*NOTA ZERO EM GESTÃO ESCOLAR!
Uma pesquisa da
Fundação Victor Civita mostra que, no Brasil, os diretores de escola pública
gastam tempo demais com burocracia e pouco com as questões da sala de aula
Diretores reclamam que os problemas administrativos ocupam a maior parte do tempo deles
Está provado que a presença
de um bom diretor não é apenas desejável - mas decisiva - para um elevado nível
de ensino numa escola, seja ela pública, seja particular. Por isso, merece
atenção uma nova pesquisa que traz à luz o mais completo perfil já feito sobre
esses profissionais no país. Antes do levantamento, que ouviu 400 diretores de
colégios públicos no país inteiro, o conhecimento que se tinha sobre eles era,
basicamente, intuitivo. Agora, tratou-se de mensurar a realidade - e
dimensionar os problemas.
OS DADOS DA PESQUISA
Logo de saída, a pesquisa,
conduzida pelo Ibope em parceria com a Fundação
Victor Civita, mostra que 64% dos diretores reconhecem, sem rodeios, não
estar suficientemente preparados para exercer o cargo que ocupam. Quando eles
versam sobre o ofício, as fragilidades ficam ainda mais evidentes. A pesquisa
indica que os diretores não costumam basear suas decisões em nenhuma meta
acadêmica e chegam a ignorar a nota de sua escola nos rankings oficiais. Talvez
o mais preocupante de todos os dados, no entanto, diga respeito à visão que
eles têm da função: apenas 2% deles se sentem responsáveis pelos maus
resultados de sua própria escola, ao passo que os outros 98% culpam pais,
professores, alunos, o colégio e até o governo. Conclui o especialista
Francisco Soares, da Universidade
Federal de Minas Gerais: "É preciso mudar urgentemente esse cenário
para começar a pensar em bom ensino".
FALTA DE FORMAÇÃO EM GESTÃO.
A IMPORTANCIA DOS PLANOS A
LONGO PRAZO
Aos diretores brasileiros,
faltam praticamente todos os pré-requisitos que os especialistas definem como
básicos para o desempenho da função. Além de boa formação e experiência em
gestão, já se sabe que o diretor deve conseguir manter sua atenção voltada para
as salas de aula e ser capaz de traçar objetivos acadêmicos claros, que
servirão de norte para os professores. Também se espera dele que envolva os
pais na vida escolar, passo decisivo para o avanço dos alunos. No mundo todo, é
esse o tipo de diretor que alcança os melhores resultados no ensino - inclusive
no Brasil, segundo mostra uma recente pesquisa feita por especialistas da
Fundação Getulio Vargas (FGV), também em parceria com a Fundação Victor Civita.
O estudo, que comparou escolas de bom resultado nas avaliações oficiais às de
ensino mediano, concluiu que à frente dos melhores colégios estão justamente
aqueles diretores com visão de longo prazo. Diz o cientista político Fernando
Abrucio, coordenador da pesquisa: "Os diretores mais eficazes entendem que
um plano pedagógico ambicioso precisa de tempo para ser concluído". Estes
chegam a ficar até catorze anos numa mesma escola, enquanto um típico diretor
de escola pública no Brasil troca de emprego a cada cinco anos.
PLANEJANDO SUA CARREIRA
Texto: Cíntia Borsato

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