A
Educação Inclusiva: incompletudes
escolares e perspectivas de ação
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Hugo
Otto Beyer
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.
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O
artigo refere à proposta de educação
inclusiva, sob a perspectiva do paradigma histórico
e também sob o prisma das mudanças
que ocorreram nas políticas educacionais
brasileiras, notadamente através da priorização
da educação inclusiva com a LDB
9394 de 1996. Elege alguns autores e fatos históricos
no contexto da evolução de uma educação
especial sob a égide do paradigma médico
para seu resgate pedagógico, culminando
com a proposta da educação inclusiva.
Também insere o paradigma vygotskiano como
inspirador para muitas das idéias acalentadas
e construídas no bojo desta proposta. Diante
de questões formuladas sobre atitudes,
experiências e a avaliação
sobre a proposta da educação inclusiva,
alguns dos resultados são: a) o sentimento
de desafio e a busca por apoio pedagógico;
b) um projeto com demandas direcionadas à
transformação da escola; c) a importância
da prática e da formação
continuada; d) a importância do apoio da
equipe pedagógica, do intercâmbio
entre professores e da composição
favorável da infra-estrutura escolar; e)
a conscientização ainda débil
da comunidade escolar sobre o projeto de inclusão
escolar.
Palavras-chave:
educação inclusiva, incompletudes
escolares, concepções de professores.
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1
- Introdução
O
paradigma e a política da educação
inclusiva constituem-se como processos claramente
delineados na história da educação
especial. Há aproximadamente quatro décadas
que as idéias integradoras, consubstanciadas
no pensamento da não-segregação
das pessoas com deficiência no ambiente
escolar, vêm inspirando uma série
de propostas e ações em vários
países do mundo.
A
proposta inicial da integração escolar
evoluiu para uma concepção de inclusão
escolar, embora tal diferenciação
ainda não tenha ganho unanimidade na comunidade
acadêmica internacional bem como nos sistemas
educacionais. Subjaz o conceito diferenciado na
proposta de inclusão de uma ação
mais efetiva do sistema educacional como um todo
no sentido de garantir (obviamente, não
a qualquer custo) a inserção e permanência
do aluno com necessidades educacionais especiais
na escola regular.
De qualquer forma, há países que não empregam a expressão inclusão escolar (ou educação inclusiva), utilizando ou mantendo o conceito de integração escolar, porém com acentos teóricos e práticos semelhantes. Um exemplo disso é a Alemanha, cuja “pedagogia da integração” (Integrationspädagogik) existe historicamente desde meados da década de 70 e evoluiu ao longo de reflexões acadêmico-científicas e de várias experiências escolares1.
O
Brasil adotou com a LDB 9394/96 a proposta da
integração escolar preferencial
de alunos com necessidades educacionais especiais.
De lá para cá houve um processo
intenso de análise e transposição
do projeto político-pedagógico para
as diferentes realidades escolares, tanto nas
redes de ensino público como na particular.
O
que se constata, porém, nesses últimos
anos, na repercussão do confronto entre
a legislação educacional e estas
realidades é o sentimento de incompletude,
para não dizer impotência, das redes
de ensino em geral, e das escolas e professores
em particular, para fazer cumprir esta proposta.
Esses últimos julgam-se, na sua grande
maioria, despreparados para atender alunos com
necessidades especiais: falta-lhes a compreensão
da proposta, a formação conceitual
correspondente, a maestria do ponto de vista das
didáticas e metodologias e as condições
apropriadas de trabalho (por exemplo, uma carga
horária insuficiente e/ou turmas numerosas
de alunos). A maioria das/os professoras/es já
em experiência de educação
inclusiva mostram níveis preocupantes de
stress (veja, a respeito, Naujorks, 2002), principalmente
devido à inexistência de uma formação
anterior visando a capacitação para
o ensino desse alunado.
Mas
não são apenas as/os professoras/es
que se percebem, de certa forma, impotentes. Também
a escola como um todo (equipe pedagógica,
recursos materiais, funcionários/as de
apoio, etc.) vê-se como tal. Um dos questionamentos
que se escuta com freqüência é
o seguinte: se já é difícil
atender a heterogeneidade do alunado “tradicional”,
com tantos casos de alunos em condições
precárias de aprendizagem, ameaçados,
potencialmente, de fracasso e exclusão
escolar, como a escola poderá dar conta
da demanda extra do atendimento dos alunos com
deficiência? Tal interrogação
é um sinal evidente do despreparo das escolas
para converterem o projeto da educação
inclusiva em um ato operacionalizável.
Além
do mais, as próprias famílias e
os próprios alunos, sejam os ditos normais
ou com necessidades especiais, muitas vezes, são
tomados de surpresa diante desta proposta. Talvez
muito mais as famílias dos alunos ditos
normais demonstram atitudes que oscilam entre
desconhecimento da proposta até rejeição
a ela. Intimamente, existem sentimentos nas famílias
de medo ou ansiedade diante do que a convivência
com alunos com deficiência pode significar
para a formação dos seus filhos.
Assim,
constata-se, em geral, nas realidades escolares,
seja no âmbito das escolas públicas
como nas particulares, um quadro de apreensão
e insegurança diante do projeto político-pedagógico
da educação inclusiva.
A
teorização que se segue e os dados
de pesquisa apresentados fundamentam e decorrem
das pesquisas conduzidas pelo Grupo de Estudos
e Pesquisa em Integração/Inclusão
Escolar (GEPEI), grupo cadastrado no Diretório
de Grupos de Pesquisa do CNPq e localizado institucionalmente
na Faculdade de Educação da UFRGS.2
O
GEPEI propõe estabelecer uma ponte –
acadêmica, científica e educacional
– entre a Universidade e a escola. Objetivo
primordial é, além do estudo de
determinadas realidades escolares, tendo em vista
a averiguação das incompletudes
diante da proposta da inclusão escolar,
estabelecer uma contínua interlocução
com as escolas envolvidas na pesquisa, no sentido
da construção de estratégias
de ação junto aos educadores, alunos
e famílias, que possibilitem a implementação
gradual do projeto de educação inclusiva.
Este
objetivo geral subdivide-se nos seguintes objetivos
específicos. O GEPEI propõe, assim,
com o projeto de pesquisa que se encontra em execução
(ao longo do ano de 2003 e com continuidade em
2004):
1-
Investigar realidades escolares que se encontram
confrontadas com a demanda – fatual e legal
– do atendimento de alunos com necessidades
educacionais especiais.
2-
Dialogar e propor alternativas de ação
às escolas.
3-
Averiguar nestes contextos os espaços de
aplicação dos conceitos da escola
sócio-histórica russa (Lev Vygotski).
2
– Alguns referenciais teóricos
O
aspecto principal, “carro-chefe”, das
reflexões que seguem é a temática
da educação inclusiva. A abordagem
de Vygotski é agregada - certamente não
de forma secundária – por a considerarmos
profunda e fértil tanto pelos seus conceitos
fundamentais, em boa medida gerados e amadurecidos
no contexto do trabalho de Vygotski com pessoas
com deficiência, como pela precoce atenção
que deu à temática da integração.
Assim, a seguir são considerados ambos
aspectos, primeiramente a questão da educação
inclusiva, em seguida, a abordagem vygotskiana.
2.1
– Educação especial e educação
inclusiva
A
educação especial tem passado, nos
últimos anos, por fortes mudanças
de caráter paradigmático e concernentes
às políticas públicas, no
contexto nacional e internacional. A mudança
mais significativa é aquela que aponta
para a necessidade de enfraquecer processos de
afastamento da convivência em sociedade
das pessoas com deficiência. A história
do cuidado ou destrato destas pessoas foi, com
freqüência, marcada por situações
de isolamento social (confira uma análise
pormenorizada em Foucault, 1995, 4ª ed.).
Ou, em outras situações, como a
da educação de Vitor, o menino-lobo,
o desafio enfrentado por Itard (veja Banks-Leite
et alii, 2000), aceitando a educabilidade deste
menino contra a dominante opinião médica
de Pinel. A partir deste fato histórico,
há um marco significativo no tratamento
diferencial de pessoas consideradas “desviantes”
em seu comportamento. Estas não são
mais sujeitos da segregação, porém
passam a ser consideradas como possuidoras de
possibilidades não exploradas para interagir
nos espaços sociais considerados “normais”.
Então,
dos meados do século XIX, atravessando
o século XX, presenciamos na história
da educação especial um desenvolvimento
marcado pelo reconhecimento e aceitação
gradativos dos direitos das pessoas com necessidades
especiais. Tal movimento, porém, deu-se
sob a égide da ciência médica.
As construções das outras áreas
(psicologia, educação, etc.) na
consideração das especificidades
dessas pessoas como objetos de suas ações
deram-se sempre sob o viés disciplinar
médico.
Assim,
na psicologia convencionou-se avaliar a condição
intelectual das pessoas com deficiência
e determinar sua condição de (super)
ou (sub)dotação intelectual, classificando
alguns como intelectualmente superdotados, outros
como subdotados, dentre esses últimos alguns
com condição de educação
formal, outros ditos treináveis, outros
apenas passíveis de cuidados básicos
(os chamados dependentes). A categorização
clínica do sujeito, através dos
parâmetros referenciais da normalidade intelectual
(QI 100?), passou a determinar suas chances de
educação formal ou de escolarização.
As crianças com um quadro de deficiência
“leve” poderiam ser educadas nas escolas
regulares, enquanto que as demais seriam atendidas
nas escolas especiais. O disciplinamento médico,
com categorias “terapêuticas”
de cuidado e isolamento, ditava inclusive as normas
pedagógicas.
Determinados
autores do século XIX apontavam nitidamente
para a influência da ciência médica
na educação especial (naquela época,
denominada como “pedagogia terapêutica”).
Por exemplo, Friedrich H.C. Schwarz, no “Manual
da Educação e do Ensino” (1805),
ao comentar sobre a então nova área
denominada “Pedêutica” e “Terapia
Pedagógica”, escreveu: “A analogia
com a terapia física é muito palpável
... (Esta seria) tarefa principal da educação,
de fato não a menos importante”. (apud
Bleidick, 1981, p. 255) Outros autores preferiram
criar outra interface com a medicina, no caso
entre a psiquiatria e a pedagogia, enfraquecendo
enormemente as categorias pedagógicas.
Por exemplo, Düring, Isserl e Stutte definiram
a pedagogia terapêutica como “psiquiatria
aplicada”. (apud Bleidick, 1981, p. 256)
Houve,
entretanto, posições antagônicas
a esta situação de esvaziamento
das categorias pedagógicas, ou de reducionismo
clínico dos referenciais pedagógicos.
Moor (apud Bleidick, 1981, p. 256), autor daquela
época, afirmava que “nunca as constatações
médicas obtêm significado fundamental
para a educação. ... Objeto do conceito
pedagógico terapêutico é a
tarefa pedagógica e não mais o fato
médico”. A informação
médica poderia apontar para as variáveis
intervenientes no quadro de deficiência,
porém jamais servir de premissa independente
para a decisão pedagógica.
A
predominância do paradigma médico
não foi exclusividade do século
XIX, porém atravessou, hegemonicamente,
boa parte do século XX, e, não é
exagero afirmar, que, até hoje, isto é,
nos primórdios do século XXI, mantém-se
a dominância da área médica
na educação especial.
Mesmo
se verificando tal dominância, nos últimos
40 anos novos enfoques começaram a se desenvolver
em alguns países, cujas bases assentavam-se
sobre pressupostos divergentes daqueles emanados
dos conceitos clínicos. Assim, ainda na
década de 60 ocorreram as primeiras experiências
de integração escolar de crianças
com deficiência. Os Estados Unidos, também,
começaram a enfatizar a possibilidade do
atendimento educacional de alunos com deficiência
na escola regular. A partir dessa década,
outros países no cenário europeu
passaram a voltar-se para a possibilidade ou idéia
da integração escolar, mais intensamente
a Itália. Na década de 70, a comissão
de reforma do sistema educacional inglês,
presidida por Mary Warnock, definia a necessidade
da revisão de conceitos fundamentais da
educação especial. Surgia, em 1978,
o conceito de special educational needs, ou necessidades
educacionais especiais, cuja idéia básica
assentava-se sobre a necessidade de reconsiderar
as práticas de conceitualização
das deficiências, provocando uma profunda
mudança nas formas de analisar a problemática
das pessoas com deficiência.
Assim,
do enfoque ontogenético – a deficiência
potencializada através de um processo de
substantivação, em que o sujeito
passava a ser interpretado, avaliado e qualificado
por meio da sua deficiência, gerando o conceito
de deficiente3 – passou-se a valorizar as
diferentes singularidades de cada sujeito, sendo
que suas limitações começaram
a ser compreendidas como circunscritas no tempo
e no espaço e definidas muito especificamente.
Em decorrência desta abordagem, os “deficientes”
passaram a ser gradualmente considerados como
pessoas com necessidades especiais, ou com necessidades
educacionais especiais, necessidades estas que
de maneira alguma comprometem a dignidade e o
valor da vida humana. Em termos paradigmáticos,
pode-se apontar para uma mudança de paradigmas,
do clínico-médico para o sócio-antropológico4.
O foco analítico das variáveis intervenientes
nas situações de deficiência,
isolamento social e fracasso escolar sofreriam
um deslocamento fundamental no sentido de que
não mais o indivíduo seria o principal
responsável por estas situações,
porém a sociedade como um todo.
As
propostas de integração, inicialmente,
e inclusão escolar, posteriormente, dos
alunos ditos com necessidades especiais surgiram
em decorrência de tais transformações
paradigmáticas no cenário internacional
da educação especial. Enquanto o
paradigma médico fomentou, ao longo de
décadas, o isolamento dos indivíduos
com deficiência, penetrando no séc.
XX e orientando a supremacia do pensamento terapêutico
em relação ao pedagógico,
fazendo sobressair, assim, a idéia de escolas
especiais para os alunos portadores de deficiência,
o avanço do paradigma sócio-antropológico
fez germinar idéias de desguetização
desses alunos. Estas idéias traduziram-se
nas propostas de integração e inclusão
escolar.
Conforme
visto acima, alguns países no cenário
internacional emitiram os primeiros sinais de
sensibilização em relação
às novas idéias, amadurecendo-se
as mesmas e, como que num efeito dominó,
produzindo impactos significativos na forma de
enxergar a educação dos alunos com
necessidades especiais praticamente em toda Europa.
O ápice desse processo deu-se com o encontro
internacional em Salamanca, na Espanha, em 1994,
resultando na Declaração de Salamanca,
documento cujo marco representou avanços
globais inequívocos quanto a projetos político-pedagógicos
de educação inclusiva.
No Brasil, ao longo da década de 90, estas idéias fizeram-se sentir com muita clareza, ganhando espaço gradativo nas ponderações acadêmicas, nas discussões da comunidade escolar, e, finalmente, nas gestões políticas educacionais nos âmbitos municipal, estadual e federal. Como resultado desse processo, a LDB da Educação Nacional de 1996 (Capítulo V) definiu como prioridade o atendimento educacional de alunos com deficiência ou com necessidades especiais no sistema regular de ensino. Tal política de integração escolar, com seu aprofundamento através da proposta de inclusão escolar, começou a gerar acalorados debates em torno das viabilidades operacionais, diante das muitas incompletudes do sistema educacional brasileiro.
E
este é o momento em que vivemos no país.
Parece-me claro um forte anacronismo entre as
pretensões legais (isto é, das políticas
educacionais), com evidente priorização
do paradigma da educação inclusiva
dos alunos com necessidades educacionais especiais,
e a realidade do sistema escolar brasileiro5.
Esta mostra escolas despreparadas para lidar com
classes inclusivas, falta de materiais adequados,
professores com poucas condições
(sem falar no aspecto motivacional) para atuar
diferencialmente em sala de aula com alunos ditos
normais e alunos com necessidades especiais, etc.
2.2
– A abordagem sócio-histórica
como prisma de consideração das
realidades escolares
Dentre
as teorias da aprendizagem e do desenvolvimento
cognitivo, o pensamento de Lev Vygotski destaca-se
pela ênfase que dá aos fatores psicossociais
como determinantes nas condições
de aprendizagem e desenvolvimento infantil. Para
Vygotski, duas dimensões afetam o desenvolvimento
humano, não apenas evolutivamente, como
também ontogeneticamente, ou seja, a dimensão
biológica ou orgânica e a social
(cultural) ou histórica.
Assim,
ao se considerar a ou as realidades escolares,
deve-se ter em mente que os sujeitos que integram
a comunidade escolar são marcados por históricas
distintas, cujos contornos delineiam-se através
de fatores de natureza biológica e social.
Embora a maioria das considerações
sejam voltadas para o alunado, também os
educadores – professores, especialistas,
atendentes, etc. – têm suas histórias
de vida demarcadas por fatores de natureza orgânica
e social ou cultural.
Para
Vygotski, as duas linhas básicas determinantes
do desenvolvimento humano, desta maneira, a biológica
e a cultural, precisam ser adequadamente consideradas
dentro da psicologia e da educação.
A psicologia de sua época ou tendia a explicar
o comportamento humano através de uma compreensão
subjetiva e idealista, em que nada podia ser objetivado
ou explicado do ponto de vista causal, ou buscava
explicar o comportamento humano através
das associações desencadeadas por
relações de estímulo e resposta,
porém em uma base extremamente linear e
restrita à esfera biológica ou orgânica.
Tanto uma como outra abordagem excluíam
(no que residia a crítica vygotskiana fundamental)
o entorno social e cultural do indivíduo.
Para Vygotski, entretanto, o comportamento humano
somente poderia ser adequadamente compreendido
caso as duas dimensões – biológica
e cultural - fossem incluídas.
A
melhor forma de entender o entrelaçamento
entre ambas dimensões se dá quando
se considera a situação de pessoas
portadoras de deficiência, já que
os estados de carência orgânica e
as correspondentes implicações no
âmbito cultural põem em relevo o
papel desempenhado por cada uma delas. Para Vygotski,
o contraste das duas dimensões pesa em
favor do prejuízo resultante do isolamento
social a que essas pessoas são costumeiramente
submetidas. Justamente aí reside a necessidade
maior de apoio externo, além, evidentemente,
do suporte às carências orgânicas
específicas (por exemplo, para o surdo,
o domínio e uso da língua de sinais,
para o cego, a escrita braille, etc.).
Por
isto, desde cedo, já na década de
20, Vygotski defendia veementemente a idéia
do atendimento educacional de crianças
com deficiência na escola regular.7 Possivelmente
não haja autor da psicologia e da educação
que tão precocemente tenha defendido a
não exclusão das crianças,
adolescentes e adultos com deficiência,
do convívio social, na escola, inicialmente,
e, depois, nas esferas mais amplas da vida comunitária.
Ilustro
a importância do pensamento integrador no
trabalho de Vygotski, com uma pequena história,
vivida recentemente por mim em uma defesa de projeto
de mestrado de uma de minhas orientandas de pós-graduação.
Compuseram a banca examinadora, além do
orientador, duas professoras, uma da casa e outra
convidada. No decorrer dos comentários
desta última, posicionando-se frente ao
trabalho de Vygotski, fez a seguinte afirmação,
que deixou a todos que a ouviam (muito mais ao
orientador e à orientanda), estupefatos:
“Vygotski foi um anti-inclusivista!”
Quem
sabe numa tentativa de resposta a esta colega,
a seguinte citação do “anti-inclusivista”
Vygotski (1997, p. 93) ilustra bem a importância
por ele dada à integração
escolar:
Por
suposto que certos elementos do ensino e da educação
especiais devem conservar-se na escola especial
ou introduzir-se na escola comum. Porém,
como princípio, deve ser criado o sistema
combinado da educação especial e
comum (...) A outra medida consiste em derrubar
os muros de nossas escolas especiais. (...) O
ensino “especial” deve perder seu caráter
“especial” e então passará
a ser parte do trabalho educativo comum. Deve
seguir o rumo dos interesses infantis. A escola
auxiliar, criada apenas como ajuda à escola
normal, não deve romper nunca nem em nada
(cursivo no original) os vínculos com ela.
A escola especial deve tomar com freqüência
por um período aos atrasados e restituí-los
de novo à escola normal. Orientar-se pela
norma, desterrar por completo tudo o que agrava
o defeito e o atraso – este é o objetivo
da escola. Não deve ser vergonhoso estudar
ali e sobre suas portas não deve estar
escrito: “Perdei toda esperança os
que aqui entrais.”
Quem
sabe a forma mais apropriada de se dimensionar
o pensamento de Vygotski, em relação
às considerações sobre a
educação inclusiva de crianças
com necessidades específicas, seja a partir
do seu pensamento social. De forma inversa, alguns
interpretam que a teoria sócio-histórica
foi construída por Vygotski a partir da
sua experiência docente com crianças
com tais necessidades. Ele entendia que estas
pessoas não se diferenciavam qualitativamente
das ditas normais, configurando uma forma diversa
de se desenvolver, aprender ou referenciar-se
culturalmente. Pelo contrário, os significados
culturais permaneceriam como referências
comuns para todos os sujeitos sociais9, independentemente
das condições individuais. Decisivas
seriam, entretanto, as formas de acesso e apropriação
dos significados culturais, resultando em semânticas
individuais ou sentidos particulares dos mesmos.
Continuando
seu pensamento, conforme explicitado no capítulo
3 (Acerca de la psicología y la pedagogía
de la defectividad infantil) do Volume V das Obras
Escogidas, não haveria diferença
essencial na estrutura psíquica e na forma
de aprendizagem entre pessoas cegas ou surdas
e as “normais”. O cego teria condição
de alfabetização e conseqüente
domínio da leitura e da escrita como as
pessoas videntes, apenas que através de
outro recurso de escrita, representado pelo código
braille. Para Vygotski, mais importante do que
os signos seria a possibilidade do acesso aos
significados, podendo este se dar através
dos mais variados signos, ou caminhos de apropriação
dos significados. Por que isto seria tão
importante para Vygotski? Porque desta maneira
o indivíduo estaria estabelecendo uma circularidade
constante com os significados e valores sociais,
tese de fundamental importância para seu
pensamento, já que seria desta forma que
toda criança passaria de ser biológico
para ser social e, assim, capaz de construir estruturas
mentais cada vez mais complexas.
Assim,
quando ele analisava a situação
de pessoas privadas, por contingências as
mais variadas, em relação à
possibilidade de acesso aos significados culturais,
perpetuar tais privações seria o
derradeiro handicap, e não os próprios
estados orgânicos. A partir desta abordagem,
pode-se compreender porque para Vygotski era fundamental
que se preservasse ou se promovesse as condições
mais plenas de acessibilidade e trânsito
social para crianças potencialmente ameaçadas,
pelos seus estados individuais, de segregação
ou não interação com os significados
culturais compartilhados pelo grupo social. E
por isso sua ênfase tão clara na
importância de espaços escolares
e sociais o menos demarcados institucionalmente
– e, portanto, potencialmente segregadores
– para crianças com necessidades especiais.
Por
isso, Vygotski afirma de forma tão reiterada
e enfática, conforme o texto citado acima,
de que o lugar mais legítimo para todas
as crianças, também as com necessidades
especiais, é na escola regular. A escola
especial correria o risco de criar e perpetuar
a cultura do déficit, em que os significados
das identidades – individuais e sociais –
encontrar-se-iam ou em um estado de acentuada
difusidade, ou velados – por atitudes de
superproteção, comiseração,
rejeição, etc. Também seria
inadequada a imposição de modelos,
valores ou referências culturais, que não
viabilizassem ao sujeito sua própria síntese
cultural, num espaço o mais amplo ou democrático
possível de intercâmbio social e
cultural.
Uma
segunda razão para Vygotski defender a
importância da convivência social
da criança com necessidades especiais em
situações de heterogeneidade e de
riqueza de trocas sociais está no próprio
fundamento de sua teoria sócio-histórica,
ou seja, é precisamente na amplitude das
relações interpsicológicas
que a criança encontrará solo fértil
para o desenvolvimento das estruturas intrapsíquicas
do pensamento e da linguagem. Imagine-se o que
significaria a convivência predominante
da criança em situações grupais
de homogeneidade, em escolas ou classes especiais,
em termos da idéia acima. Possivelmente
os horizontes de aprendizagem e de terminalidade
escolar seriam tão restritos para alunos
com necessidades especiais devido exatamente ao
estabelecimento de círculos homogêneos
de convivência escolar. A idéia da
integração escolar, defendida por
Vygotski, conforme seus textos deixaram antever,
viria a prevenir tal situação.
3
– Proposta metodológica e resultados
preliminares
Conforme
foi anunciado brevemente na introdução
deste artigo, constituem espaço desta pesquisa
três escolas cujos projetos político-pedagógicos
delineiam-se favoravelmente à proposta
da educação inclusiva. Para tanto,
foram convidadas e envolvidas na pesquisa uma
escola pública estadual, no município
de Santa Maria (RS), uma pública municipal,
em Porto Alegre (RS), e uma escola particular,
no município de Novo Hamburgo (RS).
Sujeitos
participantes da mesma são professores,
pais e alunos destas escolas. A abordagem metodológica
é qualitativa, através da pesquisa-ação.
Propõe-se uma postura de diálogo
com a comunidade escolar, buscando conjuntamente
a elaboração de estratégias
de ação que favoreçam a execução
da proposta de inclusão escolar.
Passo
a discutir alguns dos resultados já obtidos
– durante o 2º semestre de 2003 - com
os professores de duas das escolas (10 professores
na escola particular e 10 professores na escola
estadual) acima mencionadas, a partir das questões
de entrevista propostas10. Inicialmente, as respostas
dos professores da escola particular foram analisadas,
destacando-se os aspectos que se seguem. Em relação
à primeira questão, cito breves
trechos de algumas falas, para um “conhecimento
in loco” das respostas.
a)
“... estar diante de um novo desafio.”
b)
“As questões referentes à inclusão
sempre provocam reações de insegurança
... É necessário muito estudo e
observação.”
c)
“... confesso que fiquei muito apreensiva
... constantemente ainda solicito ajuda da equipe
pedagógica da escola.”
Agrupei
as afirmações mais freqüentes
dos professores nos seguintes sentimentos ou atitudes:
sentimento de desafio; desconhecimento a respeito;
sentimento de ansiedade e insegurança;
busca de apoio pedagógico.
Em
relação à segunda questão,
constam abaixo algumas afirmações
que me pareceram mais sugestivas.
a) “Como um caminho onde não será permitido o retorno.”
b)
“Um caminho a ser trilhado ... mas com muitas
‘pedras’ e desafios impostos pela falta
de informação e de uma formação
especial.”
c)
“Acredito muito nesta proposta, uma vez que
aprendemos na interação com o outro,
respeitando as diferenças de cada um. Penso
que a inclusão precisa ser planejada com
seriedade, incluindo serviços de apoio.”
d)
“... abre as portas da escola para todos,
pois todos têm direito à educação
e socialização.”
As
respostas apresentadas podem ser resumidas da
seguinte forma. Os professores definem o projeto
da educação inclusiva como: uma
proposta educacional “irreversível”;
uma “democratização” do
ensino, do acesso à escola; “cultura
inclusiva”; um “caminho” (“sem
retorno”, “com muitas pedras”);
um projeto com demandas direcionadas à
transformação da escola.
Para
a terceira questão, elegi para ilustração
as seguintes respostas dos professores:
a)
“Sei muito pouco sobre o assunto, não
tenho experiência, me guio basicamente pela
minha observação, sensibilidade
e pelo pouco conhecimento que tenho de alguma
literatura especializada.”
b)
“Acredito que tenha uma grande caminhada
pela frente. Como já disse, é necessário
estudar, buscar, observar para entender cada uma
dessas crianças.”
c)
“Não temos conhecimentos suficientes
para recebermos adequadamente os diversos comprometimentos
que temos em nossas escolas. Acho que nunca estaremos
prontos, mas é com grupos de debates, de
estudos entre profissionais da área e também
de especialistas que conseguiremos avançar
nesse processo.”
Destaco
as seguintes posturas dos professores a partir
de seu espaço de experiência e de
formação profissional. Tendo em
vista atender a demanda decorrente da proposta
da educação inclusiva, os professores
acentuam: o valor das experiências acumuladas;
sentirem-se despreparados, ou “leigos”
em relação à proposta; disporem
de pouco formação específica;
disporem de pouco conhecimento; a importância
da formação continuada; a importância
da prática (similar ao primeiro aspecto
destacado acima); a necessidade de unir a prática
à teoria.
Em
relação à quarta questão,
destaco algumas afirmações:
a)
“Acho que para ocorrer a inclusão,
o professor sempre precisa do suporte da equipe
diretiva e de profissionais ligados à área.
Reuniões sistemáticas para trocar
idéias e apontar novos encaminhamentos.”
b) Primeiramente, o que mais pode contribuir é, sem dúvida, um suporte teórico para os professores, focando os diferentes tipos de crianças com necessidades especiais. A infra-estrutura da escola também deve estar de acordo com as necessidades. As informações a respeito dos alunos com necessidades especiais devem ser divulgadas e serem de domínio de todos os profissionais que trabalham com esses alunos. As informações devem ser muito bem trabalhadas com os colegas e familiares das turmas com inclusão.”
c)
“Trabalho com a comunidade escolar, principalmente
pais, que muitas vezes resistem aos colegas incluídos
que os filhos têm; até mesmo por
ignorância no assunto. Encontros com outros
colegas do mesmo ciclo, ou que tenham alunos com
comprometimentos similares, para que juntos possam
trocar informações, buscar estratégias.
Sugestões de literaturas sobre o assunto
específico. Ser comunicado com antecedência
sobre os alunos de inclusão do próximo
ano letivo, para que seja possível a busca
de dados anteriores e informações
que contribuirão para o trabalho em sala
de aula.”
As
afirmações dos professores dão,
como aspectos fundamentais para um processo positivo
de inclusão escolar, os seguintes destaques:
adaptação das escolas e preparo
dos professores; participação da
comunidade escolar e conscientização
do projeto de inclusão; apoio da equipe
pedagógico e composição favorável
da infra-estrutura escolar; rede de apoio, que
inclui também os especialistas; intercâmbio
constante entre os professores.
Na
última (quinta) questão apresentada,
algumas das respostas foram:
a)
“Penso que colocar alunos, sem estruturas
e recursos, somente para dizer que estamos a favor
da inclusão ... não resolve. É
preciso haver comprometimento de recursos, viabilizar
e qualificar sempre os profissionais que atuam
... com esses alunos. Principalmente em escolas
públicas, vejo um aglomerado de alunos,
ou, melhor dito, ‘depósitos’,
sem que a escola esteja preparada. É preciso
união da comunidade, respeitando os direitos
de todos, é preciso recursos de qualificação
e materiais nas escolas para que esses alunos
sintam-se realmente incluídos na sociedade
em que vivem. É preciso também que
os próprios colegas de classe tenham ...
entendimento para poder contribuir com esses colegas
em sala de aula e na escola, e não deixá-los
à margem.”
b)
“No atual momento, como já afirmei,
acredito que seria necessário à
escola organizar-se, no sentido de dar suporte
aos professores para atender o número cada
vez maior de crianças com necessidades
específicas.”
c)
“Vontade política para a proposta
realmente se efetivar, verbas e integração
da saúde com a educação.”
Nas
respostas apresentadas, os pontos mais débeis
para viabilização do projeto de
inclusão escolar foram destacados pelos
professores da seguinte maneira: a falta de oportunidades
para troca com colegas e especialistas; recursos
humanos e materiais insuficientes; conscientização
ainda débil da comunidade escolar sobre
o projeto de inclusão escolar; a ausência
de projetos sustentáveis de formação
continuada; vontade política e verbas insuficientes.
Os
10 professores da escola pública estadual,
distribuídos nas séries do ensino
fundamental, pelo currículo por atividades
e por área de estudo, apresentaram os seguintes
aspectos, que listo abaixo, todos eles como resposta
às cinco questões apresentadas:
·
a importância da formação
continuada dos professores;
·
a necessidade da Educação de Jovens
e Adultos (EJA) para alunos mais velhos;
·
o grande número de alunos em sala de aula
como aspecto desfavorável;
·
a existência de pouco tempo para que os
professores preparem suas atividades com qualidade;
·
o projeto de educação inclusiva
definido como um “mal necessário”;
·
a dependência da “boa vontade”
dos professores;
·
um certo “mal-estar” inicial, porém
com apoio externo a situação em
sala de aula passou a se tornar positiva;
·
é importante que as turmas de inclusão
sejam menores;
·
a importância dos intercâmbios entre
professores, educadores especiais e os professores
das salas de recursos.
Conclusão
Concluo
este texto não podendo deixar de apontar
para o que parece ser o óbvio, ou seja,
de que estamos diante de uma situação
de muitas incompletudes e perplexidades diante
da demanda que resulta, a meu ver, da priorização
em lei (LDB 9394/96) de um projeto político-pedagógico-
o da educação inclusiva - que não
nos possibilita vislumbrar, ainda, formas exeqüíveis
de implementação bem sucedida. Podemos,
como tantos outros, sonhar, defender uma utopia,
estabelecer metas que signifiquem a gradual metamorfose
de educadores, escolas, famílias e alunos
em sujeitos ativos, participantes, criativos no
processo de inclusão de alunos com necessidades
especiais no sistema regular de ensino.
As
falas dos docentes ouvidos anunciam e denunciam
dificuldades, frustrações, temores,
porém também a esperança
de que, através dos vários intercâmbios
a serem estabelecidos entre professores, pais,
alunos, e outros sujeitos do espaço escolar,
avanços e transformações
possam ser produzidos, gerando-se uma inclusão
escolar possível.
|
| Referências
bibliográficas Banks-Leite, L. Galvão, I. (Orgs). A educação de um selvagem: as experiências pedagógicas de Jean Itard. São Paulo: Cortez, 2000. Beyer, H. O . Educação especial: Uma reflexão sobre paradigmas. In: Reflexão e ação. Santa Cruz do Sul: Unisc, v. 6, nº 2, jul/dez 1998, p. 9-22. Beyer, H. O . Integração e inclusão escolar: reflexões em torno da experiência alemã. Revista Brasileira de Educação Especial, v. 8, nº 2, jul/dez 2002, p. 157-168. Bleidick, U. Lernbehindertenpädagogik. In: Bleidick, U. Hagemeister, U. Kröhnert, O . Pawel, B. Einführung in die Behindertenpädagogik. Stuttgart: Kohlhammer, 1981. Foucault, M. História da loucura na idade clássica. São Paulo: Perspectiva, 1995. Naujorks, M.I. Stress e inclusão: indicadores de stress em professores frente à inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais. In: Cadernos de Educação Especial, Santa Maria, p. 117-125, nº 20, 2002. Vygotski, L.S. Obras escogidas V – Fundamentos de defectología. Madrid: Visor, 1997. Notas: 1 Destacam-se as desenvolvidas nas cidades de Berlim e Hamburgo. 2 Compõem o GEPEI e participam da pesquisa as seguintes pesquisadoras: Fabiane Costas (Drª/UFSM); Olga S. Herval Souza (Drª/FADERGS); Ana Vilma Tijiboy (Drª/NAPNES-UFRGS); Ulrika Arns (Doutoranda UFRGS/UERGS); Andréa Tonini (Ms/UFSM); Luisa Hogetop (Ms/NAPNES-UFRGS); Cíntia Teixeira (Ms/URI); Ângela Coronel (Ms/SMED-São Leopoldo, RS); Maristela Ferrari (Mestranda UFRGS/SMED-Novo Hamburgo, RS); Mônica Pagel Eidelwein (Mestranda UFRGS/FEEVALE); Márcia B. Cerutti Müller (Mestranda UFRGS/FEEVALE); Ângela Vigolo (NAPNES-UFRGS). 3 Os países de língua anglo-germânica fixaram-se em um conceito ontogenético da deficiência. Pensamos, aqui, particularmente nas expressões na língua alemã, em que para cada prefixo definidor da deficiência segue-se o substantivo deficiente(s). Assim, por exemplo, surgem as palavras Geistig(=mental)behinderte(=deficiente), Sprach(=fala)behinderte, Lern(aprendizagem)behinderte, dentre outras. Inclusive a educação especial (sem esquecer que há neste país um significativo movimento de integração escolar) ganha diferentes denominações, sendo uma delas a Behindertenpädagogik, isto é, a pedagogia dos deficientes. 4 A respeito da discussão dos paradigmas, veja o artigo Educação especial: uma reflexão sobre paradigmas. In: Reflexão e Ação. UNISC, 1998. 5 A este respeito, veja o artigo Integração e inclusão escolar: reflexões em torno da experiência alemã. In: Revista Brasileira de Educação Especial, 2002. 6 Pensa-se, aqui, nos contextos escolares da escola regular, da escola especial, e das escolas regulares com experiências de educação inclusiva. 7 Veja, a respeito, o vol. V das Obras Escogidas, 1997. 8 Tradução livre do texto original, em espanhol. 9 Não pensamos, absolutamente, em um padrão cultural normativo ou dominante, já que um determinado grupo social pode ser composto por várias culturas, raças, etnias, identidades, etc., sendo que os significados culturais são marcados pelas matizes correspondentes. 10 As cinco questões apresentadas são as seguintes: 1) Qual foi seu primeiro contato com a idéia/proposta da educação inclusiva? E sua primeira reação? 2) Como você a define? 3) Como você avalia sua condição profissional (experiência, formação, etc.) para adaptar sua atuação docente às características de uma educação inclusiva? 4) Que aspectos você aponta como imprescindíveis para viabilizar na dinâmica escolar a proposta da educação inclusiva? 5) Quais os aspectos que você apontaria como mais débeis, no atual momento, no processo de inclusão escolar de alunos com necessidades especiais? |
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
Educação Inclusiva
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