"Abordagem feita em uma actividade de Mestrado em Ciências da Educação de autoria da Professora Mestranda ADRIANA RUANOBA SCARZELLA, que também é colaboradora desta Revista Científica de Educação do Instituto Erasmo de Rotterdam.
1 INTRODUÇÃO
Antes de entrar no tema, seria bom conhecer um pouco mais sobre o autor. Edgar Morin, nasceu em Paris em 8 de Julho 1921. É um sociólogo e filósofo francês e um dos principais pensadores sobre complexidade.
É considerado um dos pensadores mais importantes do século XX.
Para Morin, os sete saberes necessários à educação do futuro não têm nada a ver com não têm relação alguma com programas educacionais nem com níveis de estudo, e sim, com o que ele chama de “buracos negros” da educação que são, - segundo ele-, ignorados, subestimados ou fragmentados nos programas educativos.
O primeiro, refere-se ao conhecimento. O ensino dá conhecimentos, porém, não ensina o que é conhecimento.
Nas palavras de Morin, o conhecimento não é um espelho da realidade, e sim uma tradução seguida de uma reconstrução dela. E as traduções e as reconstruções são um risco de erro.
Outras causas de erro são as diferenças culturais, sociais e de origem.
O problema do conhecimento, portanto, não deve ser um problema restrito aos filósofos, e sim um problema de todos. Cada um deve levá-lo em conta muito cedo e explorar as possibilidades de erro para ter condições de ver a realidade.
O segundo buraco negro é que não ensinamos as condições de um conhecimento pertinente, ou seja, um conhecimento que não mutila o seu objeto.
O terceiro aspecto é a identidade humana, sendo que nossa identidade é completamente ignorada pelos programas de instrução.
O quarto “buraco”, é sobre a compreensão humana. Nunca se ensina sobre compreender uns aos outros, como compreender nossos vizinhos, nossos parentes, nossos pais. E não é menos importante, a ideia de compreender a si mesmo.
O quinto aspecto é a incerteza. É necessário mostrar em todos os domínios o surgimento do inesperado
O sexto aspecto é a condição planetária, na era da globalização no século XX, assim como o planeta e seus problemas, a aceleração histórica, e a quantidade de informação que não conseguimos processar e organizar.
E finalmente o último “buraco negro” é o que ele chama de antropo-ético, refere-se aos problemas da moral e da ética que diferem entre culturas e na natureza humana.
2 RESENHA DO LIVRO DE EDGAR MORIN
Morin começa falando do que todo conhecimento comporta o risco do erro e da ilusão. O conhecimento não pode ser considerado uma ferramenta ready made, que pode ser utilizada sem que sua natureza seja examinada. Da mesma forma, o conhecimento do conhecimento deve aparecer como necessidade primeira, que serviria de preparação para enfrentar os riscos permanentes de erro.
A educação deve mostrar que não há conhecimento que não esteja, em algum grau, ameaçado pelo erro e pela ilusão.
E ele fala do erro de percepção e do erro intelectual.
O desenvolvimento do conhecimento científico é poderoso meio de detecção dos erros e de luta contra as ilusões, por conseguinte, a educação deve-se dedicar à identificação da origem de erros, ilusões e cegueiras.
A própria memória é também fonte de erros inúmeros. Nenhum dispositivo cerebral permite distinguir a alucinação da percepção, o sonho da vigília, o imaginário do real, o subjetivo do objetivo.
Existem, às vezes, falsas lembranças que julgamos ter vivido, assim como recordações recalcadas a tal ponto que acreditamos jamais as ter vivido.
Assim, a memória, pode ela própria estar sujeita aos erros e às ilusões.
Ele menciona também os erros intelectuais, já que está na lógica organizadora de qualquer sistema de ideias resistir à informação que não lhe convém ou que não pode assimilar.
Fala também dos erros da razão, sendo a racionalidade é a melhor proteção contra o erro e a ilusão.
Existe a racionalidade construtiva que elabora teorias coerentes, verificando o caráter lógico da organização teórica, a compatibilidade entre as ideias que compõem a teoria, e, por outro lado, há a racionalidade crítica exercida particularmente sobre os erros e ilusões das crenças, doutrinas e teorias.
Decorre daí, a necessidade de reconhecer na educação do futuro um princípio de incerteza racional: a racionalidade corre risco constante, caso não mantenha vigilante autocrítica quanto a cair na ilusão racionalizadora.
Isso significa que a verdadeira racionalidade não é apenas teórica, apenas crítica, mas também autocrítica.
O paradigma instaura relações primordiais que constituem axiomas, determina conceitos, comanda discursos e/ou teorias. Organiza a organização deles e gera a geração ou a regeneração.
É assim que um paradigma pode, ao mesmo tempo elucidar e cegar, revelar e ocultar. É no seu seio que se esconde o problema-chave do jogo da verdade e do erro.
Ele fala do termo “imprinting”, proposto por Konrad Lorenz para dar conta da marca indelével imposta pelas primeiras experiências do animal recém-nascido, dizendo que o imprinting cultural marca os humanos desde o nascimento. Primeiro com o selo da cultura familiar, da escolar em seguida, e depois prossegue na universidade ou na vida profissional.
Devemos estar bem conscientes de que, desde o alvorecer da humanidade, encontra-se a noção de noosfera — a esfera das coisas do espírito —, com o surgimento dos mitos, dos deuses, e diz, que o extraordinário levante dos seres espirituais impulsionou e arrastou o Homo sapiens a delírios, massacres, crueldades, adorações, êxtases e sublimidades desconhecidas no mundo animal.
Morin diz que o inesperado surpreende-nos. Não podemos jamais prever como se apresentará, mas deve-se esperar sua chegada, ou seja, devemos esperar o inesperado.
E quando o inesperado se manifesta, é preciso ser capaz de rever nossas teorias e ideias, em vez de deixar o fato novo entrar à força na teoria incapaz de recebê-lo. a incerteza, que mata o conhecimento simplista, é o desintoxicante do conhecimento complexo.
Devemos compreender que, na busca da verdade, as atividades auto-observadoras devem ser inseparáveis das atividades observadoras, as autocríticas, inseparáveis das críticas e os processos reflexivos, inseparáveis dos processos de objetivação.
Necessitamos estar permanentemente atentos para evitar idealismo e racionalização. Necessitamos de negociação e controle mútuos entre nossa mente e nossas ideias. Necessitamos de intercâmbio e de comunicação entre as diferentes zonas de nossa mente. Necessitamos desenvolver nova geração de teorias abertas, racionais, críticas, reflexivas, autocríticas, aptas a se auto-reformar.
Para ele, o conhecimento do mundo como mundo é necessidade ao mesmo tempo intelectual e vital. Para articular e organizar os conhecimentos e assim reconhecer e conhecer os problemas do mundo, é necessária a reforma do pensamento.
Ele diz que tornam-se invisíveis:
• O contexto
• O global
• O multidimensional
• O complexo
Para que o conhecimento seja pertinente, a educação deverá torná-los evidentes.
E o conhecimento das informações ou dos dados isolados é insuficiente, sendo preciso situar as informações e os dados em seu contexto para que adquiram sentido.
Para ter sentido, a palavra necessita do texto, que é o próprio contexto, e o texto necessita do contexto no qual se enuncia.
E diz que Bastien (1992), acrescenta que “a contextualização é condição essencial da eficácia (do funcionamento cognitivo)”.
O global é mais que o contexto, é o conjunto das diversas partes ligadas a ele.É preciso recompor o todo para conhecer as partes.
Daí se tem a virtude cognitiva do princípio de Pascal (1976), segundo o qual a educação do futuro deverá se inspirar:
“sendo todas as coisas causadas e causadoras, ajudadas ou ajudantes, mediatas e imediatas, e sustentando-se todas por um elo natural e insensível que une as mais distantes e as mais diferentes, considero ser impossível conhecer as partes sem conhecer o todo, tampouco conhecer o todo sem conhecer particularmente as partes”.
“sendo todas as coisas causadas e causadoras, ajudadas ou ajudantes, mediatas e imediatas, e sustentando-se todas por um elo natural e insensível que une as mais distantes e as mais diferentes, considero ser impossível conhecer as partes sem conhecer o todo, tampouco conhecer o todo sem conhecer particularmente as partes”.
Para Morin, a educação deve favorecer a aptidão natural da mente em formular e resolver problemas essenciais a fim de estimular o uso total da inteligência geral. Na missão de promover a inteligência geral dos indivíduos, a educação do futuro deve ao mesmo tempo utilizar os conhecimentos existentes, superar as antinomias decorrentes do progresso nos conhecimentos especializados e identificar a falsa racionalidade.
Diz que a hiperespecialização3 impede tanto a percepção do global quanto do essencial. Impede até mesmo tratar corretamente os problemas particulares, que só podem ser propostos e pensados em seu contexto. Entretanto, os problemas essenciais nunca são parcelados e os problemas globais são cada vez mais essenciais.
Ao mesmo tempo, o recorte das disciplinas impossibilita apreender “o que está tecido junto”, ou seja, o complexo.
O conhecimento especializado é uma forma particular de abstração. A especialização extrai um objeto de seu contexto e de seu conjunto, rejeita os laços e as intercomunicações com seu meio, introduz o objeto no setor conceptual abstrato que é o da disciplina compartimentada, e como nossa educação nos ensinou a separar, compartimentar ,isolar e, não, a unir os conhecimentos, o conjunto deles constitui um quebra-cabeças ininteligível.
Daí decorre o paradoxo: o século XX produziu avanços gigantescos em todas as áreas do conhecimento científico, assim como em todos os campos da técnica, produzindo, ao mesmo tempo, nova cegueira para os problemas globais, fundamentais e complexos. E esta cegueira gerou inúmeros erros e ilusões, por parte dos cientistas, técnicos e especialistas.
Por quê? Porque o parcelamento e a compartimentação dos saberes impedem apreender “o que está tecido junto”.
No capítulo III, ele diz que “Quem somos?” é inseparável de “Onde estamos?”, “De onde viemos?”, “Para onde vamos?”
O humano é um ser a um só tempo plenamente biológico e plenamente cultural.
O homem é, um ser plenamente biológico, mas,se não dispusesse plenamente da cultura, seria um primata do mais baixo nível.
O homem somente se realiza plenamente como ser humano pela cultura e na cultura. Não há cultura sem cérebro humano, mas não há mente - capacidade de consciência e pensamento -, sem cultura. Considero esta uma das afirmações mais importantes e verdadeiras do texto.
A complexidade humana não poderia ser compreendida dissociada dos elementos que a constituem: todo desenvolvimento verdadeiramente humano significa o desenvolvimento conjunto das autonomias individuais, das participações comunitárias e do sentimento de pertencer à espécie humana.
Cabe à educação do futuro cuidar para que a ideia de unidade da espécie humana não apague a ideia de diversidade e que a da sua diversidade não apague a da unidade. A educação deverá ilustrar este princípio de unidade/diversidade em todas as esferas.
Na esfera individual, existe unidade/diversidade genética enquanto na esfera da sociedade, existe a unidade/diversidade das línguas.
Morin diz, que o mundo torna-se cada vez mais um todo. Cada parte do mundo faz, mais e mais, parte do mundo e o mundo, como um todo, está cada vez mais presente em cada uma de suas partes.
O mundo, cada vez mais, torna-se uno, mas torna-se, ao mesmo tempo, cada vez mais dividido. Os antagonismos entre nações, religiões, entre laicização e religião, modernidade e tradição, democracia e ditadura, ricos e pobres, Oriente e Ocidente, Norte e Sul nutrem-se uns aos outros, e a eles mesclam-se interesses estratégicos e econômicos antagônicos das grandes potências e das multinacionais voltadas para o lucro.
Todos os humanos, desde o século XX, vivem os mesmos problemas fundamentais de vida e de morte, por isso, é necessário aprender a “estar aqui” no planeta.
Aprender a estar aqui significa: aprender a viver, a dividir, a comunicar, a comungar. Devemo-nos dedicar não só a dominar, mas a condicionar, melhorar, compreender.
Devemos inscrever em nós:
• a consciência antropológica, que reconhece a unidade na diversidade;
• a consciência ecológica, ou seja, a consciência de habitar, com todos os seres mortais, a mesma esfera viva (biosfera);
• a consciência cívica terrena, isto é, da responsabilidade e da solidariedade para com os filhos da Terra;
• a consciência espiritual da condição humana que decorre do exercício complexo do pensamento e que nos permite, ao mesmo tempo, criticar-nos mutuamente e auto criticar-nos e compreender-nos mutuamente.
A unidade, a mestiçagem e a diversidade devem-se desenvolver contra a homogeneização e o fechamento.
O capítulo V fala do surgimento do novo. E diz que o surgimento do novo não pode ser previsto, senão não seria novo.
O surgimento de uma criação não pode ser conhecido por antecipação, senão não haveria criação.
As grandes transformações são criadoras de formas novas que podem constituir
verdadeiras metamorfoses.
Porém, ele diz que não existem apenas inovações e criações. Existem também destruições. E menciona que os avanços da técnica, da indústria e do capitalismo levaram à destruição de civilizações tradicionais.
Quando uma nova consciência começa a surgir, o homem deve aprender a enfrentar a incerteza.
É por isso que a educação do futuro deve se voltar para as incertezas ligadas ao conhecimento pois existe:
• Um princípio de incerteza cérebro-mental, que decorre do processo de tradução/reconstrução próprio a todo conhecimento.
• Um princípio de incerteza lógica: como dizia Pascal: “Nem a contradição é sinal de falsidade, nem a não-contradição é sinal de verdade.”
• Um princípio de incerteza racional, já que a racionalidade, se não mantém autocrítica vigilante, cai na racionalização.
• Um princípio da incerteza psicológica: existe a impossibilidade de ser totalmente consciente do que se passa na nossa mente. Existe, portanto, a dificuldade do autoexame
crítico, para o qual nossa sinceridade não é garantia de certeza, e existem limites para qualquer autoconhecimento.
A realidade não é facilmente legível, e sendo que as ideias e teorias traduzem a realidade, elas podem traduzi-la de maneira errônea posto que nossa realidade e nossa ideia da realidade. Isto nos mostra que é preciso saber interpretar a realidade antes de reconhecer onde está o realismo.
O conhecimento é, pois, uma aventura incerta que comporta em si mesma, permanentemente, o risco de ilusão e de erro.
El ele repete um pensamento já dito no livro: o conhecimento é a navegação em um oceano de incertezas, entre arquipélagos de certezas. E a grande incerteza a enfrentar decorre do que ele chama de ecologia da ação, que compreende três princípios:
- O circuito risco/precaução; o princípio da incerteza provém da dupla necessidade do risco e da precaução. Para toda ação empreendida em meio incerto, existe contradição entre o princípio do risco e o princípio da precaução, sendo um e outro necessários.
- O circuito fins/meios; como os meios e os fins inter-retro-agem uns sobre os outros, é quase inevitável que meios sórdidos a serviço de fins nobres pervertam estes e terminem por substituí-los.
- O circuito ação/contexto; a ação também pode ter três tipos de consequências insuspeitas, segundo Hirschman: o efeito perverso (o efeito nefasto inesperado é mais importante do que o efeito benéfico esperado); a inanição da inovação (quanto mais se muda, mais tudo permanece igual); e a colocação das conquistas em perigo (quis-se melhorar a sociedade, mas só se conseguiu suprimir liberdade ou segurança).
Pode-se, considerar ou calcular os efeitos de uma ação em curto prazo, mas seus efeitos em longo prazo são imprevisíveis; nenhuma ação está segura de ocorrer no sentido de sua intenção.
Deve-se lutar contra as incertezas da ação; pode-se mesmo supera-las em curto ou em médio prazo, mas ninguém pretende tê-las eliminado em longo prazo.
O problema da compreensão tornou-se crucial para os humanos. Por este motivo, deve ser uma das finalidades da educação do futuro.
A comunicação não garante a compreensão. A informação, se for bem transmitida e compreendida, traz inteligibilidade, condição necessária, mas não suficiente, para a compreensão.
Morin diz que há duas formas de compreensão: a compreensão intelectual ou objetiva e a compreensão humana intersubjetiva. A compreensão intelectual passa pela inteligibilidade e pela explicação.
Já a compreensão humana vai além da explicação. Compreender inclui, necessariamente, um processo de empatia, de identificação e de projeção.
A compreensão do sentido das palavras de outro, de suas ideias e de sua visão do mundo está sempre ameaçada por todos os lados:
Existe o “ruído” que parasita a transmissão da informação, cria o mal-entendido ou o não-entendido.
Existe a polissemia de uma noção que, enunciada em um sentido, é entendida de outra forma.
Existe a ignorância dos ritos e costumes do outro, especialmente dos ritos de cortesia, o que pode levar a ofender inconscientemente.
Existe a incompreensão dos valores imperativos propagados no seio de outra cultura, como o são nas sociedades tradicionais o respeito aos idosos, a obediência incondicional das crianças, a crença religiosa ou, ao contrário, em nossas sociedades
democráticas contemporâneas, o culto ao indivíduo e o respeito às liberdades.
Existe a incompreensão dos imperativos éticos próprios a uma cultura, o imperativo da vingança nas sociedades tribais, o imperativo da lei nas sociedades evoluídas.
Existe muitas vezes, a impossibilidade de compreender as ideias ou os argumentos de outra visão do mundo.
Existe, sobretudo, a impossibilidade de compreensão de uma estrutura mental em relação a outra.
Os obstáculos à compreensão são múltiplos e multiformes.
A ética da compreensão é a arte de viver que nos demanda, em primeiro lugar, compreender de modo desinteressado. Demanda grande esforço, pois não pode esperar nenhuma reciprocidade: A ética da compreensão pede que se compreenda a incompreensão.
Compreender é também aprender e reaprender incessantemente.
3 CONCLUSÃO
Todo saber envolve um compromisso sério com o conhecimento, e este um compromisso com a realidade.
O que se podemos observar na filosofia analítica Morin, é uma tendência a potencializar a complexidade do processo de ensino-aprendizagem.
A função da escola é fazer com que os conceitos espontâneos, informais, que os estudantes adquirem na convivência social, evoluam para o nível dos conceitos científicos, sistemáticos e formais, adquiridos pelo ensino. E o professor é o mediador.
O texto de Morin nos apresenta e mostra um caminho que – segundo ele-, devemos seguir.
O livro começa falando que o erro vem da nossa percepção, através da visão. O conhecimento que obtemos está sobre os conhecimentos anteriores, e tudo que nos vem é através da palavra, de leituras, de percepções, por isso estamos mais propícios a cometermos equívocos.
Os sete saberes necessários à educação do futuro” pretende “expor problemas centrais ou fundamentais que permanecem totalmente ignorados ou esquecidos.
Mas o que não devemos esquecer e que não da para negar, ou ignorar, é que a relação entre saber e conhecimento é fundamental, já que todo e qualquer saber, envolve um sério compromisso com o conhecimento.
Edgar Morin nos apresenta sete saberes que, segundo ele, são ignorados e subestimados pelo ensino e pelas escolas contemporâneas, são os “sete buracos negros da educação” e não se tratam especificamente de nenhum nível escolar, mas sim programas que deveriam ser colocados no centro da educação para formar bons cidadãos.
Porém, a grande questão que envolve todos os saberes é o de civilizar o mundo.
Ele faz essa exposição numa linguagem simples, com exemplos concretos e bastante conhecidos. Seu objetivo é unir o que hoje se encontra fragmentado, causando a invisibilidade de muitos problemas.
Isso tudo porque o próprio planeta encontra-se unido e fragmentado ao mesmo tempo, um estado de caos, que só pode ser superado através da civilização.
Esta, por sua vez, só será alcançada através de uma educação eficiente que leve em conta estes sete pontos acima e que hoje são ignorados.
4 REFERÊNCIAS
BASTIEN, Claude, “Le décalage entre logique et connaissance”, in Courrier du CNRS,nº 79, Sciences cognitives, outubro 1992.
MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro, São Paulo :
Cortez ; Brasília, DF : UNESCO, 2000.
PASCAL, Pensées (texto estabelecido por Leon Brunschwicg). Ed. Garnier Flammarion, Paris, 1976.

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