facilita o entendimento dos alunos através de um processo de comunicação eficiente e adequado.
Para que um professor de ensino superior exerça, efectivamente  o papel de líder, é necessário que sejam observadas algumas características:

1. Identificar e analisar o potencial de cada aluno, porque as mudanças do mundo globalizado passaram a exigir que o foco do aprendizado esteja baseado em novidades, e o professor deve fomentar e direccionar o desenvolvimento de novos métodos didácticos  além de ter uma nova postura académica em relação aos seus discentes;

2. Estimular o seu auto desenvolvimento  ou seja, tornar sólida a condição do conhecimento e da busca incessante de novas informações para assegurar aos alunos segurança suficiente para enfrentar os novos desafios em suas carreiras. 

Esta segurança vem do nível de conhecimento individual sobre o que cada aluno tem maior interesse e aptidão, sendo o professor responsável pelo direccionamento e incentivo do discente para a realização de Actividades académicas que possam motivá-lo e satisfazê-lo, tornando possível atingir, o mais rapidamente possível, suas metas pessoais e profissionais e

3. Saber ouvir e saber ensinar, em um processo de troca contínuo, cuja atenção e cuja percepção sobre as necessidades do alunado sejam instrumentos de suma importância para o professor. Diversos são os problemas identificados por quem ouve com atenção. Não obstante estar atento àquilo que é apresentado é preciso identificar o que está sendo pedido como ajuda pelo aluno, implícita ou explicitamente.

Assim, é necessário que o professor ouça com atenção e interesse, sobretudo nas ocasiões nas quais aquilo dito pelo aluno seja diferente da sua opinião. O professor precisa estar aberto e saber transmitir conhecimentos através de um processo de comunicação adequado e eficaz, sem ter receio de que aquilo que for ensinado possa ser uma ameaça para ele mesmo, precisa, portanto, buscar frequentemente o seu próprio desenvolvimento, agregando cada vez mais conhecimentos, para actualizar se e poder transmitir essas informações aos seus alunos.

Os professores de ensino superior devem pensar, efectivamente  como educadores para as mudanças, ou seja, que além de seus conceitos e de suas habilidades, que se proponham a desaprender o que não seja mais útil, se adequando a uma nova realidade, inexorável, o que implica em analisar e rever suas ansiedades, suas atitudes, sobretudo as defensivas e aceitar, corajosamente, o rompimento com os modelos e paradigmas de uma cultura académica ultrapassada e iniciar um novo processo, utilizando novas competências.

Estas mudanças, portanto, devem começar pelo comportamento do professor que lidera, comunica, influencia e que serve como modelo aos seus alunos um professor de ensino superior que é líder não apenas informa; ele forma e se torna um exemplo, um modelo.

Fernanda Oliveira: Mestranda em Ciências da Educação pela Faculdade Humanística Instituto Erasmo de Rotterdam Lisboa - Portugal,  e colaboradora da Revista Cientifica Digital, pós-graduada em Educação, pós-graduada em Psicopedagogia, professora e  coordenadora do curso  de Administração da Universidade do Minho- Campos de Gualtar Braga. 

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